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Vitamina comum em suplementos para cabelos e unhas altera exame de tireoide

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Imagem: iStock

Carol Salles

Colaboração para o Viva Bem

18/12/2017 09h50

Cada vez mais comuns nas prateleiras das farmácias, muitos dos complexos vitamínicos voltados para o fortalecimento de fios de cabelo e unhas contêm uma substância capaz de alterar o resultado de exames laboratoriais, como o da tireoide.

A notícia não é exatamente nova --desde 2012 a literatura médica relata a interferência. No entanto, foi só em 2016 que o assunto ganhou maior relevância, por conta de publicações científicas que evidenciam essas alterações especificamente nas análises da função tiroidiana.

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“Há o caso de uma mulher nos Estados Unidos cujo exame mostrou excesso de hormônios da tireoide, ou seja, um quadro de hipertireoidismo. No entanto, ela não apresentava nenhum dos sinais típicos da doença, como perda de peso ou alterações menstruais”, relata a endocrinologista Rosa Paula Mello Biscolla, do laboratório Fleury Medicina e Saúde, de São Paulo (SP). Por fim, descobriu-se que ela tomava altíssimas doses de biotina para cuidar de uma esclerose múltipla --tratamento que, por sinal, não possui estudos suficientes que comprovem seus benefícios.

Não é apenas nos hormônios da tireoide que a biotina interfere. Recentemente, o FDA (Food and Drug Administration), órgão americano responsável pela proteção da saúde pública, divulgou um alerta depois que um homem morreu de um infarto causado pelo excesso de biotina --a vitamina impediu que seus exames detectassem corretamente os níveis de troponina, uma proteína que faz parte do processo de contração muscular cardíaco e cujo aumento indica um ataque do coração.

A biotina é uma das vitaminas que alteram os hormônios da tireoide - iStock
A biotina é uma das vitaminas que alteram os hormônios da tireoide
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Faz mesmo bem para o cabelo?

Segundo o dermatologista Caio Lamunier, do Hospital das Clínicas de São Paulo, a biotina é, de fato, um nutriente que acelera o crescimento e ajuda no fortalecimento das unhas e cabelos. “A questão é que há uma variabilidade grande em relação à dosagem. A maioria das medicações tem níveis baixos, que podem ser tomados sem receita médica com segurança, mas com menor eficácia em doenças do cabelo e unha. Por outro lado, há medicações com altas doses, que merecem supervisão médica durante o tratamento”, explica.

A dose certa

A B7 é facilmente obtida pela alimentação. É encontrada no ovo, no leite, nos cereais e nos cogumelos. A necessidade diária é de 35 a 100 microgramas para adultos. No caso da norte-americana cujo exame indicou um falso hipertireoidismo, a dose era de 300 miligramas por dia.

Mas mesmo dosagens mais baixas podem interferir nos exames. “Fizemos um teste com 19 voluntários, que tomaram um comprimido de 10 mg de biotina cada um. Depois de 3 horas, colhemos o sangue e comparamos com o exame basal (antes de tomar a dose). Já era possível ver alteração na tireoide”, conta Rosa Paula. Depois de 24 horas, o sangue voltava ao normal.

“A biotina não causa nenhum mal ao organismo. No entanto, a recomendação é de suspender a medicação 72 horas antes de alguns exames laboratoriais. Na dúvida, é sempre bom avisar ao seu médico se faz uso da vitamina”, finaliza o endocrinologista Rui Maciel, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e professor da Unifesp (SP).

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