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Volta às aulas: tire dúvidas sobre o cuidado com as crianças na escola

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Imagem: iStock

Bárbara Therrie

Colaboração para VivaBem

05/10/2020 10h11

Sem um consenso geral, o Brasil está dividido quanto ao retorno das aulas presenciais durante a pandemia do novo coronavírus. Em meio à discussão, algumas cidades estão promovendo uma retomada gradual com rodízio de alunos, turmas reduzidas e medidas rígidas de higiene.

Por outro lado, há cidades que pretendem reabrir as escolas já este mês, em 2021 ou só quando uma vacina for desenvolvida e estiver disponível.

No caso específico da volta às aulas na educação infantil, muitos pais estão preocupados sobre os cuidados que as crianças devem ter no período em que estiverem na escola. Segundo médicos ouvidos pela reportagem, a preocupação deve ocorrer e é benéfica, porque traz a busca por informação e o cumprimento dos protocolos. O retorno com segurança é possível, mas não existe risco zero.

Tire dúvidas sobre a volta às aulas

Os meus filhos vão ter de usar máscara na escola?

Sim, o uso da máscara será obrigatório. Menores de dois anos de idade não devem usar máscara; entre dois e cinco anos, as máscaras devem ser utilizadas sob rigorosa supervisão de adultos; e a partir de seis anos, é recomendada a todos.

Como fazer meu filho usar máscara?

Garantir que crianças usem máscara requer treino e paciência independentemente da faixa etária. O primeiro passo é explicar a importância de usar a máscara para se proteger e proteger as pessoas que a criança ama. O segundo é treinar o uso por períodos prolongados, enquanto brinca, corre, joga bola, entre outras atividades.

A utilização da máscara pelas crianças sempre será, inicialmente, pelo exemplo. Os mais novos, dificilmente, têm a extensão das razões, mas ações lúdicas, como o uso de máscaras divertidas, associação com personagens como super-heróis, e o exemplo dentro e fora de casa —os pais, irmãos mais velhos e amiguinhos— serão importantes. A premiação pelo feito correto (o uso da máscara) com elogios e estímulos também funciona bem com crianças menores.

Tem problema meu filho trocar de máscara com o colega de sala?

A troca da máscara determina troca de secreções e, portanto, maior possibilidade de contaminação.

As máscaras são de uso individual, sendo assim, se uma das crianças estiver infectada com a covid-19 e trocar de máscara com o seu filho, seu filho poderá se infectar com o vírus que está no tecido da máscara, mesmo se ainda estiver sem sintomas. Já foi provado que uma pessoa infectada pode transmitir o vírus até três dias antes do início dos sintomas de gripe ou resfriado.

Quantas horas meu filho pode ficar com a máscara antes de trocá-la?

O tempo de uso das máscaras deve ser entre duas e quatro horas, mas dependerá muito da própria criança e da idade. Crianças pequenas, geralmente, são mais secretivas. A máscara úmida não só determina incômodo, como prejudica sua eficácia, sendo necessária a troca sempre que isso ocorrer, independentemente do tempo de uso da máscara. É necessário sempre ter máscaras extras.

Crianças de máscara na escola, na sala de aula - iStock - iStock
Imagem: iStock

É perigoso meu filho abraçar, dar as mãos ou beijar algum coleguinha?

Existe um certo risco de transmissão por esse tipo de contato, mas o risco é alto, de fato, se as crianças não estiverem de máscaras e não higienizarem as mãos com frequência. Se higienizarem as mãos antes de dar a mão a um colega e, novamente, antes de tocar em outros locais do corpo, objetos ou pessoas, o risco de infecção é muito pequeno. Nesse momento recomenda-se que contato como beijos e abraços sejam evitados.

Entendemos que essas são atitudes difíceis de serem controladas, até pela pouca idade dessas crianças. Mas temos que compreender que as escolas para onde elas voltarão não serão as mesmas de onde elas saíram. Muitos processos deverão sofrer modificações e, cabe a todos nós, acompanhar essas transformações.

E se nas aulas de educação física os alunos ficarem suados, há perigo?

Suor não é um perigo, a saliva, tosse ou espirros são o problema e onde o vírus pode estar e transmitir para os colegas.

Além disso, nem todas as atividades físicas requerem contato físico, e isto pode ser perfeitamente controlado pelos professores desta disciplina. Atividades coletivas para competição sofrerão prejuízos, mas, neste momento, elas só poderão ocorrer em ambientes controlados e com testagem adequada para o coronavírus.

Qual o jeito mais seguro de ir ao banheiro da escola?

A utilização do banheiro envolve diversos agentes, como os responsáveis pela limpeza da escola, que precisam ser capacitados e treinados. Crianças pequenas precisarão ser supervisionadas ao irem ao banheiro.

A higienização das mãos é fundamental logo após seu uso, e todos os insumos necessários para isso, como água, sabonete, papel, papel higiênico, álcool gel, não poderão faltar em nenhum momento.

Quais os cuidados na hora de beber água no bebedouro?

A criança deve pegar água com copo ou garrafinha individual, higienizar as mãos antes e após manipular o copo e a máscara e não encostar a boca da garrafa ou copo no bebedouro durante o abastecimento do recipiente.

Ela nunca deve colocar a boca diretamente no bebedouro.

O que é mais seguro: levar lanche de casa ou comprar algo na cantina?

Depende do cuidado e higiene com o qual os lanches serão armazenados e, posteriormente, manipulados pela criança. A princípio, nenhum dos dois é um problema, desde que as regras de higiene no preparo e na manipulação dos alimentos seja cuidada e que as mãos sejam higienizadas antes da manipulação.

O mais importante é não compartilhar alimentos mordidos com colegas e não passar alimentos de mão em mão.

Meu filho pode conversar com os colegas no recreio/intervalo?

A conversa e a interação entre as crianças devem ser incentivadas e fazem parte do desenvolvimento neurológico, psicológico e social. No entanto, sempre com respeito às regras de segurança, como distanciamento mínimo de 1,5 metro.

Meu filho pode compartilhar objetos como caneta, lápis e caderno?

O ideal é que objetos não sejam compartilhados, pois é muito comum que crianças levem lápis e mãos à boca. A mão infectada pode contaminar o objeto que pode contaminar quem manipulá-lo, principalmente se após tocá-lo levar a mão à boca, nariz ou olhos.

É perigoso mandar meu filho para a escola por meio de transporte escolar?

Para usar o transporte escolar com mais segurança, o ideal é que as janelas se mantenham sempre abertas e todos no veículo estejam de máscara o tempo todo. As crianças devem se sentar com ao menos 1,5 m de distância entre elas, e evitar conversar caso esse distanciamento não seja possível. Não deve ser permitido o transporte de nenhuma criança que esteja com sintomas de febre, gripe ou resfriado.

Como teremos restrição no número dos alunos e, inclusive, diferenciação no horário de entrada na escola para minimizar o contato, é possível que vans escolares sofram adaptações para uma menor carga de alunos transportados por vez, reduzindo o risco de contágio. O fornecimento do transporte para as crianças pelo governo deve ser mais bem avaliado.

Fonte: Marcelo Otsuka, pediatra, infectologista, vice-presidente do departamento de infectologia da SBP-SP (Sociedade de Pediatria de São Paulo) e coordenador do comitê de infectologia pediátrica da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia) e Angela Carvalho Freitas, infectologista e pesquisadora clínica do departamento de moléstias infecciosas e parasitárias do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

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