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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Endometriose pode afetar gravidez? Conheça principais sintomas e tratamento

Endometriose pode causar dores profundas; veja sintomas e tratamento - iStock
Endometriose pode causar dores profundas; veja sintomas e tratamento Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para VivaBem

21/03/2022 04h00

Muita dor durante e entre os ciclos menstruais, ou ao evacuar e urinar ou nas relações sexuais: a origem de tanto desconforto pode ser a reação inflamatória crônica que a endometriose causa. Definida como a presença de células do tecido que reveste o útero fora dele, essa enfermidade pode levar até 7 anos para ser diagnosticada.

Considerada a segunda doença ginecológica mais frequente entre as mulheres, ela afeta de 10% a 15% delas durante a idade reprodutiva, e pode aparecer já na adolescência. As causas da doença não estão totalmente esclarecidas, mas existem evidências de que ela decorra de fatores ambientais e genéticos, entre outros.

A endometriose é considerada uma doença crônica progressiva, portanto, não tem cura. Essa é a razão pela qual os especialistas afirmam que, quanto mais cedo for feito o diagnóstico e o tratamento, maiores são as chances de controle da doença. As estratégias terapêuticas se fundamentam em medicamentos, mudanças no estilo de vida e cirurgia, e têm taxas elevadas de solução do problema.

Endometriose: sintomas, causas, tratamento e mais

O que é endometriose?

Ela é definida como uma enfermidade de origem inflamatória provocada por células do endométrio (o tecido que reveste o útero) que, em vez de serem expelidas no período menstrual, movimentam-se no sentido contrário, ou seja, para fora do útero, caem nos ovários ou na cavidade abdominal, e podem causar sangramento e dor, além de dificuldade para engravidar.

Sintomas da endometriose

Eles variam de pessoa a pessoa, e podem até não se manifestar (são assintomáticos). Quando eles estão presentes, os principais são dor pélvica crônica e redução da fertilidade, mas também podem ser observados os seguintes quadros:

  • Dor durante e entre as menstruações
  • Dor pélvica crônica
  • Dor durante as relações sexuais
  • Dor ao evacuar
  • Dor ao urinar
  • Dor nas pernas, costas e peito
  • Cansaço
  • Depressão ou ansiedade
  • Náusea e inchaço abdominal
  • Dificuldade para engravidar

Causas da endometriose

Até o momento, a origem dessa doença não está totalmente esclarecida, mas existem hipóteses de que ela se relaciona a vários fatores ambientais (como o estresse) e genética, bem como parece decorrer das seguintes condições:

  • Refluxo da menstruação (menstruação retrógrada): a mulher menstrua e o sangue reflui pela cavidade abdominal
  • Presença de alterações imunológicas

Engordar pode ser considerado um sintoma da doença?

De acordo com a ginecologista e obstetra Fernanda Schier de Fraga, professora da Escola de Medicina da PUC-PR, engordar não é um sintoma característico da endometriose.

"Apesar disso, a inflamação na região do abdome pode levar ao estufamento local, o que é, por vezes, interpretado como aumento da circunferência abdominal", conclui a especialista.

Existem diferentes tipos de endometriose?

Sim. "Quando a doença está mais avançada, ela pode se infiltrar profundamente nos ovários, no intestino e até na bexiga, o que leva a sintomas mais graves, como sangramento intestinal, urinário e até obstrução intestinal", diz Juliane Dornelas, mestre e doutora em ginecologia pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba).

Nessas situações, a endometriose será classificada de acordo com as regiões nas quais o tecido avançou. Confira:

  • Adenomiose - invasão do músculo do útero;
  • Endometrioma - acometimento do ovário;
  • Endometriose profunda - a parte mais afetada é o intestino, bexiga e ligamentos do assoalho pélvico.

Pode engravidar com endometriose?

Sim. Apesar disso, a dificuldade para engravidar pode estar presente e se relaciona a alterações anatômicas decorrentes das aderências típicas da enfermidade e da inflamação que ela causa na cavidade abdominal.

A boa notícia é que, em 50% a 70% dos casos, é possível engravidar espontaneamente (a chance de precisar de ajuda médica para esse fim é de 30% a 50%, especialmente nos quadros de doença avançada). Nessas situações, as opções são a reprodução assistida ou a cirurgia.

Como é feito o diagnóstico de endometriose?

Na hora da consulta, o médico irá ouvir a sua queixa, levantará seu histórico de saúde e fará o exame ginecológico. Boa parte dos especialistas afirma que é possível fazer o diagnóstico apenas com esses dados porque os sintomas da endometriose são bastante característicos e, portanto, ele seria clínico.

Já outros profissionais acreditam que esses dados não são suficientes e que exames de imagem podem ser grandes aliados. Nesse casos, eles solicitam um mapeamento de endometriose, o que se faz por meio de ultrassom transvaginal especializado (não é o mesmo exame de rotina) e a ressonância magnética da pelve.

Como é o tratamento da endometriose?

Ele é personalizado e se fundamenta em três pilares: medicamentos, mudanças no estilo de vida (atividade física e dietas) e cirurgia.

Como a endometriose é uma doença crônica, isto é, não tem cura, o objetivo do tratamento clínico medicamentoso visa controlar a sua progressão, aliviando a dor pélvica a ela associada. Ele é considerado eficaz, com taxas de sucesso de 80% e 100% de melhora, além de períodos sem manifestação de sintoma (por até 2 anos). Para esse fim, poderão ser indicados os seguintes fármacos:

  • Analgésicos
  • Progestogênios
  • Contraceptivos orais combinados
  • Gestrinona
  • Danazol
  • Agonistas do GnRH
  • Psicoterapia, fisioterapia e acompanhamento nutricional (dieta com abundância de alimentos anti-inflamatórios), também podem ser úteis.

"Vale ressaltar que o tratamento de endometriose varia de acordo com a intensidade e a intenção de engravidar. Para casais que desejam ter filhos, a cirurgia costuma ser a melhor indicação, pois evidências apontam melhora na fertilidade. A opção mais comum é não tratar a endometriose e, sim, utilizar algum método de reprodução assistida, como a fertilização in vitro", considera Michele Panzan, especialista da Huntington Medicina Reprodutiva, clínica referência em reprodução assistida.

"Como cada caso tem um desenvolvimento diferente, é essencial procurar um especialista em reprodução assistida e ver qual a melhor opção."

Quando a cirurgia é indicada?

Para um terço das pacientes, o tratamento com medicamentos não leva ao resultado esperado e/ou apresenta efeitos adversos que atrapalham a qualidade de vida. Para estas, a cirurgia será a melhor opção de tratamento, que também é indicada nas seguintes situações:

  • Quadros graves - com comprometimento do funcionamento do intestino, das vias urinárias (especialmente com risco de estenose) ou cisto volumoso (cisto maior que 8 cm), ainda que não haja queixa de dor;
  • Dor intensa - dismenorreia, dispareunia, disquesia, disuria, dor lombar ou dor pélvica crônica.
  • Dificuldade para engravidar - em pacientes não graves

O que esperar da cirurgia de endometriose?

O procedimento deve ser realizado em ambiente hospitalar e é preferível optar por técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia. A anestesia utilizada é a do tipo geral.

A prática promove a retirara completa das lesões com menor risco de traumas nos tecidos circundantes e, por vezes, requer o auxílio de outros especialistas como urologistas e coloproctologistas.

Na maioria das vezes, a paciente pode voltar às atividades após 15 dias (a depender de sua profissão).

Endometriose pode voltar após a cirurgia?

Sim. O objetivo da intervenção cirúrgica é a retomada da qualidade de vida com a ausência de cólica e dores durante a relação sexual. Na maioria dos casos, o resultado é satisfatório. Mas existe a possibilidade de que a doença volte no futuro.

Endometriose tem cura?

Não. A endometriose é uma doença crônica progressiva. Por isso, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores são as chances de controle dos sintomas e da doença.

Fontes

Fernanda Schier de Fraga, médica ginecologia, obstetra e professora da Escola de Medicina da PUC-PR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná); Juliane Dornelas, mestre e doutora em ginecologia pela UFPB (Universidade Federal da Paraíba) e coordenadora da laparoscopia do Hospital Universitário Lauro Wanderlei, da UFPB, que integra a rede Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares); Michele Panzan, especialista da Huntington Medicina Reprodutiva, clínica referência em reprodução assistida no Brasil. Revisão médica: Fernanda Schier de Fraga.

Referências: Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia); OMS (Organização Mundial da Saúde); Silva, Julio C. R et al. Endometriose Aspectos clínicos do diagnóstico ao tratamento. Femina, São Paulo, Vol. 49, número 3, p. 134-140, 2021; Tsamantioti ES, Mahdy H. Endometriosis. [Atualizado em 2022 Feb 19]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2022 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK567777/.

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