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Entenda o que são e quais são os chamados "superalimentos"

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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física modalidade em saúde pela UNIFESP (Universidade Federal de São Paulo), mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício) e doutoranda em nutrição pela UNIFESP. É autora do Livro Kilorias - Faça do #projetoverão seu estilo de vida (Editora Benvirá). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre obesidade, e tem um canal de desafios (30 Dias com Paola Machado) onde testa a teoria na prática. Também é fundadora do aplicativo 12 semanas. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

03/07/2020 04h00

Todos nós já ouvimos falar em alimentos funcionais e todos os seus benefícios, porém, mais recentemente outro termo foi introduzido para descrever alimentos com benefícios adicionais para a saúde: "superalimentos" ou "superfoods", embora muito ainda necessite ser estudado, inclusive com relação as quantidades recomendadas.

Porém temos uma informação que é consensual: estes alimentos são ricos compostos bioativos e atuam como potenciais agentes de prevenção e complementam os tratamentos de doenças crônicas como síndrome metabólica, diabetes, hipertensão, inflamações, autoimunes entre outras.

Muitos são os alimentos com esta classificação e a partir de agora iniciaremos uma série em que falaremos com você semanalmente sobre alguns destes alimentos: brotos, frutas vermelhas (berries), cúrcuma, chá verde, espirulina, alho, gengibre, cacau e pólen de abelha.

Esta nova demanda traduz com exatidão a interação entre ciência, tecnologia e culinária/alimentação, reforçando que ao consumirmos estes alimentos devemos estar cientes sobre a melhor forma de preparo e a segurança sobre seu consumo e dose, sempre mantendo a qualidade organoléptica e nutricional.

Embora não existam diretrizes oficiais para o que constitui um "superalimento", geralmente esta denominação se aplica a produtos alimentícios que contêm grandes quantidades de nutrientes específicos (por exemplo, antioxidantes, vitaminas e minerais). Devemos deixar claro, portanto, que os reais benefícios só serão potencialmente percebidos ao associarmos o seu consumo a um estilo de vida saudável e sustentável.

Vamos falar brevemente sobre algumas características nutricionais de alguns destes superalimentos:

Berries - iStock - iStock
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Berries: Alimentos com elevado teor de fibra alimentar, são naturalmente doces e suas cores significam que são ricos em antioxidantes e nutrientes que combatem doenças. São sazonais e por vezes de custo elevado, podendo ser consumidos em associação com outros destes alimentos, mais acessíveis física e financeiramente.

Peixe "gordos" (salmão, atum, sardinha) - ricos em ômega 3: Só apresentam estas características dependendo de sua procedência, porém, além dos peixes, conseguimos obter o ômega —ácido graxo poli-insaturado— de outras fontes alimentares como a linhaça, por exemplo. Oleaginosas como avelãs, nozes, amêndoas, castanhas e macadâmia são consideradas razoáveis fontes de proteína vegetal; possuem também gorduras monoinsaturadas, que podem ser um fator na redução do risco de doença cardíaca.

Azeite 2 - iStock - iStock
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Azeite: Excelente fonte alimentar de vitamina E, polifenóis e ácidos graxos monoinsaturados, tudo o que ajuda a reduzir o risco de doença cardíaca.

Grãos integrais: Concentram boa quantidade de fibras alimentares solúveis e insolúveis, além de serem boas fontes de vitaminas do complexo B e fitonutrientes, o que favorece a redução no risco cardiovascular, promoção de saciedade e melhora na flora intestinal.

Iogurtes: Fornecem proteína de bom valor nutricional e cálcio de forma disponível, desempenham melhores benefícios quando tem culturas vivas chamadas probióticos. Procure por iogurtes que tenham "culturas ativas vivas", como Lactobacillus, L. acidophilus, L. bulgaricus e S. thermophilus.

Vegetais crucíferos: Como brócolis, couve de Bruxelas, couve, couve-flor, couve-rábano, mostarda, rabanete e nabo —além de serem ricos em fibras, como grande parte dos vegetais, possuem fitoquímicos, incluindo indóis e tiocianatos bastante estudados na prevenção de alguns tipos de câncer.

Perceba que não é muito complexo introduzir estes alimentos em nossa dieta habitual, eles já estão bastante próximos e conhecidos —basta conhecimento sobre a forma de preparo, como utilizar e as quantidades recomendadas por isto, fique de olho em nossa série.

*Colaboração da nutricionista comportamental e clínica na clínica 12 semanas Dra. Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:

- Driessche, J.J.VD; Plat, J; Mensink, R.P. Effects of superfoods on risk factors of metabolic syndrome: a systematic review of human intervention trials. Food Funct. 2018 Apr 25;9(4):1944-1966.

- Perisé, R; Ríos, G.S. Essay on Health, Nutrition and Gastronomy. Nutr Hosp. 2018 Jun 12;35(Spec No4):52-55.

- Oude Groeniger J, van Lenthe FJ, Beenackers MA, Kamphuis CB. Does social distinction contribute to socioeconomic inequalities in diet: the case of 'superfoods' consumption. Int J Behav Nutr Phys Act. 2017;14(1):40. Published 2017 Mar 27. doi:10.1186/s12966-017-0495-x

- https://www.health.harvard.edu/blog/10-superfoods-to-boost-a-healthy-diet-2018082914463