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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Tabagismo ainda é o principal fator de risco para o câncer de pulmão

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Imagem: Getty Images
Fernando Maluf

Diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

Colaboração ao VivaBem

16/08/2021 04h00

Estamos nos aproximando do Dia Nacional de Combate ao Fumo, em 29 de agosto, mês de conscientização sobre o câncer de pulmão, tipo de tumor que causa quase 30 mil óbitos por ano no Brasil. É a neoplasia maligna mais comum no mundo, com mais de dois milhões de casos novos por ano, e com uma mortalidade alta.

O tabagismo e a exposição passiva ao tabaco são importantes fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão. Cerca de 80% dos casos diagnosticados estão associados ao consumo de cigarro e seus derivados, segundo o Instituto Nacional de Câncer - INCA.

O fumo tem relação com aproximadamente 50 enfermidades, desde vários tipos de câncer (além do pulmão, tumores de laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga), doenças cardiovasculares e do sistema respiratório, impotência sexual no homem; infertilidade na mulher e complicações na gravidez. Estima-se que o tabagismo seja responsável por 162 mil mortes de brasileiros a cada ano.

O Observatório de Oncologia analisou os dados do Registro Hospitalar de Câncer, de 2014 a 2018, e traçou um breve perfil dos casos de câncer de pulmão no país. Os homens representam 57% dos pacientes. A faixa etária mais atingida (34%) é dos 60 a 69 anos. 86% dos pacientes foram diagnosticados em estágios avançados (estadios III e IV). São informações preciosas, que evidenciam as necessidades de avanços políticas públicas, prevenção e infraestrutura de saúde para melhores desfechos para estes pacientes.

As informações apresentadas acima traçam um quadro de atenção aos homens, mas é entre as mulheres que o tabagismo resiste a ceder. Existe um espaço muito grande para prevenção, e reforçar os alertas claros e objetivos sobre os diversos prejuízos à saúde, aliado a estratégias econômicas e políticas, continuará a ter um resultado efetivo. Outro objetivo essencial é manter os jovens longe do consumo do tabaco em suas mais diversas formas, desde o cigarro comum até o narguilé.

As ações adotadas nos últimos anos no Brasil conseguiram diminuir a aceitação social do tabagismo. Assim, é fundamental um trabalho de conscientização sobre os efeitos nocivos do consumo do tabaco, bem como um melhor acesso ao tratamento do fumante, que deveria ter um caráter multidisciplinar.

Neste ponto, vale destacar que, entre os fatores de risco para o câncer de pulmão, o mais importante é o tabagismo. Ele não é o único, no entanto. Poluição e fatores hereditários também fazem parte da lista.

Por isso, aos pacientes que receberam o diagnóstico, é muito importante entender que há diferentes tipos da doença. Hoje, com os avanços da Medicina e da tecnologia, é possível realizar uma análise mais minuciosa do tumor, microscópica e molecular, revelando como as células doentes se comportam de forma diferente em cada pessoa. Essas características, também, fazem com que as opções de tratamento sejam diferenciadas.

O câncer de pulmão, hoje, tem "nome e sobrenome". Conhecer os detalhes da doença permite um tratamento mais personalizado e com mais chances de sucesso.

Fernando Maluf é diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

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