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Taise Spolti

Você conhece a Alimentação Minimalista? Conheça e aprenda passos simples

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Taise Spolti

Formada em educação e em nutrição, Taise Spolti é ex-fisiculturista e participou do programa Masterchef, da Band. Em sua coluna, traz receitas que aliam ingredientes saudáveis à gastronomia, além de mostrar como a alimentação equilibrada, a prática de exercícios e outros bons hábitos são essenciais para trilhar o caminho da saúde e do bem-estar físico e mental.

Colunista do UOL

26/06/2022 09h56

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O conceito de alimentação minimalista é bem simples de entender: alimentação necessária, sem exageros. Se na vida do dia a dia, o minimalismo vem tomando conta, na alimentação isso não seria diferente. No final da matéria, vamos ver excelentes dicas de como ter alimentação minimalista em casa.

O minimalismo é um movimento crescente no comportamento moderno, principalmente porque permite manter conceitos antagônicos unidos, como luxo e minimalismo. Viver consciente, viver com o essencial.

Seja na vestimenta, na moda, no ambiente, na arquitetura, o minimalismo se faz presente. Ele coloca à prova o que conhecemos como sendo o "essencial", ou o "menos é mais", em que poucas coisas se tornam indispensáveis pois desempenham o papel múltiplo, sendo assim, precisamos de menos para suprir todas as necessidades que temos.

Em um ambiente minimalista, podemos reconhecer que o conceito é de menos distração, quem o projetou e idealizou defende que a mente necessita de menos distrações para que não divague no vazio, mas sim, ampliando criatividade e concentração.

Em uma casa minimalista, observamos materiais mais ricos, que mantém a clareza da mensagem que queriam mostrar, sem depender de itens carregados em informações para decoração. Uma casa em que vive uma pessoa minimalista é cheia de vida, cheia de movimento.

Esse movimento minimalista não está apenas no estilo, na roupa, na casa, mas pode estar presente na alimentação também, e é sobre isso que vamos conversar.

Sabemos que hoje, principalmente por causa da pandemia que aflorou a necessidade e vontade da sociedade em buscar informações sobre saúde, temos em nossas mãos o acesso a toda e qualquer informação que desejarmos. Sendo leigos, essas informações podem confundir — podem não, confundem de fato, pois acarreta em um comportamento soberbo entre quem não é da área da saúde e o profissional de fato.

Quem aí nunca observou pessoas em mesa de restaurante ou na mesinha do bar discutindo qual a melhor dieta, qual suplemento deu mais certo, por que fulano ou ciclano não está tendo resultados na sua empreitada com emagrecimento, ou dos motivos pelos quais todo mundo ali deveria estar tomando tal chá? Conversas que não têm um consenso final, ou certo e errado, mas que envolvem vidas diferentes com desfechos diferentes, e que na grande maioria das vezes dá problema no final. Pois são leigos, discutindo com leigos, e orientando leigos.

É um somatório de estratégias e práticas que acabam se tornando uma bagunça.

Assim como na decoração, no ambiente de trabalho, o minimalismo vem ganhando espaço na alimentação por muitos motivos, e um deles é o que eu acabei de citar: a bagunça. A alimentação das pessoas se tornou uma bagunça, cheia de informações pela metade sendo aplicadas pelos motivos errados em pessoas que talvez não deveriam estar fazendo tais práticas. A alimentação está cheia de informação, seja na contagem de calorias, contagem de pontos, tipos de dietas, nutrientes nomeados a salvadores da saúde publica, alimentos capazes de curar doenças, ou então uma mistura de alimentos e suplementos que o corpo não consegue dar conta de tudo. A verdade é que a grande parte da sociedade não sabe mais quem ouvir, que informações devem ser levadas em consideração, quem está falando a verdade ou quem está apenas querendo vender um curso online de emagrecimento.

Mas outro motivo, que vai além desta bagunça, é a interação das nossas práticas de vida com o ambiente que vivemos, todas as nossas ações resultam em uma resposta grandiosa na natureza. E chegamos a um momento crucial de luta pela preservação do nosso meio ambiente, pois a natureza já dá sinais de alerta, e assim o ser humano vem buscando práticas mais sustentáveis, que passam pela criação, plantio, colheita, preservação, enfim.

Mas tudo dependerá do comportamento da sociedade, e aqui entra o minimalismo: alimentação com o que é necessário, sem mais, nem menos.

Alimentação não é apenas calorias, curar doenças ou desenhar o físico para o magro, o bonito ou outro padrão, a alimentação é puramente nossa interação de vida dependente de todo um sistema e cadeia de ações e reações que interagem entre si.

Um sistema minimalista é, então, visualizar que a nossa alimentação pode ser mais clean, limpa, simples, essencialmente capaz de manter-nos vivos, prevenindo doenças, como deveria ser. A alimentação é a manutenção da vida, mas quando há desequilíbrio, há a doença, tanto do nosso corpo quanto do sistema, que é o que vemos, a natureza adoecendo e as práticas de produção tendo que se redesenhar para evitar maiores problemas no futuro.

A alimentação minimalista não é apenas comer pouco, é comer o suficiente, mas não em calorias, e sim em nutrientes, nem demais nem de menos.

Na pratica, poderíamos ver a alimentação minimalista em situações bem simples de serem colocadas no nosso dia a dia:

Sirva-se pouco: em geral, nos servimos muito além do que deveríamos, e ao chegarmos no estado de saciedade, continuamos comendo pois queremos evitar desperdício. De fato, um dos problemas atuais da sociedade é o desperdício de alimentos, enquanto milhões passam fome, outros milhões de alimentos são desperdiçados. Na visão de alimentação balanceada e saudável, servir-se pouco ajuda não somente na redução do desperdício, como também auxilia no controle de comida que estamos comendo, sem exageros, mas apenas o suficiente.

Faça menos estoque: tenha em casa o essencial, procure ter na geladeira e nos seus armários da cozinha o mínimo e essencial, itens saudáveis que podem ser facilmente recolocados ali caso faltar, como alimentos puros da feira. Troque as embalagens e produtos embalados em plásticos pelo alimento natural. Para que isso se torne um hábito, inicialmente você terá que ter um plano de alimentação para você e toda a família, onde saberiam o que será preparado diariamente, de forma prévia, sendo assim todos saberiam o que é necessário ter em casa para fazer o feijão que será feito na segunda, o frango ensopado de terça, a polenta com carne refogada de quarta e assim por diante.

Movimente-se: faça mais idas à feira, mais idas ao mercado. O conceito de ir poucas vezes e fazer grandes estoques vai, aos poucos, diminuindo na cultura brasileira. Ir ao mercado de uma a duas vezes ao mês e comprar inúmeros produtos que ficarão parados na despensa durante os próximos trinta dias, é um sinal de consumismo que precisa ser reduzido. Você acaba comprando muitas coisas que não deveria, gasta mais dinheiro do que precisa, não aproveita ofertas que aparecem ao longo dos dias da semana, compra alimentos que possuem prazo de validade muito alto (sendo assim, ultraprocessados e cheios de conservantes), e ao longo do mês fica preso ao consumo daquilo que está armazenado no armário, impossibilitando de usar a criatividade com novas opções. É por estes motivos que muitas pessoas evitam comprar legumes, vegetais e frutas, acredite se quiser, pois são os alimentos que estragam mais rápido, e isso acaba se tornando desperdício de dinheiro daquele montante que foi investido na ida ao supermercado para fazer o 'rancho' do mês. Dica: vá uma a duas vezes por semana para as compras, fracione os alimentos pelos dias de ofertas, compre o necessário para dois a três dias, reserve seu dinheiro para momentos especiais e quando quiser comprar algo, vá e compre, não deixe estocado. Parece difícil demais, mas dentro desse conceito minimalista, isso poderá ajudar não somente no financeiro e você acaba economizando mais, mas também come o essencial, se alimenta de forma mais limpa e fresca, menos inflamatória, menos maléfica a saúde.

Reaproveite: evite ao máximo jogar fora partes importantes do alimento, como sementes, cascas, caules, folhas. Existem receitas fáceis de serem colocadas no seu dia a dia que usam partes do alimento que antes seriam jogadas fora, causando desperdício. Esse conta-gotas de alimentos sendo jogados fora, acaba sendo dinheiro jogado fora, e nutrientes também, muitos destes nutrientes que você acaba tendo que comprar em cápsulas por que não consegue consumir na alimentação, mas sem perceber está jogando fora na lixeira da casa. Práticas sustentáveis são também realizadas dentro da sua casa, não apenas em grandes indústrias. Caso não vá utilizar, ao menos use como adubo, dê outro fim a quantidade de alimentos que joga fora. Realizando a etapa citada antes dessa, ao comprar menos e fazer menos estoque, a probabilidade de você reduzir o seu lixo já é bem maior.

Se esse assunto é novo para você, pode anotar, com o passar dos meses esse assunto vai ser bem debatido, e com o tempo, será cada vez mais aplicado por pessoas ao nosso redor. O que espero é que a informação seja sempre uma forma de simplificar a vida das pessoas em busca a saúde, e não o contrário, espero que tenham gostado e me contem o que acharam no meu Instagram, vamos falar sobre alimentação minimalista por lá também? Aguardo vocês.