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5 vezes em que a cantora Iza foi rainha além do Carnaval

Iza desfilou como Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense no Rio de Janeiro no primeiro dia de Carnaval (22)  - Júlio César Guimarães/UOL
Iza desfilou como Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense no Rio de Janeiro no primeiro dia de Carnaval (22) Imagem: Júlio César Guimarães/UOL

Rafaela Polo

de Universa, São Paulo

23/04/2022 16h35

Ela entra na roda e ginga, mas não foge da luta. Iza passou pela passarela do samba do Rio de Janeiro na sexta-feira (22) como Rainha de Bateria da Imperatriz Leopoldinense. E assim como ela faz nos palcos, deu um show. Mas como as fantasias carnavalescas mostram tudo, assim como muitas mulheres, ela precisou lidar com boatos sobre o seu corpo.

Em entrevista ao jornal O Globo, a cantora quis deixar claro que não estava grávida, apenas que tinha engordado. "Gravidez é só boato, deixa a mulher engordar em paz", disse ela na entrevista. Iza vem defendendo as mulheres e a comunidade negra há muito tempo.

Universa stalkeou a vida da cantora e descobriu outras cinco situações onde ela foi rainha sem precisar estar na avenida.

Luta antirracista

Não é preciso navegar muito pelas redes sociais da cantora, principalmente em seu Instagram, para ver que ela frequentemente se posiciona contra o racismo e violência contra as pessoas pretas. Quando o congolês Moïse Kabagambe foi assassinado no Rio de Janeiro, ela disse em seu Instagram:

"É inacreditável quantos de nós morrem todos os dias e mais inacreditável ainda é a sensação de viver num mundo que parece estar acostumado com essa barbárie e não se choca mais com a tortura de mais um jovem negro"

"Amarrado, espancado até a morte. Faltam palavras? E falta ânimo também, não vou mentir. Porque dia após dia um de nós se vai e quem tira nossa vida segue trabalhando no seu quiosque", publicou na legenda da foto em que pedia justiça.

Violência contra a mulher

Assim como todas nós mulheres, a cantora também fica indignada quando mais um crime de feminicídio é anunciado no país. Em seu Instagram, em uma foto em que defendia "meter a colher" em briga de marido e mulher, ela reforçou que é inacreditável como sempre a culpa cai sobre a vítima. "É impressionante ver como o agressor sempre tenta descredibilizar a vítima a chamando de louca ou tenta desesperadamente procurar argumentos que funcionem como justificativas para algo que é criminoso e injustificável", publicou.

Beleza da mulher preta

Por mais que os padrões estejam mudando, não é preciso voltar muito no tempo para uma época onde não existiam produtos próprios para os cuidados dos cabelos crespos e mulheres se viam obrigadas a fazer alisamentos para encaixarem-se em um padrão. Em sua entrevista para a capa da "Allure", revista americana de beleza, Iza relembrou os tempos em que queria ter o cabelo alisado —aos 12 anos porque não aguentava mais o bullying na escola— e quando decidiu voltar a usar o cabelo em sua forma natural.

"As mulheres negras foram atacadas por seus cabelos naturais porque ele era visto como sujo, danificando, nos colocando sempre em alvo de piadas racistas e de tudo o que há de ruim. Mas mantivemos o nosso cabelo assim, mesmo sabendo que o nosso chefe diria que ele era inapropriado e com medo de nossos namorados não nos acharem mais bonitas. Era uma decisão política, como dizer: 'vou usar natural mesmo e não me importo com o que você pensa'. Esse foi o primeiro momento de resistência e muito necessário", falou Iza na entrevista.

No papo, ela ainda reforçou que é importante espalhar por todo mundo que a mulher negra é livre para fazer o que quiser com o cabelo.

Educação

Em 2021, a cantora entrou na lista dos Líderes da Próxima Geração da revista americana "Time". Em sua entrevista, ela falou sobre como é importante usar a voz que ela tem sendo famosa a favor da educação. "Acredito que o nosso microfone é uma arma que precisa ser usada com sabedoria. Não só para realizar nossos sonhos, pagar nossas contas e fazer as pessoas dançarem. Mas também para fazê-las aprender", disse.

Inspiração para o povo preto

Ainda na conversa que teve com a "Time", a cantora deixou claro que dentro de casa ela sempre teve o incentivo para ser o que quisesse —e assim como disse para a "Allure", é uma mulher negra com diploma, algo raro no Brasil. Mas mesmo com esse apoio familiar, não havia outros estímulos para ela acreditar que isso era verdade.

"Minha mãe sempre me ensinou que eu poderia ser o que quisesse, mas infelizmente a gente não tem o estímulo visual necessário para acreditar e entender que podemos ser médicos, ter um phD ou dirigir um filme, se quisermos. Essa é a realidade das pessoas pretas no mundo. A gente tem que se ajudar, se falar e inspirar uns aos outros", disse.