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Um olhar diferente sobre o que bomba nas redes sociais


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Última entrevista de Elis Regina é lição sobre cancelamento; entenda

Monique Evelle diz ser "cancelada desde 1994" - Reprodução/Instagram
Monique Evelle diz ser "cancelada desde 1994" Imagem: Reprodução/Instagram

De Universa, em São Paulo

21/02/2021 12h25

"Eu fiz o que pude. Se desagradei alguém, lamento. Talvez eu esteja vendo o mundo por um prisma errado".

A frase é de Elis Regina, em entrevista ao programa Jogo da Verdade, da TV Cultura, a última antes de morrer, em 1982. Apesar de ter quase quatro décadas, a afirmação soa atual em 2021 — é o que acredita a jornalista e ativista Monique Evelle, que diz já ter sido cancelada diversas vezes e publicou nesta semana, no Instagram, trecho em que Elis faz essa fala.

"Numa era do cancelamento, eu, sendo uma mulher preta, já nasci cancelada. A sociedade e não permite erros nem acertos, porque quando uma única mulher negra erra, colocam o erro em todas mulheres negras. Nossa subjetividade é negada", acredita.

"As pessoas me cancelam o tempo todo. Mas sou uma mulher negra, a sociedade já me cancelou porque não me dá chance de errar", afirma.

"Quando vi esse vídeo da Elis Regina, pensei: 'é sobre isso'. Quando eu falo, estou falando sob a minha ótica, que pode coincidir com a ótica coletiva ou não. Então a única coisa que eu posso fazer ao ser cancelada, por qualquer motivo, é dizer 'desculpe, talvez eu esteja vendo o mundo por um prisma errado'".

Monique acredita que a cultura do cancelamento é fruto de "pessoas que redes sociais para alvos específicos. Mas os alvos são pessoas também".

Elis Regina cancelada?

Uma das personalidades mais canceladas neste momento é a cantora Karol Conká, acusada de praticar tortura psicológica e xenofobia no Big Brother Brasil; a situação respingou também no humorista Nego Di e no rapper Projota, por serem próximos de Karol e compactuarem com suas ações. Se vivesse hoje, Elis Regina possivelmente também lidaria com o cancelamento.

A cantora viveu episódios controversos: entre os mais marcantes estão uma apresentação em que cantou o hino nacional para militares durante a Ditadura, e o uso de drogas.

Além disso, pelo menos duas de suas músicas falam de violência contra a mulher — em "Altos e Baixos" ela canta uma mulher sendo agredida e em "Atrás da Porta" narra a história de uma mulher submissa ao marido. Uma terceira, o samba "Da Cor do Pecado", associa a pele negra ao sexo.

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