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Travesti Dandara, morta brutalmente em 2017, dará nome a rua em Fortaleza

Dandara dos Santos, assassinada brutalmente em 2017 - Reprodução/Facebook
Dandara dos Santos, assassinada brutalmente em 2017 Imagem: Reprodução/Facebook

Daniel Rocha

Colaboração para Universa, em Fortaleza

10/12/2020 15h05

A cidade de Fortaleza terá pela primeira vez uma rua com um nome de uma travesti. O projeto-lei já foi aprovado pela Câmara dos Vereadores do município, mas aguarda assinatura do presidente da Casa que deve ocorrer ainda hoje, no Dia Internacional dos Direitos Humanos. A mudança é uma homenagem à travesti Dandara dos Santos, que foi assassinada brutalmente em 2017, no bairro Bom Jardim, região periférica da capital cearense.

De acordo com o verador Ronivaldo Maia (PT), a via a ser renomeada é a Manoel Galdino, no trecho onde Dandara foi assassinada. "É a rua onde começou os espancamentos e onde ela foi morta", destacou o autor do projeto.

A rua possui uma extensão de cerca de cinco quilômetros, mas apenas um trecho será renomeado como Dandara Ketley, nome social que ela usava.

Embora o projeto seja de autoria do vereador, a ideia da homenagem partiu da amiga de infância de Dandara e inspetora da Polícia Civil do Ceará, Vitória Holanda. Em entrevista a Universa, ela afirmou que não havia nenhuma rua no Ceará com um nome de uma travesti. Por isso, buscou meios para oficializar a homenagem e manter a memória de Dandara dos Santos.

"Para mim, é um marco histórico não só pela comunidade trans como também em memória a Dandara dos Santos. Então, procurei um representante na Câmara que pudesse propor como projeto de lei, porque se fosse por uma ação civil demoraria muito mais tempo", disse.

Vitória acrescentou ainda que, além da homenagem, a aprovação do projeto de lei é um passo grande para o combate à transfobia, não só em Fortaleza quanto em todo o país. "Essa simbologia tem uma representatividade gigantesca. Uma rua em homenagem a uma travesti traz algo material. As pessoas que tiveram lá (no local do crime), viram e não fizeram nada para ajudar Dandara vão ter que conviver com o nome dela. A população precisa saber que as pessoas trans merecem ser tratadas como seres humanos e têm direitos."

Relembre o caso

O crime aconteceu no mês de fevereiro de 2017, no bairro Bom Jardim, região periférica de Fortaleza, e ganhou repercussão após o vídeo das agressões circular nas redes sociais. Dandara dos Santos, de 42 anos, foi espancada e alvejada com dois tiros de arma de fogo além de ter sido atingida com uma pedra na cabeça. Toda ação aconteceu no meio da rua.

Doze pessoas foram apontadas como participantes do assassinato. Desse total, cinco foram condenadas a até 21 anos de prisão durante julgamento em abril de 2018.

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