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Elas apostam em calcinha absorvente, crescem 30% e querer ser líder global

Emily Ewell (esq.) e Maria Eduarda Camargo, da Pantys - Arquivo pessoal
Emily Ewell (esq.) e Maria Eduarda Camargo, da Pantys Imagem: Arquivo pessoal

Andressa Rovani

De Universa

05/08/2020 14h00Atualizada em 05/08/2020 20h13

Em tempos que exaltam o feminismo e a sustentabilidade, um produto íntimo tem buscado reabilitar a relação das mulheres com a menstruação: a calcinha absorvente. Atentas a esse movimento, duas empreendedoras decidiram investir, em 2018, em uma peça que conseguisse reter o fluxo por horas, fosse reutilizável e oferecesse conforto e estilo.

Na semana em que completa três anos, a Pantys, fundada no interior de São Paulo por Maria Eduarda Camargo e Emily Ewell, anuncia que terá etiqueta de carbono zero em suas calcinhas. Também nesta semana, a Pantys, que divide o mercado com outras marcas como Herself e Korui, acompanhou a entrada de uma gigante do setor de lingerie nesse segmento. A Hope lançou na última segunda-feira três modelos com tecido biodegradável.

Para Maria Eduarda Camargo, o aumento da concorrência valida a relevância do produto no país. ""Isso nos fortalece ainda mais, por sermos líderes desse segmento no Brasil. Entendemos que é positivo que outras marcas estejam com esse olhar de abrir o mercado das calcinhas absorventes, pois acreditamos que é um produto que pode melhorar a vida das mulheres."

Os resultados da Pantys indicam o potencial de expansão do negócio. Nos primeiros dois anos, a empresa cresceu 350% e viu o modelo biquíni com tule nas laterais, para fluxo moderado, virar o carro-chefe das vendas. Durante a pandemia, as empresárias calculam uma expansão mensal de 30% ao mês e apostam na diversificação dos produtos e no investimento em tecnologia para continuar a crescer.

"Estamos caminhando para nos próximos anos sermos a maior e melhor marca global neste setor de calcinhas absorventes e sutiãs absorventes. Acreditamos que realmente temos como conquistar isso, pois temos muitas certificações", diz Emily. A mais recente é comprovação como primeira marca de calcinhas absorventes do mundo clinicamente testada.

"Para o futuro próximo, estamos preparando um site global, para conseguirmos atender mulheres de vários outros mercados, pois recebemos todos os dias contatos de mulheres dos Estados Unidos, da Europa, de vários outros países querendo comprar os nossos produtos", diz Emily. Em três anos, a empresa, que, além do e-commerce, oferta seus produtos em dois pontos de venda em São Paulo e na rede de drogarias Raia Drogasil, espera estar em ao menos mais um continente.

Aposta em novo comportamento da brasileira

calcinha - Divulgação - Divulgação
Calcinha da Pantys, modelo mais vendido da marca
Imagem: Divulgação

Não precisamos regredir muito no tempo para imaginar que calcinhas menstruais laváveis não teriam muito futuro num mundo de consumo, descarte e praticidade. Afinal, isso era coisa das nossas avós.

A oportunidade de negócio porém floresce num momento em que não só a sustentabilidade tem forte apelo. A relação da mulher com seu corpo, a busca por mais conhecimento do fluxo menstrual e a naturalização da menstruação são a base para empreendedoras que consigam vislumbrar como tirar proveito dessa tendência, que inclui também produtos como o copo de coleta do fluxo. Para Maria Eduarda, a forma como a menstruação é encarada pelas brasileiras foi o maior desafio da marca depois do lançamento. "É uma questão psicológica e cultural", afirma a empresária. "O grande desafio, que era enorme nos primeiros meses de Pantys, é quebrar o tabu."

Ela diz que a aposta em um produto disruptivo, desconhecido pelo mercado brasileiro, exigiu investimento também em comunicação e sensibilização da clientela sobre o tema. Além do reforço ao apelo sustentável do produto.

"Realmente, as nossas calcinhas absorventes são capazes de mudar a qualidade de vida das mulheres e atingir pessoas de todo o mundo, porque todas as mulheres têm hoje essa necessidade de ter acesso a produtos como esse", diz Maria Eduarda.

Aposta em tamanhos grandes e parcerias

O preço do produto -a peça mais simples custa R$ 55, em parceria com a Sempre Livre- ainda afasta parte das brasileiras da experiência. A calcinha mais cara custa R$ 105 e tem uma modelagem mais ampla, como um shorts, para fluxo noturno. Questionadas sobre os valores, as fundadoras da Pantys fazem contas e dizem que é preciso comparar o valor da calcinha com os gastos com absorventes descartáveis ao longo de dois anos.

"A calcinha Pantys e Sempre Livre é a mais barata no mundo inteiro. Esse era o nosso objetivo, além de comercializá-la também em farmácias, pois acreditamos que esse também é um passo importante para tornar o produto mais acessível", diz Maria Eduarda.

Hoje, 15% das consumidoras compram os tamanhos plus size (XGG e XXGG), indicando que a diversidade também pode aumentar o faturamento da empresa. "É um número muito significativo", diz Maria Eduarda, que promete lançamentos nos próximos meses para atingir maiores numerações.

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