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"Meninas sem banheiro em casa têm notas 25% menores no Enem"

Teresa Vernaglia traz dados sobre o impacto da falta de saneamento para mulheres em Universa Talks - Arte/UOL
Teresa Vernaglia traz dados sobre o impacto da falta de saneamento para mulheres em Universa Talks Imagem: Arte/UOL

De Universa

14/07/2020 10h30

Teresa Vernaglia, engenheira e CEO da BRK Ambiental, abre hoje o segundo painel de debates da segunda edição de Universa Talks, com o tema A Mulher no Mercado de Trabalho.

Em seu discurso, Teresa garante que entre os setores de infraestrutura, o de saneamento é o mais atrasado no Brasil, uma vez que metade da população não tem acesso ao serviço de esgotamento sanitário.

"Em pleno século XXI, a 'lata d'água na cabeça', dependendo da região, ainda é uma realidade. Doenças como a dengue e a chikungunya estão atreladas à falta de serviços básicos. Estive há algum tempo com a diretora de uma escola pública no Rio Grande do Sul que me explicou que, depois da chegada do saneamento, as crianças não estavam mais ficando doentes pelo 'mosquito da valeta', nome popular de uma infecção que costuma acometer crianças que brincam com esgoto a céu aberto", diz.

Mulheres são fortemente impactadas

A BRK Ambiental conduziu uma pesquisa com o objetivo de mensurar as consequências da falta de saneamento para as mulheres brasileiras, revelando dados importantes: 1,5 milhões de brasileiras não têm banheiro em casa — e a renda daquelas que não tem é 74% menor do que a das demais.

Além disso, mulheres em idade escolar podem ter seu futuro profissional comprometido pela falta de recursos. Meninas sem banheiro em casa têm notas 25% menores no Enem em comparação com as demais. Doze milhões de mulheres contam com um abastecimento intermitente, sendo 68% delas pardas ou negras. "A estimativa é de que o acesso à água e ao esgoto possa tirar 635 mil mulheres da linha de pobreza. Negras e jovens em sua maioria", aponta.

Urgência na pandemia

A CEO reforça que a pesquisa foi conduzida antes que a Covid-19 chegasse ao Brasil e que, diante do novo cenário, os desafios são ainda maiores. "Sendo o coronavírus uma crise sanitária que estava se aproximando do país, traçamos estratégias para enfrentá-la, principalmente através da ampliação do abastecimento", aponta. Teresa relembra que no mês de junho o Senado aprovou um novo marco regulatório no setor de saneamento básico, que tem o potencial de trazer 700 bilhões de reais em investimentos em água e esgoto até 2033. E reforça um dado da OMS: a cada real investido na área, economiza-se quatro em saúde.

Sua esperança, como executiva e mãe, é de que o Brasil pós Covid-19 seja capaz de atender às necessidades básicas da sua população. "Nossa ideia é de que o 'mosquito da valeta' fique no passado. E que um dia a lata d'água não passe de um utensilio doméstico."

Confira o evento na íntegra:

Continue acompanhando as palestras e debates do Universa Talks, dos dias 13 a 17 de julho, sempre às 10h30. Assista pela home do UOL, pelo Youtube, Twitter ou Facebook de Universa. Não é necessária inscrição.

Confira a programação completa do evento.