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Número de nascimentos nos EUA cai e pode ser mais afetado por coronavírus

Recém-nascido usa máscara de proteção no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília - Divulgação
Recém-nascido usa máscara de proteção no Hospital Regional da Asa Norte, em Brasília Imagem: Divulgação

De Universa

20/05/2020 12h39

O número de nascimentos nos Estados Unidos caiu em 2019, chegando à menor taxa do país em 35 anos, de acordo com informações do site da Associated Press. E essa redução pode ficar ainda maior, dizem especialistas, por conta da pandemia do novo coronavírus e de suas consequências na economia.

"Esse ambiente imprevisível e a ansiedade em relação ao futuro farão as mulheres pensarem duas vezes antes de ter filhos", disse Denise Jamieson, diretora de obstetrícia e ginecologia da Universidade Emory.

O atual declínio é mais um sinal de que os EUA passam por um "baby bust" — um período de redução de bebês em uma geração —, que vem ocorrendo há mais de uma década.

O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) constatou que o número de nascimentos caiu cerca de 1% em relação a 2018, para cerca de 3,7 milhões.

Os números mais recentes foram divulgados hoje. O relatório, que é considerado preliminar, é baseado em uma revisão de mais de 99% das certidões de nascimento emitidas no ano passado.

Os nascimentos nos EUA vêm caindo todos os anos desde 2007, quando uma recessão atingiu o país. A queda continuou mesmo depois que a economia se recuperou. A exceção foi o ano de 2014, que não registrou redução.

Outros destaques do relatório do CDC:

  • As taxas de nascimentos caíram no ano passado em quase todas as faixas etárias até 34 anos, mas aumentaram para as mulheres com 40 e poucos anos.
  • A taxa de natalidade entre 15 e 19 anos caiu 5% em relação a 2019. Ela vem caindo quase todos os anos desde 1991.
  • A taxa de cesarianas caiu para menos de 32%.
  • A porcentagem de bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação avançou pelo quinto ano consecutivo, para mais de 10%.

Especialistas dizem que há várias causas, mas as principais são mudanças de atitudes em relação à maternidade: muitas mulheres e casais postergam a gravidez e têm menos filhos assim que começam.

A economia é um fator, mas não por causa dos ciclos de curto prazo na contratação. Muitos empregos são mal remunerados e instáveis, e isso, aliado a aluguéis caros e outros fatores, levou mulheres e casais a serem muito mais cautelosos em ter filhos, disse John Santelli, professor de saúde da população e da família da Universidade Columbia.

Não está claro o que acontecerá com os nascimentos este ano, disse Brady Hamilton, principal autora do relatório do CDC. O impacto dos eventos dos últimos meses não será conhecido nas maternidades até o final deste ano ou no início do próximo, disse ele.

Santelli disse que é possível haver um aumento, pelo menos entre alguns grupos. O acesso a métodos contraceptivos e ao aborto tornou-se mais difícil, e alguns casais que vivem juntos podem ter mais oportunidades de engravidar, disse ele.

Na opinião de outros pesquisadores, porém, é mais provável que os nascimentos caiam.

A ideia de que haverá muitos "bebês corona" é "amplamente percebida como um mito", disse Hans-Peter Kohler, pesquisador de fertilidade da Universidade da Pensilvânia.

O debate entre a maioria dos demógrafos não é sobre se haverá um declínio, mas se será duradouro, disse ele.

"O declínio devido à covid-19 pode ser diferente, dada a extensão, a gravidade da crise e a incerteza duradoura que é causada por ela", afirmou Kohler.

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