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Quem a criadora do Baile da Arara, o mais cool do Carnaval do Rio

Malu Barretto é ex-executiva da indústria da beleza -
Malu Barretto é ex-executiva da indústria da beleza

Ricky Hiraoka

Colaboração para Universa

16/02/2020 04h00

Os desfiles das escolas de samba cheios de glamour e os disputados blocos continuam sendo objeto de desejo do Carnaval do Rio. Mas, perdoem os puristas, um evento carioca destaca-se como o mais cool da atualidade: o Baile da Arara.

Criado há cinco anos de maneira despretensiosa, a festa que rola num casarão em Santa Teresa tem uma seleta lista VIP de convidados — e integrá-la passou a ser o objetivo de todo e qualquer amante da folia.

Idealizado por Malu Barretto e Pedro Igor, sócios da Arara Inc, agência criativa de conteúdo e produtora cultural, o Baile da Arara tornou-se reduto de famosos e de uma turma hype que não poupa esforços para surpreender com figurinos arrasadores. A atmosfera lúdica e divertida do baile chega este ano ao Sambódromo com o Camarote da Arara, que estreia na Sapucaí com o desejo de enaltecer o samba, mas também de ser um símbolo de resistência.

"Num momento em que o prefeito e o governador estão destruindo o Carnaval, deixando tudo desmoronar, demonstrando que não têm o menor respeito por esse patrimônio popular, é quando a iniciativa privada tem que entrar em ação e mostrar a importância econômica e cultural dessa festa", acredita Malu.

O baile que ela idealizou virou o mais cool do Rio e estreia este ano como um camarote na Sapucaí - Arquivo Pessoal
O baile que ela idealizou virou o mais cool do Rio e estreia este ano como um camarote na Sapucaí
Imagem: Arquivo Pessoal

Apesar da crise da água, dos problemas de segurança e da falta de investimento público no Carnaval carioca, Malu está confiante que a aposta em criar o Camarote da Arara era a atitude correta a ser tomada. "Não podemos desistir do Rio. Precisamos investir nessa cidade, criar projetos para atrair cada vez mais gente para cá, ajudar os cariocas a retomarem a fé e o amor por esse lugar."

Ex-executiva de beleza

O Carnaval é só uma das causas pela qual essa paulistana, que adotou o Rio como cidade, luta. Após uma temporada de 14 anos no exterior trabalhando em grifes internacionais como Louis Vuitton e Valentino, Malu se mudou para a capital fluminense para ser diretora da Lancôme, do Grupo L'oreal.

Quando morava no Rio fazia quase um ano, uma amiga a levou para conhecer a comunidade de Vigário Geral. "Comecei a chorar. Não acreditava que era possível toda aquela pobreza", diz. Ela achou que precisava fazer algo.

Aproveitando-se de sua posição privilegiada, Malu começou a agir internamente dentro da L'oreal para levantar verba e patrocinar alguma iniciativa que levasse educação às favelas do Rio. Foi a apresentada a Gringo Cardia, idealizador da ONG Spetaculu, que oferece formação na indústria do entretenimento para jovens moradores de áreas de vulnerabilidade social.

"Malu surgiu em minha vida em 2006, num momento em que atravessávamos uma crise", diz Gringo. "Por causa dela, marcas de luxo começaram a investir em trabalho social no Brasil. Ela é visionária, enxerga possibilidade de trabalhar num mundo mais justo. Não faz nada por marketing."

Casamento com Vik Muniz

Malu emprega em sua empresa pessoas capacitadas pela ONG Spectaculu - Arquivo Pessoal
Malu emprega em sua empresa pessoas capacitadas pela ONG Spectaculu
Imagem: Arquivo Pessoal

Na mesma época em que se movimentava para iniciar um trabalho social, Malu se aproximou de um antigo amigo, o artista plástico Vik Muniz, que havia conhecido em meados dos anos 1990 em Nova York. Ele também estava interessado em atuar de alguma maneira em benefício do Rio. A sintonia entre eles foi tamanha que, após três anos de amizade, eles começaram a namorar, se casaram e tiveram uma filha juntos: Dora.

"Eles nasceram um para o outro, têm a mesma consciência social", pontua a estilista Isabela Capeto, amiga do casal. "Malu é uma mulher muito potente, que age com paixão, faz tudo muito bem-feito."

Malu esforçou-se para montar uma oficina de beleza dentro do Spetaculu. Ointenta por cento dos alunos que passam por esse curso saem empregados. A parceria com a ONG rendeu mais frutos: quando ainda era diretora da Lancôme, ela convenceu a marca a desenvolver uma linha de maquiagem cuja renda teria parte revertida para a Spetaculu. Com essa verba foi possível implementar mais de nove cursos profissionalizantes que atendiam até 300 alunos por ano.

"Aqui na ONG, jovens de diferentes comunidades estudam temas ligados à tecnologia, arte e têm uma formação humana muito sólida com aulas de filosofia", explica ela. "Muitos dos nossos estudantes são homossexuais e transexuais que chegam à escola acuados, com autoestima baixa. Com nossa formação, eles se transformam e percebem que são muito talentosos, além de lindos."

Da ONG para o mercado

Hoje, na Arara Inc, Malu continua usando sua rede de relacionamentos para angariar fundos e voluntários, além de conectar marcas interessadas em investir em projetos sociais. "Indico os alunos da Spetaculu para trabalhar nos eventos que a Arara promove e para nossos clientes não por uma questão de caridade, mas por eles serem superqualificados", afirma.

A mesma desenvoltura que possui para passar o chapéu e arrecadar fundos para as causas que defende, Malu também apresenta para recepcionar artistas e personagens influentes, como Paula Lavigne e Regina Casé, em almoços e jantares badalados. Junto com Vik, ela forma um dos casais que agitam a vida social do Rio de Janeiro.

Para 2020, um dos planos dela é colocar de pé uma oficina musical para ensinar os jovens a tocarem diferentes tipos de instrumentos. As professoras são de seu metiê: "Marisa Monte e Mart'nália já se dispuseram a dar alguns cursos", revela.

Malu conta que sua luta ainda está no começo. "É impossível você ter tudo, como é meu caso, e ver muita gente sem nada, vivendo em condições precárias, e achar que está tudo bem."

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