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Pesquisa diz que 95% das mulheres que abortaram não se arrependeram

Em 2017, a taxa de aborto chegou ao seu nível mais baixo desde a legalização do procedimento, em 1973, nos EUA - Reuters
Em 2017, a taxa de aborto chegou ao seu nível mais baixo desde a legalização do procedimento, em 1973, nos EUA Imagem: Reuters

De Universa

13/01/2020 10h26

A maioria das mulheres que fizeram um aborto não se arrependeu da decisão, de acordo com um novo estudo publicado na revista acadêmica Social Science & Medicine, no último domingo (13). Os pesquisadores acompanharam 667 mulheres, de 21 estados nos EUA, por um período de cinco anos, e 95% delas indicaram acreditar que fazer um aborto foi a decisão correta. As informações são do "The Guardian".

O estudo perguntou às mulheres se elas tiveram algum sentimento de tristeza, culpa, alívio, arrependimento, raiva ou felicidade pela decisão. O alívio foi o sentimento mais comum ao longo dos cinco anos do estudo.

"Por anos houve uma crença ou alegou-se de que precisamos proteger as mulheres dos danos emocionais que muitas delas sofrem ao fazer um aborto", disse Corinne Rocca, principal autora do estudo e professora na Universidade da Califórnia, em São Francisco. "Nunca houve evidência para dizer que isso era realmente verdade", ela completou.

Corinne observa que a alegação de que passar por um aborto é uma decisão cara foi usada para justificar a restrição de acesso ao procedimento.

Vários estados americanos exigem aconselhamento obrigatório sobre o aborto e um período de espera até que se obtenham informações sobre a resposta emocional negativa ao procedimento. Há uma pressão constante de grupos anti-aborto e políticos conservadores para aprovar duras leis sobre o aborto naquele país.

O novo estudo observa que é comum as emoções se misturarem, como culpa e alívio, logo após o aborto, mas "tanto as emoções positivas quanto as negativas declinaram nos primeiros dois anos e se estabilizaram depois, e a decisão acertada permaneceu alta e constante".

Os autores do estudo avisaram que vão se concentrar, futuramente, no que leva as mulheres experimentarem emoções negativas ou se arrependerem do aborto. Eles observam que, embora desnecessário de acordo com as descobertas desse estudo, o aconselhamento ao procedimento, se oferecido, deve se concentrar em ajudar a lidar com o estigma de passar por essa experiência.

Essa nova pesquisa segue outro estudo, também liderado por Corinne, publicado na revista acadêmica PLOS One em 2015. Nela, os números são bem parecidos: 95% das 667 mulheres avaliadas por um período de três anos disseram que fazer um aborto foi o adequado para elas.

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