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Ela decidiu vender cookies caseiros e espera faturar R$ 10 milhões em 2019

Natalie Pavan criou a My Cookies para mostrar que sabia fazer cookies saborosos e para ajudar um amigo - Divulgação
Natalie Pavan criou a My Cookies para mostrar que sabia fazer cookies saborosos e para ajudar um amigo Imagem: Divulgação

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

28/06/2019 04h00

Natalie Pavan, 31, de Campo Grande, Mato Grosso do Sul, conta que, além da vontade de empreender, abriu seu próprio negócio, a My Cookies, por dois propósitos. Primeiro, provar para seu marido que era capaz de fazer cookies tão saborosos como os que ele comia num shopping e, segundo, ajudar um amigo da família que passava por dificuldades financeiras.

"A receita dos cookies veio de um desafio que meu marido me fez. Toda vez que almoçávamos no shopping, ele queria comer cookies, de três para cima, de uma loja que havia lá, mas eram bem caros. Eu disse, então, que faria em casa, e ele disse que nunca ficariam iguais. Foi quando resolvi fazer e todo mundo adorou. Também havia esse amigo que queria muito trabalhar e estava sem perspectiva alguma, sem família nem casa e com quase 50 anos", explica Natalie.

Começo com muito improviso

Na época, Natalie ainda trabalhava como gerente administrativa em uma empresa de TV por assinatura via satélite e, para ajudar o amigo, preparava os cookies e os levava para ele vender nas portas de escolas, assim que chegava em casa depois do serviço. No mês seguinte à iniciativa, ela percebeu que o negócio tinha potencial e que se os cookies fossem vendidos assados na hora, a cada 20 minutos, poderia expandir. Foi quando resolveu procurar um local com bastante fluxo de gente e que permitisse a ela pagar o primeiro aluguel depois de 30 dias.

"Eu estava sem grana alguma, nem mesmo tinha caixa ou linha de crédito. Comecei apenas com a vontade de dar certo e com um amigo que queria muito trabalhar. Também era muito difícil encontrar um ponto de venda que não me cobrasse o primeiro aluguel adiantado. Arranjei então um espaço para o negócio dentro de um grande supermercado", relembra.

Na sequência, Natalie diz que criou o nome da marca, que foi uma sugestão de família, uma logo em um site que disponibiliza modelos pré-prontos e procurou um marceneiro para fazer um balcão, que ela parcelou em cheque, sem nenhuma entrada. Também comprou um freezer usado que envelopou de adesivo preto e um forninho residencial com capacidade para assar apenas oito cookies por vez. Apesar do improviso, já no primeiro mês, o faturamento do negócio foi suficiente para pagar o aluguel, as parcelas do balcão e um salário para o amigo. O sucesso e a demanda exigiram que a marca crescesse junto com as vendas e encomendas.

Testar e se diferenciar para crescer

Embora o começo da My Cookies tenha sido promissor, a empresa também teve de enfrentar desafios. Natalie relembra, por exemplo, que foi preciso criar em sua cidade a cultura de consumo de cookies, que são muito populares nos Estados Unidos e em outros países do Hemisfério Norte. No cardápio, ela então incluiu, além de sabores tradicionais, à base de chocolate, ingredientes conhecidos dos brasileiros, a exemplo de doce de leite, brigadeiro, leite em pó e prestígio, para citar alguns. Também desenvolveu opções de sanduíches de cookies com recheios variados e disponibilizou bebidas diversas como acompanhamentos.

Além de querer oferecer produtos gostosos e com preço acessível, Natalie também se preocupou em agregar valor ao negócio. Segundo ela, se o empreendedor decide trabalhar preço, qualidade e identidade visual isoladamente, dificilmente seu produto agradará. O desenvolvimento conjunto das etapas, somado ao esforço de várias iniciativas de marketing, permitiu a ela não só conquistar clientes pelo paladar, como pela atenção e pelo carinho.

"Hoje, entregamos, além de cookies, embalagens com recadinhos escritos à mão. E isso virou uma febre. As pessoas postam nossas mensagens, como: sorte do dia, My Cookies guru. É lindo de ver. Personalizamos o atendimento e chamamos nossos clientes pelo nome", afirma, acrescentando que para empreender é necessário estar aberto para testar o tempo todo.

Não só expandir, como querer ajudar

São produzidos, por mês, mais de 300 mil cookies  - Divulgação
São produzidos, por mês, mais de 300 mil cookies
Imagem: Divulgação

Se em 2016 a My Cookies começou com um forninho caseiro, hoje sua produção chega a 300 mil biscoitos ao mês. Natalie largou o emprego que tinha e atualmente se mantém focada em expandir seu ganha-pão, que engloba nove lojas próprias, uma fábrica, onde são produzidos os cookies, e uma franqueadora, que iniciou como projeto em 2018 e conta atualmente com 20 franquias, em seis estados. Até o fim de 2019, a rede pretende inaugurar mais 15 unidades.

"Toco o negócio sozinha, mas lógico que tenho pessoas excepcionais ao meu lado, como meu marido, que hoje me ajuda bastante, e um time que veste a camisa e ama o que faz. Com muito orgulho, gero emprego para mais de 80 famílias, com 80% de mulheres, e tenho expectativa de faturar R$ 10 milhões ou até mais ainda este ano", revela Natalie.

Quanto ao amigo que ajudou a se reerguer, ela responde que continua trabalhando no negócio e, motivada pela oportunidade que deu a ele, estabeleceu que dentro de sua empresa todos os colaboradores cumpram um expediente de apenas seis horas por dia. Segundo Natalie, dessa forma, sobra tempo para cuidar da vida e da família, o que se reflete na produtividade. "Isso é um efeito dominó, quando seu colaborador está feliz, ele produz melhor e atende muito bem aos clientes", conclui.