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Brasil tem menos mulheres em ministérios do que Síria e Venezuela, diz ONU

O presidente da república Jair Bolsonaro (PSL), posa em foto oficial com os ministros, no Palácio do Planalto, em Brasília - Valter Campanato/Agência Brasil
O presidente da república Jair Bolsonaro (PSL), posa em foto oficial com os ministros, no Palácio do Planalto, em Brasília Imagem: Valter Campanato/Agência Brasil

da Universa, em São Paulo

12/03/2019 11h35

Apesar do discreto crescimento no cenário de participação feminina na política mundial, o Brasil está em 16º lugar na lista dos países com menor número de mulheres em ministérios divulgada pela ONU Mulheres e pela União Interparlamentar nesta terça-feira (12).

Levando em consideração as posições em que há empate entre as nações, o relatório coloca o nosso país entre os 50 com menor representatividade feminina.

O Brasil tem apenas 9,1% de mulheres em ministérios, isto é, 2 pastas lideradas por elas em um total de 22 ministérios. São atualmente ministras do governo Bolsonaro Damares Alves, responsável pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, e Tereza Cristina, da Agricultura.

Os índices de representatividade colocam o Brasil atrás de países que passam atualmente por crises políticas e humanitárias, como a Síria, que tem 13,3% de suas 30 pastas ocupadas por mulheres; e a Venezuela, que tem 29,4% de seus 34 ministérios conduzidos por elas.

Ainda de acordo com a avaliação das entidades, o Brasil cresceu em representatividade em relação a 2017, quando tínhamos apenas 1 mulher entre 25 ministros, isto é, 4% de mulheres nos ministérios. No entanto, em relação à 2015, o cenário é pior: havia 6 ministras entre 39, um total de 23%.

No ranking de países com maior número de mulheres parlamentares, o Brasil está em 133º lugar, já que elas ocupam 77 dos 513 assentos da Câmara dos Deputados, cerca de 15%, e 12 das 81 cadeiras do Senado, cerca de 14,8%.

O presidente Jair Bolsonaro considera a composição atual do governo equilibrada.

"Pela primeira vez na vida, o número de ministros e ministras está equilibrado no nosso governo. Temos 22 ministérios, 20 homens e duas mulheres. Somente um pequeno detalhe: cada uma das mulheres que estão aqui valem por 10 homens", declarou em cerimônia no Palácio do Planalto pelo Dia Internacional da Mulher, comemorado na sexta-feira (8).

Segundo a ONU e a União Interparlamentar, a proporção de mulheres ministras atingiu seu maior índice da história em 2019, 20,7%. Elas ocupam 812 pastas das 3922 existentes mundialmente, um aumento de 2,4% em relação a 2017.

No entanto, a representatividade feminina nas posições de maior liderança caiu de 7,2% para 6,6% -- há, atualmente, 10 mulheres entre os 153 chefes de Estado eleitos no mundo todo, uma proporção de 5,7%. Ao olhar o total mundial destas posições, considerando chefes eleitos e não-eleitos, elas são apenas 10 entre 193, uma percentagem de 5,2%.

O perfil dos ministérios liderados por mulheres também está mudando. Apesar de a maior parte das ministras no mundo todo ainda pertencerem às pastas de questões sociais (109 de 1412 destes cargos são delas), ou Família, Crianças, Juventude e Deficientes (107 de 1412 destes também são conduzidos por mulheres), a pasta de Indústria e Comércio está entre cinco que são hoje lideradas pela primeira vez por mulheres na história.

Mais mulheres assumiram setores tradicionalmente ocupados por homens do que em comparação com 2017: 30% mais mulheres atualmente cobrem os ministérios da Defesa e 52,9% mais líderes políticas estão operando as pastas de Relações Exteriores.

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