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Briga entre Kate e Meghan: é mais fácil acreditar porque elas são mulheres?

Kate e Meghan durante a final do torneio de Winbledon - Getty Images
Kate e Meghan durante a final do torneio de Winbledon Imagem: Getty Images

Mariana Araújo

da Universa, em São Paulo

29/11/2018 04h00

Desde o anúncio do noivado com Harry, a então noiva real Meghan Markle se tornou alvo de comparações com Kate, a já duquesa de Cambridge.

Das escolhas fashion passando pelas trajetórias pessoais de ambas pré-entrada na família real até as diferenças de estilo e personalidade, cada passo das mulheres dos príncipes Harry e William -- herdeiros de outra princesa que despertou interesse desmedido pelo mundo -- foi escrutinado por súditos, curiosos, fãs e pela mídia especializada internacional.

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Nada mais natural, dadas as posições que ocupam. No entanto, a partir deste sábado (24), quando a coroa britânica anunciou que o duque e a duquesa de Sussex deixariam o palácio de Kensington pelo castelo de Windsor, a 32 km de Londres, no início de 2019, uma trama de rivalidade entre as duas cunhadas se solidificou.

Mas, por que é tão fácil culpar Meghan e Kate por quaisquer tensões que possam ou não haver na família real?

A mudança para Windsor

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Imagem: Getty Images

Harry viveu em Kensington com a mãe e com o irmão por boa parte de sua vida. Antes de subir ao altar, ele já residia no Nottingham Cottage ou "Nott Cott", um chalé de dois quartos dentro dos muros do palácio. É lá que, até hoje, ele vive com Meghan.

No entanto, desde o seu noivado, jornais britânicos como o "Daily Mail" já apontavam uma mudança iminente, resultado da necessidade por espaço com a chegada de um possível herdeiro. Em outubro, a possibilidade se tornou realidade: Meghan anunciou sua gravidez.

Por que então tanta comoção diante da mudança do casal?

Em dezembro de 2017, um mês após o pedido de Harry para Meghan, o próprio "Mail" publicou fotos do início das reformas do apartamento 1 do palácio de Kensington, uma propriedade de 21 quartos vizinha a de William e Kate. 

Estas reformas foram concluídas, segundo o jornal, há cerca de 15 dias. Então, se há um (grande) apartamento vago em Kensington, já que seu residente anterior, o duque de Gloucester -- primo da rainha Elizabeth -- abriu mão do endereço, por que os Sussex estão partindo para Windsor?

A versão oficial divulgada pelo palácio de Kensington é a de que Windsor tem um significado especial para Harry e Meghan. Seu novo lar, o Frogmore Cottage, é um chalé de 10 quartos localizado em frente à Frogmore House, espaço onde aconteceu a recepção de seu casamento em maio.

Ainda segundo o palácio, o escritório da Royal Foundation, a empresa real que administra todos os projetos dos dois ducados -- Cambridge e Sussex --, continuará em Kensington.

As muitas versões da 'briga' entre elas

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Imagem: Getty Images

De acordo com o "New Zeland Herald", o real motivo para a mudança do casal seria uma desavença entre as duquesas. "Kate e Meghan são pessoas muito diferentes. Elas não se entendem", teria informado uma fonte à publicação.

Desde então, outras publicações assumiram a mesma tônica; apontando, sempre de acordo com fontes anônimas, um desgaste na relação entre Meghan e Kate que teria levado à saída dos Sussex de Kensington.

O "Radar Online" divulgou que Kate teria ficado enciumada com as concessões feitas à Meghan pela rainha, como o convite para sua mãe, Doria, passar o Natal com a família real -- uma gentileza que jamais teria sido estendida aos Middleton.

A "Life & Style" diz ainda que a própria rainha Elizabeth teria escolhido "o lado de Meghan" na disputa -- o que teria reforçado o distanciamento entre as duas.

"Kate e Elizabeth têm um relacionamento formal. Kate é reservada e fechada na presença da rainha, ao contrário de Meghan, que é sempre ela mesma e não se abala se comete um erro de protocolo real. A rainha adora a personalidade calorosa de Meghan."

Além disso, mais de um jornal chegou a responsabilizar a duquesa de Sussex pela crescente de tensões com a equipe de Kensington: ela teria tentado imprimir ao palácio um ritmo que não é natural; trabalhando demais e exaurindo seus assistentes.

O "Express" chegou a publicar que três dos funcionários pessoais de Harry e Meghan pediram demissão desde maio e qualificou as saídas como "uma debandada", diante de uma Meghan que seria mimada e irredutível em relação aos seus desejos.

Os outros possíveis "culpados" pela tensão

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Em menor proporção, veículos como a "Vanity Fair" apontaram versões alternativas para o (não-confirmado) distanciamento entre as famílias. Segundo a revista americana, William e Harry é que tiveram suas discordâncias.

"Kate e Meghan são pessoas muito diferentes e não têm muito em comum, mas elas fazem um esforço para se dar bem. Quaisquer problemas estão entre os irmãos", escreveu Katie Nicholl, correspondente de família real da publicação.

"Harry quer ser ele mesmo e não ficar à sombra de William. O campo funciona bem para ele e para Meghan porque eles querem criar seu filho longe dos holofotes", explica ainda Katie.

Outra versão, publicada pelo "Express" afirma que Harry teria se tornado "ditatorial" e "explosivo" nos últimos meses, resultado do aumento de estresse com a agenda lotada de compromissos e de preocupações em relação à chegada do primeiro filho.

Onde está a verdade?

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É difícil dizer se Harry e Meghan têm razões para se mudar que diferem da busca por um lugar maior e mais querido por eles para criar seu primeiro filho, sobretudo porque ninguém realmente sabe o que acontece dentro dos muitos muros do palácio.

No entanto, é mais do que natural que os príncipes assumam, cada vez mais, caminhos diferentes.

William tem um papel claro na família real: ele será rei. Com a chegada do 70º aniversário do pai, torna-se inevitável a sua preparação para, ao menos, o futuro imediato da sucessão, em que Charles será finalmente o monarca, enquanto ele assume sua posição de príncipe de Gales.

Com este novo título, o mais velho também ganhará uma série de responsabilidades extras, entre elas, administrar o ducado da Cornualha, com suas propriedades rurais extensas e negócios lucrativos para a coroa. A Cornualha é também a fonte de renda que paga as contas de Kensington hoje -- inclusive as de Harry e Meghan.

Diante destas novas funções, é provável que William tenha que reavaliar como dividir seu tempo e seu trabalho na Royal Foundation. Se isso significa que ele apenas se afastará mais, se a deixará ou até se dissolverá a parceria com o irmão, só o tempo dirá.

Enquanto isso, o príncipe Harry se torna, com o nascimento de cada sobrinho, um herdeiro ainda mais distante do trono. Por isso, o peso de suas responsabilidades reais tende a ser sempre menor em relação àquelas do irmão.

Com um bebê a caminho, suas prioridades também devem se modificar. Harry agora se prepara para um papel que William já desempenha há algum tempo e, por isso, pode estar procurando ajustes no seu estilo de vida.

No entanto, justamente porque eles são não só pessoas diferentes, mas têm funções diferentes, Harry poderá fazer concessões e tomar liberdades que o irmão não pôde. A certeza é que Harry se tornará um pai e um representante do Reino Unido do seu jeito -- como sempre, bem diferente daquele que William é.

Por que a briga entre elas seria mais provável?

Se existem tantas possíveis explicações para a troca de endereço de Harry e Meghan, por que ainda estamos culpando as duquesas? 

Para quem tem dúvidas de que este é o caso, a comparação entre o número de buscas por uma possível briga entre Harry e William e entre Kate e Meghan no Google mostra que o segundo cenário é realmente mais procurado e mencionado. A "Caras" portuguesa e a "InTouch", por exemplo, dedicaram matérias de capa à rivalidade entre elas.

Reprodução/Google
Imagem: Reprodução/Google

Por que é mais natural que esta seja uma briga entre mulheres e não uma disputa de espaço ou poder entre homens, por exemplo? Ou simplesmente o curso natural da união entre Harry e Meghan, fruto do desejo de independência de dois recém-casados?

Não é de hoje que Harry testa e afrouxa os limites do protocolo real. Conhecido pela personalidade descontraída e, por vezes polêmica, ele chegou a protagonizar, aos 20 anos, um escândalo para a família ao ser fotografado vestido de oficial nazista em uma festa à fantasia.

Apesar de ter deixado para trás os tempos de festas e namoros, é preciso relembrar o óbvio: os dois irmãos são bem diferentes. E suas mulheres também são diferentes, com estilos, personalidades e trajetórias pessoais bem dissonantes.

Da mesma forma que isso não garante que sejam amigas, como aliás se noticiava meses atrás, também não garante que sejam inimigas. Reconhecer que há diferenças entre elas e, a partir daí, enxergar uma disputa imediata é um sintoma da percepção ainda desajustada de que mulheres precisam eliminar umas às outras para conquistar o seu espaço no mundo. 

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