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5 situações rotineiras que um hétero nem imagina que são privilégios

Do UOL, em São Paulo

13/06/2017 17h34

As pessoas estão mais modernas e, já há algum tempo, não causa mais nenhum choque para a sociedade você beijar o seu namorado na rua, andar de mãos dadas com ele(a) ou mesmo adotar um filho. Mas é sempre bom lembrar que isso ainda não é um direito para todo mundo. Infelizmente.

Basta lembrar que, nos primeiros quatro meses deste ano, o Brasil teve um aumento de 20% nas agressões contra pessoas LGBT. Em 2016, foram 343 mortes nesse grupo – 144 das vítimas eram travestis e transexuais. Com um agravante: a homofobia ainda não é crime no Brasil e, com isso, a intolerância não é punida corretamente.

Veja cinco situações que parecem comuns, mas acabam sendo privilégios dos heterossexuais:

Andar de mãos dadas

Mãos entrelaçadas, caridade, branco, negro, mãos dadas, mãos juntas, solidariedade - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Esse simples ato romântico pode ser um problema sério para o público LGBT. Casado há 27 anos com o inglês David Harrad, o professor Toni Reis, 52, conta que adoraria sair de mãos dadas com o marido durante os passeios dos dois por Curitiba (PR), onde moram. Mas diz que o casal não pode.

"Simplesmente porque quero me poupar de tomar porrada na rua", explica ele, que também é Diretor-Presidente da Aliança Nacional LGBTI. "Eu sempre deixo claro que não queremos nenhuma prioridade, apenas ter o mesmo direito que todo mundo já tem."

Atos românticos em público

Jantar romântico - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Você está em um jantar romântico com o "mozão" e rola aquele clima para um beijo. E nem precisa ser ao "estilo cinema", não. Uma simples bitoquinha. Se o casal for homossexual e estiver em público, vai pensar duas vezes antes de demonstrar seu amor.

"Até em pizzaria já fui discriminado. Se estou tomando um vinho no restaurante e meu marido fala algo que acho inteligente e sexy, por exemplo, seguro a minha vontade de beijá-lo para não causar nenhum tipo de clima. Só que olho em volta e vejo vários casais heterossexuais fazendo exatamente isso", lembra Toni.

Batizar os próprios filhos

13.jul.2016 - Um bebê é batizado na Catedral da Santíssima Trindade, em Tbilisi, Georgia - David Mdzinarishvili/Reuters - David Mdzinarishvili/Reuters
Imagem: David Mdzinarishvili/Reuters

Parece simples, não? Se os dois seguem aquela religião, é mais do que normal o casal que teve um filho procurar uma igreja para batizar a criança. Toni e o marido tiveram problemas em fazer isso com os três filhos adotivos: Alisson, 16, Jéssica, 14, e Felipe, 11.

"Quis muito conseguir fazer o batizado, pois sou bastante católico e não gostaria que as crianças morressem pagãs. Só que precisei pedir pelo amor de Deus ao Arcebispo de Curitiba para conseguir isso. Eu iria até o Papa, se fosse o caso", conta. A família, inclusive, vai aproveitar para conhecer Roma e o Vaticano, na Itália, em suas próximas férias.

Ir ao banheiro em paz

28.out.2015 - Um banheiro público de luxo será inaugurado na tarde desta quarta-feira (28) na rua Oscar Freire, endereço da zona oeste de São Paulo conhecido por abrigar lojas do comércio de luxo na capital paulista - Divulgação/Edelman Significa - Divulgação/Edelman Significa
Imagem: Divulgação/Edelman Significa

Sabe quando você vai ao shopping comprar algum presente para o sobrinho e, já lá, dá vontade de ir ao banheiro? O ato de usar o sanitário pode ser um problema sério. O assistente social Pierre Freitas, 29, que também é Ativista de Direitos Humanos, diz que frequentar banheiros públicos é sempre muito constrangedor, pois os homens olham e fazem piadinhas.

"Uma vez, usei o mictório de um banheiro no shopping e alguns meninos já começaram a tirar com a minha cara. Quando saí, eles vieram atrás de mim e continuaram me xingando. Precisei chamar os seguranças e a até a Policia Militar. Por fim, a direção do shopping me atendeu chamou a atenção deles", conta.

Ser quem você realmente é

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Imagem: Thinkstock

Pierre conta que essa perseguição acontece desde a escola. Na época do ensino médio, tanto as piadas quanto os constrangimentos foram aumentando cada vez mais. "Como andava muito com meninas, os garotos me zuavam e xingavam de bichinha, viado, essas coisas", lembra.

Neste contexto de perseguição, um deles colocou o pé na frente, fazendo Pierre cair e quebrar o braço. "A diretora da escola puniu todos os envolvidos, inclusive a mim, porque acreditava que eu também era culpado por ser daquele 'jeito'".

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