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Aos seis meses, grávida de quíntuplos espera parto no hospital

Karina e Júnior precisaram vir para São Paulo para o parto dos quíntuplos - Junior Lago/UOL
Karina e Júnior precisaram vir para São Paulo para o parto dos quíntuplos Imagem: Junior Lago/UOL

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

23/03/2015 07h05

Uma gravidez de múltiplos, seja de gêmeos ou trigêmeos, pode ser fonte de ansiedade para algumas famílias. Imagine, então, uma gestação de quíntuplos. Para muitas pessoas, a primeira imagem que vem à cabeça são cinco bebês chorando, mamando e precisando trocar fralda, tudo ao mesmo tempo. Karina Bárbara Barreira, 35, e João Biagi Júnior, 36, futuros pais de cinco crianças, vivem à espera sem se preocuparem como será a rotina depois da chegada dos filhos.

"A gente não fica pensando que precisaremos trocar muita fralda ou acordar durante toda a noite. Teremos de fazer o que os bebês precisarem e ficaremos craques nisso. Não pensamos em como será o momento de dar banho em cinco, para tudo se dá um jeito", afirma, calmamente, a mãe, que está na 24ª semana e internada de forma preventiva em uma maternidade de São Paulo.

Tanto Karina quanto Júnior seguem o lema "viver um dia de cada vez" e têm mantido a emoção sob controle. "Claro que a ansiedade existe, mas quero deixar para sentir isso no dia (do nascimento), pois senão vou ficar doida aqui", fala a mãe. O pai diz que ainda não conseguiu imaginar os cincos bebês correndo pela casa. "No início, quando achávamos que seriam trigêmeos, imaginava-os fazendo bagunça, mas agora essa imagem travou na minha cabeça."

Karina dará à luz quatro meninas –sendo duas gêmeas idênticas– e um menino e os pais ainda não chegaram a um consenso sobre os nomes. "Estamos começando a pensar nisso, mas não temos nenhum definido. Cada hora, um de nós fala um nome e pergunta se o outro gosta ou não, quando os dois curtem, separamos para decidir depois", diz Júnior.

A descoberta

O casal esbanja alegria de ter engravidado de forma natural de cinco bebês ao mesmo tempo. Há 15 anos juntos, Karina e Júnior tentavam engravidar há cinco anos, sem sucesso. "A médica disse que ela tinha óvulos com pouca qualidade e recomendou que a gente tentasse a fertilização. Ela saiu arrasada do consultório, mas a convenci de ouvirmos a opinião de um outro especialista, que disse que o problema era que a parede do útero dela estava muito fina."

Karina iniciou então um tratamento com hormônio para espessar a parede do útero e retornou ao médico, que calculou o período fértil e orientou que o casal intensificasse as relações sexuais nesses dias. "No quarto mês, a minha menstruação, que sempre foi regulada, atrasou, mas eu não tinha coragem de fazer o teste e lidar com a frustração de dar negativo. Depois de uma semana, fiz o de farmácia e, na sequência, o exame de sangue, que comprovou que eu estava grávida", afirma a futura mãe.

Uma semana depois, o casal realizou o primeiro ultrassom, em que apareceram três bebês. "Como eu queria ter gêmeos, pulei de felicidade quando descobri", declara Júnior. Karina, no entanto, ficou muito assustada com a situação. "Estava feliz, mas tomei um susto. Pensava: 'só pedi um e vieram três, meu Deus', meu corpo tremia todo e não conseguia nem levantar da maca", fala.

Quando a gestação completou três meses, eles retornaram para fazer outro ultrassom. "O médico olhava assustado para a tela, o que me deixou nervoso", afirma Júnior. Foi então que eles descobriram que esperavam cinco bebês. "Não acreditava, briguei com o médico, disse que não faria mais nenhum ultrassom, pois, cada vez que a gente fazia o exame, descobriam mais bebês."

A família não acreditou quando os dois contaram a novidade. Segundo Júnior, eles mostravam o laudo para convencer que não estavam brincando. "Alguns se assustaram na hora, mas todos estão muito contentes. Agora vão ter de ajudar, pois perguntavam o tempo todo quando a gente teria um filho", afirma Karina.

Preparativos

Com a descoberta que esperavam quíntuplos, a rotina de Karina e Júnior virou uma correria devido aos exames e consultas médicas, o que fez com que não tivessem tempo de preparar a casa para receber os bebês.

"A única coisa que está certa é o quarto das crianças, pois uma empresa nos presenteou com um dormitório completo. Fiquei muito feliz pelo carinho e estou supercuriosa para ver o resultado. Acho que o arquiteto vai ter de quebrar a cabeça para colocar os cinco berços no local", diz Karina.

Depois que o caso saiu na imprensa, o casal também recebeu muitas doações de roupas, fraldas e produtos de higiene. Até um bufê ofereceu comidas e bebidas para o chá dos bebês. "Estava marcado para este mês, mas, como fui internada, a festa vai ser diferente. No fim do ano, vou fazer um evento com os bebês presentes", declara Karina.

A mãe e o pai ainda não têm um plano traçado de como será a vida da família em sete. "Sei que no começo minha mãe e minha sogra estarão mais perto, aquela coisa de avó querer estar presente, mas depois a gente vai ter de se adaptar a cuidar dos cinco com apenas quatro braços", afirma Karina.

Quando descobriu que a mulher esperava três filhos, logo no início da gestação, Júnior comprou um carro para facilitar o transporte das crianças e de Karina para as consultas e exames. "Assim que descobri que eram cinco, vi que o carro não me servia mais. Agora estou pensando em comprar uma van, pois, além de levar a família, também posso usar o veículo para trabalhar", conta o futuro pai, que está desempregado.

Internação preventiva

Apesar de serem de Santos, no litoral sul paulista, o casal precisou vir para São Paulo, pois a cidade não tinha estrutura para o parto. “Nós queríamos ter os nossos filhos em Santos, escrever essa história com a cidade e também ficar perto da família, mas, infelizmente, não foi possível”, afirma Júnior.

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“O médico que acompanhou a gente em Santos tinha orientado que a Karina fosse internada de forma preventiva, pois, a partir de agora, os bebês vão crescer mais e ela começará a ganhar peso. Como ela pode sentir dores e problemas respiratórios, o médico achou melhor monitorá-la 24 horas”, declara Júnior.

Para passar o tempo, a futura mãe tem feito as mesmas coisas que fazia em casa, pois ela está afastada do trabalho desde o segundo mês de gestação. “Tenho respondido as mensagens da nossa página do Facebook 'Vem Quíntuplos por Aí', jogo no celular, leio livros, vejo televisão, converso muito com o Júnior e também dou uma voltinha até o berçário.”

Preparação para o parto

De acordo com Raimundo M. Melo Nunes, coordenador da ginecologia do hospital Sepaco, onde Karina está internada, por ser uma gravidez de quíntuplos, a gestação dificilmente completará 40 semanas. "A expectativa é que ela chegue até 32 semanas –8 meses– e tudo indica que dará certo, pois a gestação da Karina está estável. Ela está recebendo progesterona (hormônio), para melhorar a circulação materna e evitar que o útero se contraia, e um medicamento para acelerar a maturidade pulmonar dos bebês", explica Nunes.

Os bebês também estão estáveis, segundo o médico, e pesam cerca de 400 gramas cada um, número adequado para o tempo gestacional. Para se preparar para a vinda dos quíntuplos, o centro obstétrico do hospital começou a fazer simulações de como o parto cesárea será feito, já que estarão presentes, pelo menos, cinco neonatologias (pediatras especializados em recém-nascidos) e quatro obstetras.

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