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Caminhar na hora do almoço reduz estresse no trabalho

Caminhar na hora do almoço nos deixa mais entusiasmados para trabalhar - Getty Images
Caminhar na hora do almoço nos deixa mais entusiasmados para trabalhar Imagem: Getty Images

Gretchen Reynolds

The New York Times

31/01/2015 12h00

Para combater a perda de entusiasmo e foco durante a tarde, faça uma caminhada durante a hora de almoço. Um novo estudo descobriu que, mesmo que suave, ela melhora o humor e a capacidade de lidar com o estresse no trabalho.

Obviamente, não é novidade que andar faz bem à saúde e que as pessoas que andam ou se exercitam regularmente tendem a ser mais calmas, alertas e felizes do que as sedentárias, mas muitos estudos sobre os efeitos da caminhada e outros exercícios no humor se baseiam em resultados graduais e em longo prazo que mostram como a atividade física, praticada durante semanas ou meses, pode mudar as pessoas emocionalmente.
 
Poucas vezes se examinou os efeitos imediatos no humor, dia a dia, hora a hora, vinculados ao exercício e, menos ainda, buscam esses efeitos em um dia regular de trabalho, mesmo quando a maioria das pessoas passa grande parte do dia em um escritório.
 
Assim, para esse novo estudo, publicado no "Scandinavian Journal of Medicine and Science in Sports" deste mês, pesquisadores da Universidade de Birmingham e outras universidades começaram recrutando trabalhadores de escritório sedentários na própria instituição --mas os candidatos precisariam estar disponíveis para caminhar por 30 minutos durante o horário de almoço três vezes por semana.
 
A maioria dos 56 voluntários era de mulheres de meia-idade. Normalmente é difícil atrair os homens para participar de programas de caminhadas, disse Cecilie Thogersen-Ntoumani, autora do estudo e, agora, professora de Ciência do Exercício na Universidade Curtin em Perth, Austrália. Segundo ela, andar não parece ser extenuante o suficiente para os homens, mas acabaram convencendo quatro sedentários de meia-idade a participar do experimento.
 
Os voluntários completaram uma série de testes de saúde, forma física e humor no início da pesquisa, o que revelou que todos eles estavam fora de forma, mas saudáveis física e emocionalmente.
 
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Cecilie e seus colegas dividiram os voluntários aleatoriamente em dois grupos, um dos quais iria começar um programa de caminhada simples de dez semanas de duração imediatamente, enquanto o outro grupo começaria o programa dez semanas mais tarde, servindo como um grupo de controle.
 
Para a avaliação do humor, os cientistas ajudaram os voluntários a configurar um aplicativo que incluía uma lista de perguntas sobre suas emoções. As perguntas foram projetadas para medir os sentimentos dos voluntários em determinado momento com relação a estresse, tensão, entusiasmo, carga de trabalho, motivação e cansaço físico, entre outras ocorrências.
 
Um problema comum com estudos do efeito do exercício sobre o humor, disse Cecilie, é que eles dependem da memória. As pessoas precisam se lembrar desse detalhe horas ou mesmo dias após o ocorrido --e devido à fugacidade e ao mistério de nossas emoções, as lembranças não são confiáveis, completou ela.
 
Em vez disso, a especialista e seus colegas queriam avaliações instantâneas das sensações antes e depois do exercício. As perguntas do aplicativo facilitaram muito a experiência.
 
Então, o primeiro grupo começou a caminhar. Cada voluntário podia andar durante uma das várias horas de almoço, todos organizados por um líder de grupo e pelo ritmo individual. Os mais lentos andavam juntos e os mais rápidos seguiam na frente. Não havia distância ou intensidade formalmente determinadas. O único parâmetro era a duração de 30 minutos, o que daria aos voluntários algum tempo para almoçar. Os grupos se encontravam e andavam três vezes por semana.
 
Em todas as manhãs e as tardes durante as primeiras dez semanas, os voluntários dos dois grupos respondiam às perguntas em seus celulares sobre seu humor naquele dado momento. Depois de dez semanas, o segundo grupo começou seu programa de caminhadas. O primeiro grupo podia continuar com as caminhadas ou não, como preferissem --muitos as mantiveram.
 
Em seguida, os cientistas compararam todas as respostas, entre os grupos e entre os indivíduos. Em outras palavras, verificaram se, à tarde, o grupo que havia caminhado respondeu às perguntas de forma diferente do grupo que não caminhou e também se voluntários individuais responderam às perguntas de forma diferente nas tardes em que haviam andado em comparação com as que não se movimentaram.
As respostas eram notadamente diferentes quando as pessoas andavam. Nas tardes após o passeio na hora do almoço, os voluntários disseram que se sentiam consideravelmente mais entusiasmados, menos tensos e em geral mais relaxados e dispostos do que nas tardes em que não caminhavam e mesmo em comparação com seu próprio estado de espírito na manhã pré-caminhada.
 
Embora os autores não tenham medido diretamente a produtividade no local de trabalho em seu estudo, Cecilie disse que "há agora forte evidência de pesquisas de que uma sensação mais positiva e entusiasmada no trabalho é muito importante para a produtividade. Por isso, acreditamos que as pessoas que caminham na hora do almoço sejam mais produtivas".
 
Como vantagem adicional, todos os voluntários mostraram ganhos de condicionamento aeróbico e de outras medidas de saúde após dez semanas de caminhadas.
 
Porém, muitos disseram saber que não poderiam continuar a andar depois de terminado o experimento e alguns (não computados na contagem final de voluntários) tiveram que desistir no meio do programa. O principal empecilho, disse Cecilie, era "que a gerência queria que eles trabalhassem na hora do almoço", o que mostra que os chefes bem poderiam se familiarizar com as descobertas científicas mais recentes.

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