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Quer parar a terapia? Tire oito dúvidas frequentes antes de decidir

Antes de parar a terapia, reflita se não é uma maneira de fugir de alguma questão - Getty Images
Antes de parar a terapia, reflita se não é uma maneira de fugir de alguma questão Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Do UOL, em São Paulo

30/01/2014 11h43

São vários os motivos que levam uma pessoa a iniciar uma psicoterapia, afinal, é uma ferramente que ajudar a enfrentar fases difíceis na vida, é recomendada para tratar problemas de saúde (como depressão, pânico e ansiedade) ou usada para o autoconhecimento. Mas uma das principais dúvidas diz respeito à alta. Só o terapeuta pode concedê-la? Mas e se o paciente não estiver com vontade de continuar, como agir? Para elucidar essas e outras perguntas, veja respostas para questões comuns sobre o tema:   

1. Existe um período pré-determinado para o paciente receber a alta?

Não. Isso varia de pessoa para pessoa. "Existem mais de 500 tipos de terapias diferentes, entre clássicas, alternativas e modernas. Cada paciente é único e, por isso, é praticamente impossível determinar quanto tempo o tratamento vai demorar", explica Carla Luciano Codani Hisatugo, coordenadora do curso de Psicologia da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo).
 
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  • http://mulher.uol.com.br/comportamento/enquetes/2014/01/29/voce-faz-psicoterapia.js
As terapias breves, indicadas para questões pontuais, como luto ou divórcio, costumam envolver um período que vai de três meses a um ano, mas o processo pode demorar mais do que o previsto e ter continuidade (às vezes, com outro profissional).


2. Somente o psicoterapeuta pode dar alta ao paciente?

"Em tese, sim. Mas todo paciente tem autonomia para interromper a terapia quando não estiver se sentindo confortável com as sessões, seja qual for o motivo", afirma Luiz Eduardo Berni, conselheiro do CRP-SP (Conselho Regional de Psicologia de São Paulo). 
 

3. A alta pode ser dada de uma hora para outra?

Segundo a psicóloga Maria Lúcia de Souza Campos Paiva, do Instituto de Psicologia da USP (Universidade de São Paulo), o desligamento costuma ser gradual. "Afinal, é formado um vínculo entre paciente e terapeuta que não deve ser cortado abruptamente. Tudo depende da linha de trabalho seguida, mas o recomendável é que o profissional sinalize que vai dar alta em dois ou três meses e que, depois desse período, ambos combinem pelo menos uma sessão de retorno, para acompanhamento", declara Maria Lúcia.
 

4. Qual é o principal motivo que leva alguém a querer desistir da terapia?

Segundo Carla Hisatugo, da Umesp, a falta de empatia com o profissional costuma ser a razão número um. "As pessoas procuram a terapia ou são encaminhadas para fazer esse tipo de tratamento quando estão atravessando um sofrimento muito grande. Se não se sentem compreendidas, é comum desejarem abandonar o processo", comenta a docente.

O problema é que, apesar do livre-arbítrio, a desistência não é aconselhada para portadores de transtornos de comportamento como depressão, ansiedade, esquizofrenia e problemas de humor, por questões que envolvem a saúde e a própria vida dos pacientes.
 

5. A falta de empatia com o terapeuta não seria uma espécie de “desculpa” para não entrar em contato com determinados problemas?

Em alguns casos, sim, por isso o terapeuta precisa ter a sensibilidade de não forçar o paciente a nada. Indicar outro profissional pode ser uma boa ideia. É preciso levar em conta, ainda, que muita gente tem uma visão fantasiosa das sessões e acha que o profissional é um ser capaz de resolver todas as suas dores e preocupações.

"O especialista deve deixar claro desde o início que quem vai descobrir as respostas é o próprio paciente e que ele apenas apresentará as técnicas e ferramentas para isso", afirma Carla. Toda e qualquer impressão, negativa ou positiva, deve ser sempre levada ao terapeuta, sem medo de julgamentos –o paciente deve saber que julgar não é o papel do especialista.
 

6. O incômodo provocado pela abordagem de determinadas questões durante as sessões também pode causar a vontade de parar?

Sim. Para muitos indivíduos, o desejo de interrupção aparece justamente quando ela se torna mais necessária e esclarecedora –quando a pessoa começa a entrar em contato com suas emoções mais profundas e fica perto de descobrir coisas importantes sobre si mesma.

"Algumas pessoas também pensam em desistir quando percebem que vêm falando sempre sobre o mesmo assunto durante as sessões. Essa repetição é uma parte fundamental da terapia e deve ser discutida com o terapeuta", diz Maria Lúcia, da USP. "Existem, ainda, aqueles que são imediatistas e mostram descontentamento com a demora do processo. Por isso, o profissional, logo na entrevista que antecede o início das sessões, deve explicar muito bem o modo como trabalha e como os objetivos serão alcançados", explica Luiz Eduardo Berni.
 

7. O terapeuta deve convencer o paciente a manter o tratamento?

Não se trata de convencer, mas de os dois, juntos, avaliarem quais são os prós e os contras de encerrá-lo. Algumas pessoas, mesmo depois de alcançarem seus objetivos com a terapia, optam por dar continuidade às sessões para controlar o estresse, para ter um cotidiano mais leve e equilibrado.
 

8. É possível “dar um tempo” na terapia?

Sim. Segundo Luiz Eduardo Berni, do CRP SP, não é raro que alguns pacientes precisem de um certo distanciamento do processo psicoterápico e do próprio terapeuta para elaborar e organizar algumas questões internas que vêm lhe incomodando. "Pedir um tempo não uma ruptura. O paciente se sente acolhido e tranquilo porque sabe que pode voltar ao consultório assim que se sentir pronto", conta o especialista.

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