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Empresa italiana lança santinhos eletrônicos para celular

A imagem de Madonna di Lourdes, que pode ser baixada<BR>e enviada via celular - BBC
A imagem de Madonna di Lourdes, que pode ser baixada<BR>e enviada via celular
Imagem: BBC

Valquíria Rey<br/> De Roma <br/>

05/12/2007 17h01

Um novo serviço oferecido por uma empresa italiana permite aos fiéis a possibilidade de baixar imagens de santos protetores pelo telefone celular, enviá-las para os amigos ou trocá-las.

Desde segunda-feira, os fiéis podem acessar a nova ferramenta, que custa três euros por semana (cerca de R$ 8) para a escolha de três santos.

Além da imagem do protetor escolhido, também é possível baixar a oração correspondente, com um pagamento extra de 0,50 euros (R$ 1,30 reais).

Segundo Francesco Italia, um dos criadores da idéia, responsável pela Mckay & Sisters, empresa especialista em chat, jogos e música para celular, mesmo antes do lançamento oficial do serviço, a idéia se tornou popular, com milhares de acessos à página da empresa em países sul-americanos, nos Estados Unidos e na Europa.

"As pessoas querem ter sempre por perto a imagem de um santo protetor, e o celular é o objeto que acompanha todo o mundo desde o início da manhã até à hora de dormir", disse Francesco à BBC Brasil.

Populares
Até o momento, o mais popular é o Padre Pio, polêmico religioso capuchinho canonizado há cinco anos. Ele é famoso por ter recebido os sinais da crucificação de Jesus - as feridas nas mãos, nos pés e no tórax - e por ter realizado milagres já em vida.

No ranking dos mais procurados estão ainda Santa Lúcia, São José, São Francisco, São Genaro, Santo Antônio, Santa Ágata e Santa Rita.

Também estão disponíveis imagens dos papas João Paulo 2º e Bento 16, de Jesus Cristo e até mesmo de alguns santos menos venerados na Itália.

"Recebemos inúmeros pedidos de todas as partes do mundo", informou Italia, que fala português perfeitamente e diz ter aprendido a rezar o escapulário no Brasil.

"Queremos também colocar à disposição das pessoas músicas e conteúdos sagrados ao alcance do celular", acrescentou. "Afinal, há serviços de todos os tipos, sexo, cinema, esportes, notícias. Mas, para quem gosta de assuntos religiosos, ainda há uma grande carência."

Blasfêmia
Apesar do sucesso, a Conferência Episcopal Italiana (CEI) considerou a iniciativa uma blasfêmia para a Igreja Católica. "É um show pobre sem qualquer relação com a fé", disse o bispo Lucio Soravito de Franceschi, responsável pelos assuntos doutrinários da CEI. "Uma idéia blasfema que irá horrorizar os verdadeiros fiéis."

"Para a Igreja, um santo tem grande virtude heróica, não é alguém que deve ser explorado comercialmente", disse o bispo.

Para Francesco Italia, a posição dos bispos italianos é absurda. "Não tem lógica nenhuma", afirma. "Em todo o mundo, perto dos lugares sagrados, estão centenas de lojinhas vendendo uma quantidade imensa de produtos, incluindo santinhos."

Barbara Labate, sócia de Italia, diz que a idéia não pode ser considerada blasfêmia, ou algo escandaloso. "Os santinhos existem há mais de 600 anos", afirmou. "A única coisa que fizemos foi tirá-los das carteiras e bolsas e colocá-los ao alcance dos celulares."

Francesco Italia afirma que a iniciativa pode se popularizar também no Brasil, por ser um país muito católico e aberto a novas tecnologias.

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