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Von der Leyen será primeira mulher a presidir a Comissão Europeia

Ursula von der Leyen, após a votação em Estrasburgo, no dia 16 de julho  - Frederick Florin/AFP
Ursula von der Leyen, após a votação em Estrasburgo, no dia 16 de julho Imagem: Frederick Florin/AFP

Da AFP em Estrasburgo, França

16/07/2019 18h56

A conservadora alemã Ursula von der Leyen tornou-se nesta terça-feira (16) a primeira mulher eleita para presidir a Comissão Europeia, depois que uma Eurocâmara dividida confirmou, com o mínimo de votos, a decisão dos mandatários de colocá-la à frente do bloco até 2024.

"Sinto-me muito honrada pela confiança depositada em mim, que é a confiança depositada na Europa", disse Von der Leyen depois da votação, pedindo aos deputados para trabalhar "de forma construtiva" por uma Europa "unida e forte".

Apesar de contar com o apoio das principais famílias pró-europeias - seu Partido Popular Europeu (182 eurodeputados), os socialdemocratas (154) e os liberais (108) -, que somam um total de 444, conseguiu "apenas" 383 votos a favor e 327 contra.

"Foi nomeada fora da bolha de Bruxelas, o que explica seu resultado modesto", disse à AFP Jean-Dominique Giuliani, da Fundação Schuman, ressaltando uma "rebelião de socialistas por razões políticas e dos Verdes por razões ideológicas".

Von der Leyen chega ao cargo com um resultado muito apertado, com apenas 9 votos além do mínimo necessário de 374 e abaixo do número do atual titular da Comissão, Jean-Claude Juncker (PPE), que obteve 422 votos em 2014.

Antes da votação secreta em Estrasburgo (nordeste da França), deputados eurocéticos como os italianos do Movimento 5 Estrelas (antissistema, 14) tinham confirmado seu voto na alemã.

"Seu mandato será muito frágil, semelhante a uma UE sem fôlego", comemorou o eurodeputado francês Nicolas Bay, cujo grupo de ultradireita Identidade e Democracia (73) havia anunciado seu voto contra.

Os ecologistas (74) também votaram contra, assim como a esquerda radical (41). O Partido Lei e Justiça polonês (PiS, eurocético) comemorou que o apoio de seus eurodeputados a Von der Leyen tenha sido chave.

A presidente eleita tentou relativizar o resultado. "Em democracia, a maioria é a maioria", disse durante coletiva de imprensa, assegurando que há duas semanas, quando foi nomeada pelos mandatários, nem mesmo a tinha.

Embora se tenha especulado então sobre a possibilidade de adiar sua investidura, como aconteceu em 2009 com o segundo mandato de José Manuel Barroso, isto "os teria obrigado a fazer mais concessões", segundo uma fonte europeia.

"Green Deal"

A candidatura de Von der Leyen, que deixará na quarta-feira o ministério da Defesa alemão, do qual ainda é titular, faz parte de fato de um pacote de altos cargos negociado pelos mandatários em três dias de cúpula em Bruxelas.

A chanceler alemã, Angela Merkel (PPE), elogiou a eleição de uma europeia "convicta e convincente", cumprimentos também reiterados por outros líderes como o socialista espanhol Pedro Sánchez e o português António Costa.

"Parabéns @vonderleyen! Hoje a Europa tem o seu rosto. O rosto do engajamento, da ambição e do progresso. Nós podemos sentir orgulho da Europa. Estaremos ao seu lado para fazê-la avançar", escreveu o presidente francês, Emmanuel Macron, em uma postagem no Twitter.

Além da escolha de Von der Leyen para presidir a Comissão Europeia, o acordo feito entre social-democratas, o PPE e os liberais, reservava ainda a presidência do Conselho Europeu ao liberal belga Charles Michel e a da Eurocâmara a um socialista, e acabou ficando com o italiano David Sassoli.

Este pacto atribui a direção da diplomacia comunitária ao social-democrata espanhol Josep Borrell e a presidência do Banco Central Europeu (BCE) à francesa Christine Lagarde.

A sucessora do luxemburguês Juncker à frente da instituição encarregada de propor novas leis, zelar pelo cumprimento de regras e inclusive negociar acordos comerciais, assumirá o cargo em 1º de novembro.

O início de seus cinco anos de mandato será marcado pela eventual saída do Reino Unido da UE e pelas tensões comerciais mundiais e as tensas relações com os Estados Unidos de Donald Trump.

Perante os deputados, ela se comprometeu nesta terça-feira a propor em seus primeiros cem dias de mandato um "Green Deal", com uma redução mais rápida das emissões de carbono, destinada a fixar a neutralidade climática para 2050.

A alemã também priorizou em seu discurso a política social - um salário mínimo, seguro desemprego e garantias para a infância vulnerável - com a que buscou o apoio de forças progressistas.

Agora, após duas semanas de frenética campanha, deverá completar sua equipe "paritária" de comissários, com a que se comprometeu e com a qual a Eurocâmara terá que dar também seu aval em uma votação prevista para outubro.

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