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Nina Lemos

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Daniel Silveira, que quebrou placa de Marielle, representa ódio a mulheres

Daniel Silveira, quando candidato, rasga placa de Marielle - Reprodução/Twitter
Daniel Silveira, quando candidato, rasga placa de Marielle Imagem: Reprodução/Twitter
Nina Lemos

Nina Lemos é jornalista e escritora e mora em Berlim. É feminista das antigas e uma das criadoras do 02 Neurônio, que lançou cinco livros e teve um site no UOL no começo de 2000. Foi colunista da Folha de S. Paulo, repórter especial da revista Tpm e blogueira do Estadão e do Yahoo. Escreveu também o romance "A Ditadura da Moda".

Colunista de Universa

17/02/2021 12h12

O deputado Daniel Silveira, que foi preso ontem à noite depois de publicar vídeos com ameaças de violência contra membros do STF, é conhecido como "o cara que quebrou a placa da Marielle". Sim, esse parece ter sido "seu grande feito."

Silveira ficou famoso em 2018 por quebrar uma placa de rua com a homenagem a uma mulher vereadora alguns meses depois dela ter sido assassinada com um tiro no rosto. Ele não só arrancou a placa como, junto com o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, e outro candidato do PSL, Rodrigo Amorim, posou com a placa arrancada como se aquilo fosse seu troféu. Há informação de que fragmentos da placa estão emoldurados em seu gabinete, em Brasília.

Como se orgulhar de agredir a memória de uma mulher que era, antes de política, mãe, filha, irmã?

Difícil imaginar uma manifestação de ódio às mulheres mais forte que essa, já que Marielle Franco é também um símbolo de luta contra o racismo e o machismo no mundo todo.

Daniel foi eleito representante desse ódio às mulheres, negros, gays , estudantes e outras pessoas que fazem "o mundo ficar perdido", segundo raciocínio de fanáticos.

Como deputado, ele continua fazendo o que prometeu: espumar ódio e ter atitudes extremistas. Nas redes sociais, ele critica feministas, jornalistas e defensores dos direitos humanos.

Em 2019, ele apareceu de surpresa para fazer uma "vistoria" surpresa ao Colégio Pedro Segundo, no Rio de Janeiro, de novo junto com seu colega Amorim. Eles disseram procurar "material de conteúdo político". A diretoria da escola chamou a polícia e eles saíram sob o coro de alunos que pediam justiça para Marielle.

O deputado também se recusa a usar máscara, o que também tem feito com que ele "chame atenção". Em janeiro, depois de discutir com funcionárias e funcionários da Gol por se recusar a usar máscara, a polícia teve que ser chamada ao aeroporto de Guarulhos.

O deputado não parece disposto a parar de brigar e causar (e desrespeitar mulheres).

Depois de ter sido preso, ele foi levado ao IML, onde discutiu com uma policial mulher que pediu que ele usasse máscara. "Se a senhora falar mais uma vez, eu não boto. Me respeita que você não está falando com um vagabundo não. A senhora é policial, e daí? Eu também sou polícia e deputado federal".

Depois de ficar famoso como "o cara que quebrou a placa da Marielle", ele parece disposto a ficar famoso como "o deputado que não usa máscaras e bate boca com mulheres por aí. E pode até ser que ele conquiste, realmente, popularidade por isso. Sim, existe gente que se identifica com esse ódio.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL