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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

OnlyFans, um ano depois: saldo da minha experiência na rede social sexy

Angelica Morango no OnlyFans - Arquivo pessoal
Angelica Morango no OnlyFans Imagem: Arquivo pessoal
Conteúdo exclusivo para assinantes
Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

13/04/2022 04h00

"O que é esse OnlyFans?", refleti, enquanto dava de cara com dezenas de notícias sobre o site depois da atriz Bella Thorne, ex-Disney, criar uma conta lá. Bella teria faturado cerca de R$ 11 milhões em uma única semana, em agosto de 2020, e portais do mundo todo começaram a repercutir incessantemente o assunto.

Desde então, outras famosas como Cardi B e Anitta, além de atletas e influenciadores famosos aderiram à plataforma. O OnlyFans foi criado há seis anos, mas passou a fazer um sucesso estrondoso há menos de dois, no auge da pandemia, período em que o consumo de conteúdo e de produtos eróticos disparou: segundo o portal Mercado Erótico, o número de negócios triplicou em 2020 em relação a 2019. Mas você não chegou até aqui só pelos números, né?

Só pra maiores

Todas as minhas fotos são autorretratos - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Todas as minhas fotos são autorretratos
Imagem: arquivo pessoal

O site é bem parecido com o Instagram, tanto visualmente quanto nas funcionalidades, e também tem stories e espaço para conversas privadas, por exemplo. A diferença é que a maioria dos produtores de conteúdo do OnlyFans publica o que o Instagram vetaria, como nudez, o que faz com que a plataforma só permita o acesso de maiores de 18 anos.

E, afinal, o que leva alguém a pagar de R$ 25 a R$ 150 por mês por uma assinatura? Primeiro, por curiosidade; depois, por exclusividade.

"The girl next door"

- Sou jornalista, atriz profissional e fotógrafa e já publiquei dois zines de nudez, o Eight Fanzine  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
- Sou jornalista, atriz profissional e fotógrafa e já publiquei dois zines de nudez, o Eight Fanzine
Imagem: Arquivo pessoal


Nas redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook), tenho mais de 400 mil seguidores, e nelas me exponho e me posiciono de forma pessoal. Já no Only, a proposta é outra, sou uma personagem, "a vizinha da casa ao lado".

Provocar o lado voyeur das pessoas é o que o BBB faz com esmero, aliás. Como muita gente me acompanha desde a minha participação no reality, optei por manter essa linha. Em um ano, publiquei mais de 500 fotos e vídeos na plataforma, liberando "aquela espiadinha" em alguns dos meus momentos mais íntimos.

E o que eu já ganhei com isso? Além de dinheiro, mais autoconfiança. Entrei na plataforma num momento em que a minha autoestima estava no subsolo e alguns problemas particulares me tiravam o sono (e a gente enfrentava o ápice da pandemia, lembra?).

Se a minha conta no Only flopasse e eu não tivesse assinantes, seria uma boa experiência para contar na minha autobiografia. Se desse certo, seria incrível, já que além de histórias eu teria fotos ótimas para colocar no livro. Deu super certo, também na parte financeira: só no primeiro mês, ganhei R$ 8 mil.

Quem são meus assinantes e o que querem

Angelica Morango no OnlyFans - arquivo pessoal - arquivo pessoal
Provocar o lado voyeur das pessoas é o que o BBB faz com esmero, aliás. Como muita gente me acompanha desde a minha participação no reality, optei por manter essa linha.
Imagem: arquivo pessoal


Nas redes sociais, 80% do meu público é feminino. No Only, essa proporção se inverte: 80% dos assinantes são homens - o que pra mim foi uma surpresa. A grande maioria, aliás, apenas acessa o conteúdo, sem curtir ou comentar, como acontece com a maior parte dos seguidores do Instagram também. Apenas cerca de dez por cento dos meus assinantes faz alguma pergunta inbox. E as duas maiores curiosidades deles são: se sou realmente lésbica e se meus seios são naturais.

Já falei sobre as duas coisas incontáveis vezes (sou lésbica e coloquei silicone), mas lembra quando ali acima comentei sobre a exclusividade? É isso que faz com que as pessoas queiram pagar pra assinar. Se quisessem só assistir a conteúdo adulto, inclusive muito mais explícito, poderiam buscar em sites que oferecem de graça, como o XVideos. A possibilidade de acesso direto ao produtor de conteúdo é que faz a diferença.

Nem todas as mensagens que recebo no Only têm esse tom amistoso, entretanto. De palavrões e convites indecorosos a nudes não solicitados, eu já recebi de tudo. Como aconteceu muitas vezes no Instagram, Twitter e Facebook. Reajo da mesma forma sempre: denunciando à plataforma e bloqueando. E sigo o baile sem ficar me preocupando com esse um por cento vagabundo.
Não é tão difícil quanto pode parecer, nem tão fácil a ponto de qualquer um conseguir segurar a marimba. No fim, como em todos os trabalhos que realizo, só quero olhar pra trás e ter orgulho do que fiz. Por enquanto tá rolando.