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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Algemas, chicotes e palmatórias: um passeio de domingo por uma sex shop

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Imagem: iStock
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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques

https://universa.uol.com.br/colunas/morango

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

30/12/2021 04h00

No fim da tarde um domingo quente - literalmente, já que a sensação era de dois sóis para cada um em Balneário Camboriú (SC), eu quis ir a uma sex shop. A última vez em que tinha ido presencialmente a uma tinha sido há 84 anos... Mentira, há 6, mas foi a trabalho, para uma reportagem do UOL.

O segmento se expandiu vertiginosamente de lá pra cá, sobretudo durante a quarentena: segundo a ABEME, Associação Brasileira de Empresas do Mercado Erótico, em 2017 o setor movimentou R$ 1 bilhão no Brasil. Em 2020, esse número saltou para R$ 2 bilhões, o que representa cem por cento de crescimento em quatro anos.

Prazer e leveza

Chicotes, algemas e palmatórias: "Achei que fosse material de construção" - Foto: Arquivo pessoal - Foto: Arquivo pessoal
Chicotes, algemas e palmatórias: "Achei que fosse material de construção"
Imagem: Foto: Arquivo pessoal

O passeio libertino que fiz no último domingo me trouxe algumas reflexões e despertou a curiosidade de amigos no Instagram, onde compartilhei umas fotos.

Como BDSMer, babei na parede com algemas, chicotes e palmatórias. Olhando a imagem rápido, um amigo comentou que achava que se tratar de material de construção. "Outro tipo de construção", respondi, rindo. "Construção da putaria", ele brincou. E é sobre isso. O maior aliado do prazer é a leveza.

Os produtos de sex shops costumam ser entregues em embalagens discretas, como essas. Não parecem até pãezinhos? - Foto: Arquivo pessoal - Foto: Arquivo pessoal
Os produtos de sex shops costumam ser entregues em embalagens discretas, como essas. Não parecem até pãezinhos?
Imagem: Foto: Arquivo pessoal

"Se todos conhecessem a intimidade sexual uns dos outros, ninguém cumprimentaria ninguém", cravou certa vez Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico. Muahahaha! Será?

A pioneira

Um fato curioso sobre a história desse mercado é que o conceito de lojas de produtos eróticos, sex shops, foi desenvolvido por uma mulher justamente no pós-Segunda Guerra (um período de luto, medo e inquietação, similar ao provocado pela pandemia).

Nascida em 1919, filha de um fazendeiro e uma médica, Beate Uhse foi a pioneira em lojas de artigos sexuais.
Pilota de voos acrobáticos desde os 18 anos, ela se casou com seu instrutor, Hans-Jürgen Uhse, com quem teve um filho. Pouco tempo depois, Hans faleceu em um acidente aéreo, e Beate chegou ao posto de capitã da Luftwaffe, a Força Aérea Alemã.

Com o fim do conflito mundial em 1944, Beate ficou proibida de voar e se mudou com o filho para Flensburg, uma cidade no norte da Alemanha. Lá, começou a vender produtos a domicílio para se manter. O principal deles era um guia com os ensinamentos que tinha recebido da mãe, com informações sobre métodos contraceptivos e educação sexual, o 'Schrift X'.

Em 1947, 32 mil cópias do manual tinham sido vendidas, o que gerou capital para que ela ampliasse a linha de produtos ofertados. Preservativos, livros, pomadas e revistas eróticas passaram a integrar seu catálogo. Dez anos depois, Beate fundava a primeira loja física de produtos sexuais do mundo, na Alemanha. Até seu falecimento em 2001, aos 81 anos, por pneumonia, ela tinha conquistado um império com mais de 200 sex shops pela Europa.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL