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Débora Miranda

REPORTAGEM

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Tatiana Weston-Web diz que Olímpiada deu maior visibilidade ao surfe

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Débora Miranda

Débora Miranda é jornalista e editora do UOL. Neste blog, conta histórias de mulheres no esporte, mostrando como a atividade física pode transformar vidas e o mundo.

Colunista do UOL

06/07/2021 04h00

O surfe é um dos esportes que estrearão como modalidade olímpica neste ano, em Tóquio, e o Brasil conta com quatro representantes de peso na disputa: Gabriel Medina, Ítalo Ferreira, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb.

Apaixonada por futebol, Tatiana nasceu em Porto Alegre, mas com poucos meses de vida se mudou com a família para Kauai, no Havaí. A mãe é a brasileira e ex-bodyboarder Tanira Guimarães, o pai, o surfista inglês Doug Weston-Webb, criado e radicado nos EUA. Assim, a prancha logo tomou o lugar da bola, e a jovem escolheu que viveria mesmo no mar.

Com dupla cidadania, foi escolha dela representar o Brasil nos Jogos Olímpicos. "Foi algo que eu senti no meu coração. E estou muito orgulhosa." A poucas semanas do início da competição, ela celebra que o surfe tenha finalmente sido reconhecido como esporte olímpico. "Hoje em dia, é possível ter uma carreira bem legal com nosso esporte. E dá para ver que está crescendo bastante."

Leia, abaixo, trechos da entrevista.

A surfista Tatiana Weston-Webb - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
A surfista Tatiana Weston-Webb
Imagem: Reprodução/Instagram

Universa - Você vem de uma família de surfistas e, desde pequena, vive no Havaí, embora tenha nascido no Brasil. Como tudo isso influenciou na sua decisão de ser surfista?

Tatiana Weston-Webb - A minha família sempre amou qualquer esporte. Crescendo em Kauai, eu sempre tive o mar em volta e [ser sufista] foi uma coisa bem natural. Eu jogava futebol, mas depois eu comecei a surfar —porque eu fazia tudo o que o meu irmão fizesse [risos]. Ele começou a surfar, e segui ele. Mas acabei ficando viciada.

Como era essa sua paixão pelo futebol?

Eu jogava bastante e amava. Queria competir, queria ir para o Mundial, tudo isso. Mas o técnico não me colocava nos jogos, e eu odiava. Fiquei com raiva e sabia que no surfe eu não precisava esperar o técnico me colocar. Eu simplesmente ia. Então, quando eu tinha uns 13 anos, minha mãe me disse que eu deveria escolher, pois poderia ser boa no esporte. Aí eu falei: 'O surfe, com certeza. Porque eu posso ir quando quiser e posso ficar quantas horas eu quiser dentro do mar'.

Muitas meninas não têm essa sorte, de ter uma família que incentiva e apoia. O Brasil também não é um país que tem um olhar tão voltado para os esportes. Como você acha que pode influenciar e encorajar outras meninas a praticarem surfe?

O Brasil é bem diferente, mesmo. Mas meu objetivo é inspirar as meninas a correr atrás dos sonhos delas. Ter essa coragem não é fácil, mas elas precisam de apoio. Isso é superimportante.

O que mudou no surfe desde que ele foi reconhecido como modalidade olímpica?

Antes, o surfe não era um esporte respeitado como tendo nível para chegar às Olimpíadas. Mas agora é possível ter uma carreira bem legal com nosso esporte. E dá para perceber que está crescendo bastante. Tenho visto várias meninas no Brasil surfando, começando a amar o surfe. Fico muito orgulhosa disso.

A surfista Tatiana Weston-Webb - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Tatiana tem dupla cidadania, mas decidiu representar o Brasil em Tóquio
Imagem: Reprodução/Instagram

Quais são as suas expectativas para as Olimpíadas?

É difícil criar expectativas, porque é um evento novo, um formato novo, que ninguém competiu ainda. Mas eu sei que meu surfe está em um nível alto, que merece estar lá e tem grandes chances de ganhar uma medalha. Esse é meu objetivo.

Como foi e o que motivou a sua decisão de mudar de país e passar a representar o Brasil?

Logo que eu entrei no Tour [campeonato da WSL, liga oficial de surfe], em 2015, o comitê olímpico disse que eu poderia mudar de país. Mas, naquele momento, estava muito focada em melhorar meu surfe.

Só há um ano comecei a realmente pensar nisso. Eu sinto muito orgulho de representar o Brasil, foi algo que eu senti no meu coração muito mais do que ser americana. E minha mãe também está muito orgulhosa.

A surfista e o marido, Jessé Mendes - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
A surfista e o marido, Jessé Mendes
Imagem: Reprodução/Instagram

Você é casada com o também surfista brasileiro Jessé Mendes. Como é viver sempre junto, poder viajar, competir e fazer as mesmas coisas?

A gente é muito abençoado. É muito legal, de verdade. É incrível. Competir do lado dele e viajar com ele. Eu gosto muito disso. A gente ajuda um ao outro e sempre está levantando o outro. Está sempre encorajando o outro. É superespecial.

A liga de surfe foi uma das primeiras a equiparar premiação entre homens e mulheres. Qual é a importância disso?

Nós, surfistas mulheres, ficamos orgulhosas. Todo o mundo ficou em choque [quando a decisão foi divulgada], mas era muito importante que isso acontecesse, até para mostrar aos outros esportes a grande importância de ter igualdade. E também abriu os olhos dos homens. Acho que eles nunca acreditaram que isso pudesse acontecer. Mas aconteceu.

No Brasil e em muitos outros lugares do mundo, cada vez mais atletas têm se posicionado politicamente e também sobre a pandemia, incentivando as pessoas a se cuidar, a ficar em casa ou mesmo a tomar vacina. Para você é importante se posicionar?

Acho que cada um pode escolher se quer falar ou não. As pessoas são diferentes. Mas é importante dizer o que você sente. E, para mim, essa pandemia é bem forte. A decisão, no final, é das pessoas, e ninguém pode influenciar. Mas é bom encorajá-las a se cuidar e a ficar mais saudáveis.