PUBLICIDADE

Topo

Ana Paula Xongani

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Em 2022 não será possível fugir dos conflitos

Ter coragem e confiança para lidar com conflitos será essencial neste ano - Getty Images/iStockphoto
Ter coragem e confiança para lidar com conflitos será essencial neste ano Imagem: Getty Images/iStockphoto
Conteúdo exclusivo para assinantes
Ana Paula Xongani

Ana Paula Xongani é multiempresária: no Ateliê Xongani, de moda afro-brasileira, e também na empresa que leve o seu nome, de criação de conteúdo. Apresenta o programa Se Essa Roupa Fosse Minha, no GNT, sobre moda consciente. Fala com leveza e responsabilidade sobre temas sempre importantes para que todo mundo junto construa um mundo mais justo e acolhedor para todos, especialmente para as mulheres pretas. Ativismo afetivo, como costuma dizer.

Colunista do UOL

08/01/2022 04h00

Bora começar 2022?

Minha primeira coluna do ano é para falar sobre algo a que considero muito importante - e prudente - estarmos atentas. Mas, antes, uma pergunta! Você já ouviu falar nas teorias do conflito?

O conflito e seus desdobramentos são temas importantes e recorrentes nos estudos sobre a sociedade e têm várias abordagens teóricas. Feminismo e marxismo, por exemplo, trazem em suas narrativas alguma versão da teoria do conflito, que investiga a importância de tudo o que produz discordância, tensão e rivalidade entre as pessoas que, eventualmente, compartilham o mesmo espaço, os mesmos territórios.

Sempre que falo sobre esse assunto, digo que conflito não é necessariamente negativo. Pode sim ser algo positivo, mas de qualquer forma precisamos estar preparadas para ele. Conflito não é disputa. Algo conflituoso pode ser - e acho que quase sempre é - um lugar, um momento onde várias opiniões estão postas; em que as pessoas precisam aprender a lidar com o outro, com o outro que é, pensa e age diferente da gente.

E por qual razão quero que essa seja a primeira coluna do ano? Porque sim! 2022 será um ano MUITO conflituoso.

Trata-se de um ano eleitoral, em um país mergulhado nessa discussão, sobretudo em razão dos efeitos colaterais negativos da atual gestão nas mais diferentes áreas. Seguimos em um contexto pandêmico oscilante. Seguimos também em crise econômica. Teremos também uma Copa do Mundo, que é sempre uma exaltação.

Então, 2022 é um ano em que o conflito está posto. Vai ter gente querendo sair, gente querendo ficar, gente com dinheiro, gente passando fome, gente com opiniões contrárias na política, inflamadas com os resultados dos jogos. Não será tranquilo. Intensidade? Temos!

Aprender a lidar com conflitos é, portanto, uma estratégia inteligente para lidar com um ano como 2022 se desenha. É melhor estar preparado que em negação, ok? Ok!

Por vezes, nosso impulso, quase uma defesa, é fugir de conflitos, mas digo com segurança que, nesse ano, isso não será possível. E sabe por quê? Porque, geralmente, quando encontramos um conflito é como se algo estivesse nos pedindo para balançar o tapete, sabe? Tirar as coisas de baixo, avaliar o que é bom e o que é ruim. O que fica? O que sai? O que precisa ficar, fica como? O que precisa sair, sai como?

O conflito tem também uma tendência importante: organizar. Penso que é isso que precisamos buscar quando lidarmos com situações conflituosas.

E o que eu anuncio com essa primeira coluna é que, ao longo de todo o ano de 2022, quero, neste espaço, trazer olhares sue contribuam com o conflito, não fugir deles. Vou seguir, sempre a partir da lente que trago pra cá, da relação entre moda e sociedade, buscar o diálogo, buscar soluções para tecer as estruturas que seguirão organizando a vida que compartilhamos por aqui.

Quem vem comigo?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL