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Ana Canosa

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Pesquisa revela quanto tempo uma mulher leva em média para gozar

Jacob Wackerhausen/Getty Images/iStockphoto
Imagem: Jacob Wackerhausen/Getty Images/iStockphoto
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista de Universa

18/09/2021 04h00

O orgasmo feminino tem suas especificidades. O clitóris tem aparecido como um órgão essencial para dispará-lo, sendo o tal "orgasmo vaginal" na verdade o resultado da estimulação de todas as terminações nervosas presentes na estrutura clitoriana interna.

Uma pesquisa publicada recentemente no The Journal Sexual Medicine, mediu em minutos, o tempo médio que uma amostra de 645 mulheres de 20 países levou para atingir o clímax em relações heterossexuais monogâmicas. Os pesquisadores também correlacionaram o efeito da idade, duração do relacionamento, posição durante a relação sexual e atividades sexuais não penetrativas adicionais.

Usando o cronômetro dos seus smartphones, as mulheres o disparavam quando se sentiam adequadamente excitadas e finalizavam quando alcançavam o orgasmo.

O estudo não encontrou diferença estatisticamente relevante no tempo nas variáveis idade, duração do relacionamento, estado civil, número de relações sexuais e frequência. O tempo médio para alcançar o orgasmo foi de 13,5 minutos.

31,4% das mulheres relataram ter alcançado orgasmo apenas com a penetração, enquanto o 68,6% das participantes relataram que precisavam de práticas e manobras adicionais para atingi-lo. Lamber, beijar, sexo oral e morder certas partes do corpo foram as atividades adicionais mais relatadas (32,43%). Sucção de axilas, introdução do dedo no ânus, estimulação dos mamilos, lambidas nas solas dos pés e nas coxas foram as mais populares.

Sobre a exclusividade da penetração vaginal para o orgasmo, a posição com a mulher por cima foi registrada como a mais favorável. Quando as mulheres fazem movimento de balanço da pélvis e do tronco, para frente e para trás promovem uma fricção do clitóris mais eficaz. Esse dado reforça a sua importância na excitação sexual feminina.

Aliás, uma postura feminina mais ativa durante a relação sexual é associada com um tempo mais curto para atingir o clímax em outros estudos. Muitas pessoas ainda nutrem a crença de que o homem é quem deve ser o desejante na relação e que, mesmo que se saiba que é o clitóris o grande responsável pelo prazer da mulher, é função masculina estimulá-lo. Daí decorre que a mulher com atitude mais passiva fica sujeita a falta de habilidade na manipulação ou no sexo oral, a preguiça ou o egoísmo, que as deixam a ver navios ou pensando que há alguma coisa de errado com a sua resposta sexual.

Se os homens tem uma sexualidade mais genitalizada, centrada na estimulação peniana, e se uma relação sexual com penetração dura em média 7 minutos, comparadas aos homens, o tempo médio de estimulação necessária para uma mulher chegar ao orgasmo é quase o dobro. Isso significa que para um casal adequar o ritmo e provocar prazer em ambos, é preciso ampliar a relação, abusando de outros estímulos, antes, durante e depois.

Vibradores que estimulam o clitóris fazem sucesso justamente porque encurtam o tempo, já que os desencontros no tempo de excitação são comuns. Também, mulheres com melhor força muscular do assoalho pélvico tendem a ter uma melhor função orgástica, o que ajuda a alcançar o clímax mais rápido.

Claro que uma relação sexual mais lenta, tende a ser muito prazerosa para ambos, mas nem sempre um casal tem tempo e disposição para curtir um momento tântrico. A variação na intenção sexual também possibilita ter vivências diferentes no erotismo: às vezes uma rapidinha, mesmo que sem orgasmo, pode provocar uma experiência erótica positiva; já quando ela acontece sempre provavelmente será considerada invasiva e desprazerosa.

Como nem todas as relações sexuais acontecem entre pessoas que tem intimidade suficiente para adaptar estilos, a autonomia sexual é fundamental para garantir o prazer feminino. Portanto, comunique-se. Recomendo fortemente que as mulheres adotem também o hábito de estimularem seu próprio clitóris durante a penetração.

Orgasmo feminino é tema do "Sexoterapia"

Vivemos uma época em que a liberdade sexual da mulher é cada vez mais discutida e exaltada. Mesmo assim, pesquisas mostram que a grande maioria das mulheres ainda tem dificuldade em gozar. Por que será que isso acontece?

No 61º episódio do podcast "Sexoterapia", Ana Canosa e Bárbara dos Anjos Lima, editora de Universa, discutem com a convidada Laís Conter, criadora da página de cantadas @me_lambelambe e sócia da plataforma de áudios eróticos Tela Preta, sobre a nova busca pelo orgasmo feminino. Entre os relatos das ouvintes, uma que só consegue gozar quando se masturba e uma que - depois de muitas tentativas - finalmente descobriu o que a leva ao orgasmo com direito a squirting.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL