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Ana Canosa

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Dia do Orgasmo: por que é impossível competir com o sugador de clitóris

Gabriela Cais Burdmann
Imagem: Gabriela Cais Burdmann
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Ana Canosa

Ana Canosa é psicóloga clínica, sexóloga, professora, escritora e comunicadora. Apresenta o podcast Sexoterapia, em Universa/UOL. Sendo há 28 anos testemunha das mais diferentes histórias afetivas, é categórica em afirmar que muitas vezes, só o amor não é suficiente. Fala de sexualidade desde que se entende por gente, unindo seus estudos acadêmicos com a experiência clínica e seu olhar de observação do mundo.

Colunista do Universa

31/07/2021 04h00

Hoje, 31 de julho, é celebrado o Dia do Orgasmo. A data, criada em 1999, por uma rede de sex shops britânica, para incentivar o debate sobre uma vida sexual mais satisfatória. Para aproveitar a data, vou falar justamente do sex toy queridinho do autoerotismo feminino do momento: o sugador de clitóris. O aparelho mais parece aquele que a otorrinolaringologista coloca no seu ouvido, sem a pontinha -ele tem um bocal aberto e oco, que envolve a glande do clitóris sem tocá-lo e aí é que está o pulo do gato.

Como o próprio nome diz, ele suga o clitóris em movimentos rítmicos, com intensidade regulável. A promessa é a de que você consegue atingir um orgasmo em míseros 2 minutos - comparados aos quase 15 que algumas mulheres levam, é uma potência revolucionária.

O que ele tem que bocas e mãos não tem? Facilmente adaptados a necessidade individual na pressão e constância. A facilidade para ter um orgasmo é simplesmente espantosa. Para não ficar "na mão", sugiro usar os alimentados por fonte USB, que levam muito mais tempo para descarregar - as pilhas são coisas do passado.

Mas é claro que mãos, bocas, e línguas fazem falta, na verdade ter um orgasmo com um vibrador em um momento individual reforça a autonomia, mas é muito diferente do que estar em uma relação sexual com outra pessoa, e isso tem prós e contras

Algumas mulheres têm relatado sobre a dificuldade de obtenção de orgasmo que não seja com a masturbação. Quando estão sozinhas, podem usufruir do mergulho nas fantasias sexuais prediletas, não há um corpo por cima de você, nem uma pessoa gemendo, ou falando algo que não te excita.

Com o uso do sugador de clitóris, a constância do estímulo não sofre interferência, ninguém muda de posição de repente. Clitóris é um órgão muito sensível, com 8 mil terminações nervosas, todas ali presentes naquele capuz ou glande de pouco mais que 1 cm, que fica visível na genitália feminina. Isso faz com que muitas vezes, um movimento diferente possa facilmente incomodar ou doer, cortando todo a excitação que vinha em uma crescente. Nessas horas é preciso abandoná-lo um pouco e retornar mais tarde. Clitóris é maravilhoso, mas tem vida própria. O diferencial do sugador de clitóris é justamente que ele tem um bocal aberto e oco, que envolve a glande do clitóris sem tocá-lo, o que evita atrito.

Vale lembrar que esse órgão erétil se projeta internamente entre os pequenos lábios, favorecendo que boa parte da vulva seja bastante excitável.

Ainda em se tratando de masturbação feminina, o sugador de clitóris leva vantagem por se tratar de um objeto com quem se pode explorar até esgotar toda a sua energia: não há preocupação se a outra pessoa terá cãimbra na língua ou travará a mandíbula, se o seu corpo ou sua performance estão do agrado. Mulheres foram condicionadas ao cuidado e com frequência ficam sensibilizadas pelo esforço alheio; com um sugador e simplesmente se entregam sem reservas para a experiência de prazer.

Certamente que mulheres podem ter preciosos orgasmos com um vibrador, pois tudo depende do quanto excitadas estão, mas a experiência pode também ser bem mecânica, um prazer mais localizado no órgão.

A pele é certamente uma fonte de grande excitação e outros órgãos do corpo também funcionam como fonte de energia excitatória. A não ser que a mulher esteja com um alto nível de tensão sexual, a experiência do orgasmo com um sexy toy não supera um encontro sexual de qualidade, quando todo o corpo está sendo estimulado

Vale ressaltar que, se uma mulher também se habitua a encontrar como fonte de excitação os filmes pornográficos, que produzem uma resposta muito instantânea do centro de recompensa cerebral, aliado ao estímulo do vibrador, o jogo erótico com outra pessoa pode ser mais desafiador, e essa mulher precisar de mais tempo para se excitar.

Muitas vezes o ritmo do casal se desencontra ou a mulher desiste de insistir na experiência sensorial, sendo invadida pelos pensamentos de "está demorando muito"..."não vou gozar desse jeito". Abandonar um pouco a prática masturbatória e o acesso aos vídeos, para descondicionar o corpo e focar nas sensações pode ser uma saída, para quem se incomoda ou não consegue levar o sex toy para a relação.

Aliás, essa é uma boa indicação para favorecer que o orgasmo seja mais facilmente disparado durante o sexo a dois: usá-lo para incrementar a experiência, ajudando que a excitação siga em uma crescente. Muitas mulheres adoram que ele seja usado junto da penetração. No entanto, em relações heterossexuais, é preciso explicar aos homens que isso não significa que o pênis dele não importa, que ele não seja desejado ou que é um parceiro ruim. Não é nada pessoal.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL