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Deu Tilt #11: 'Adolescente tiozão é uma praga', critica Leandro Karnal

Thiago Varella

Colaboração para Tilt

21/08/2020 04h00

Você gostaria de viver para sempre? Ou quem sabe por bem mais do que 100 anos? Estamos cada vez mais perto de prolongar bastante a vida humana. E isso vai trazer inúmeras consequências para nossa sociedade. Para o historiador Leandro Karnal, a vida eterna não é necessariamente algo positivo. Ele falou sobre esse tema com o colunista Ricardo Cavallini, o Cava, no nono episódio do nosso podcast de ciência e tecnologia, o Deu Tilt (ouça no arquivo acima).

Para Karnal, o ideal é a gente conseguir viver com qualidade pelo maior tempo possível (ouça a partir de 17:54).

"Eu acho que a gente tem que amadurecer o mais rápido possível psiquicamente e tentar manter a força jovem. Mas, pessoalmente, não acho a longevidade um grande benefício para as pessoas. Nós devemos viver bem uma certa quantidade de anos. Mas qual é essa quantidade?", questionou Karnal.

O historiador citou um personagem encontrado, infelizmente, em vários lugares na nossa sociedade. O chamado adolescente tiozão é produto de um fenômeno dos nossos tempos (ouça a partir de 17:10).

"Hoje, temos o conceito de adolescência estendida e ele se transformou no adolescente tiozão. Aquele adolescente de piadinha infame, de sentido erótico, preconceituoso. O adolescente tiozão é uma praga que eu gostaria que morresse logo, que não durasse. Porque ele é a praga do churrasco, do sobrinho que completa 24 anos, do pavê que chega à mesa. Ele é um adolescente babaca já com perda de colágeno", brincou.

Karnal considera que seria ótimo se pudéssemos viver como Benjamin Button, o já clássico personagem da literatura que virou filme estrelado por Brad Pitt. Button nasce velho e morre jovem (ouça a partir de 21:06).

"Quando você tivesse uma longa experiência de vida e tivesse a cabeça perfeitamente formada, você teria 20 ou 15 anos. É uma ideia de que a plena potência física é acompanhada de deficiências de julgamento. E quando você tem a plena potência de julgamento, ela vem com deficiências físicas. Então não existe um momento muito equilibrado", afirmou.

"Tem gênios da história que morreram com 27 anos, tem imbecis que se foram aos 115. Qual é a medida? É um pouquinho difícil dizer. Mas simplesmente viver muito não é bom", completou.

Referências citadas

  • Filme: O Curioso Caso de Benjamin Button
  • Filme: A Balada de Narayama
  • Livro: Sapiens: Uma Breve Historia da Humanidade, de Yuval Noah Harari