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Ancestral de aracnídeos viveu em mares há meio bilhão de anos, diz pesquisa

Do UOL, em São Paulo

16/10/2013 14h03

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e do Museu de História Natural de Londres, na Inglaterra, relata a descoberta de uma espécie ancestral de animal marinho que, no curso da evolução, deu origem a aranhas e escorpiões. A notícia é destaque da revista Nature publicada nesta quarta-feira (16).

Com três centímetros de comprimento, Alalcomenaeus pertencia à família dos artrópodes (composta por animais invertebrados, com exoesqueleto rígido e vários membros articulados) e vivia em oceanos há 520 milhões de anos. 

O subgrupo de artrópodes marinhos a que a nova espécie pertence leva o nome de megacheira, palavra derivada do idioma grego e que faz alusão às garras que esses animais possuíam.

Essas garras eram presas à cabeça do animal e, provavelmente, usadas para fins sensoriais ou de caça. Já o corpo alongado da espécie, que lembra uma centopeia, era equipado com dezenas de pares de pernas, fazendo com que ela pudesse tanto rastejar quanto nadar.

O elo do megacheira com aranhas e escorpiões pôde ser estabelecido a partir da observação do sistema nervoso da criatura, encontrado fossilizado em excelente estado de conservação pelos pesquisadores no Sudeste da China. 

"Nós agora sabemos que os megacheiras tinham sistemas nervosos centrais muito similares aos hoje encontrados em escorpiões. Isso mostra que esse ancestral dos aracnídeos viveu lado a lado com os ancestrais dos crustáceos", diz Nicholas Strausfeld, professor de neurociência da Universidade e que chefiou o estudo.

Trajetórias distintas

Segundo a pesquisa, "o fóssil mostra a típica estrutura cerebral vista em aranhas e escorpiões: três fileiras de células nervosas agrupadas no cérebro e ligadas a outras glândulas do animal".

Isso, apontam os pesquisadores, diferencia o megacheira dos crustáceos, cujas fileiras de células nervosas cerebrais não se agrupam e são conectadas por longos nervos.

Strausfeld considera a descoberta "empolgante" porque mostra que duas diferentes classes de animais já existiam, com duas trajetórias evolutivas distintas. "Isso sugere que o ancestral comum a elas deve ter existido muito antes disso."

Ele espera encontrar mais fósseis em bom estado de preservação para desvendar a espécie que originou, por sua vez, os crustáceos e as megacheiras. "Eles têm de ter vindo de algum lugar. Já começamos a procurá-lo."

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