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Dupla diz que Universo é curvo e contraria teoria consolidada

Do UOL, em São Paulo

26/09/2013 06h00Atualizada em 26/09/2013 20h42

Um estudo conduzido por uma dupla de cosmólogos, nome dado aos cientistas que se especializam na pesquisa do cosmos, ousa ao contrariar uma teoria consolidada há décadas: a de que o Universo é plano. De acordo com pesquisa feita por Andrew Liddle e Marina Cortês, da Universidade de Edimburgo, no Reino Unido, toda a existência do que conhecemos por vida está, na verdade, contida em um ambiente curvo, com formato convexo, semelhante ao de uma ondulação.

A afirmação dos cientistas é destaque no meio científico e nas páginas da mais recente edição do periódico Physical Review Letters.

Para corroborar sua tese, Liddle e Cortês analisaram evidências compiladas por um equipamento da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) em 2004, que já apontava uma assimetria no Universo.

À época da divulgação dos dados do equipamento, porém, especialistas duvidaram de sua veracidade, acreditando que um outro equipamento que viria a ser lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês) traria dados condizentes com um Universo plano. Entretanto, os resultados do equipamento da ESA também apontaram para um modelo curvo.

Ao combinar os dados obtidos pela Nasa aos da ESA, os pesquisadores passaram a afirmar que, sim, o Universo é assimétrico.

Segundo o estudo da dupla, a explicação para isso remeteria ao período que se sucedeu imediatamente após a formação do Big Bang, a grande "explosão" cósmica que deu origem ao Universo.

Neste momento, o Universo teria se expandido em diferentes magnitudes e direções em uma fração de segundo, dando origem ao formato curvo que a dupla alega ter descoberto. Liddle e Cortês se referem a esse período usando um desdobramento de uma teoria chamada "inflação cósmica".

Origem do Universo

Contudo, parte da comunidade científica põe em xeque a descoberta dos pesquisadores, alegando que essa versão seria mais um acaso estatístico e comparando-o, por exemplo, à probabilidade de que uma moeda caia com a mesma face virada para cima por mais de mil vezes consecutivas.

"Se as anomalias registradas em nosso estudo se comprovarem, elas podem oferecer um conhecimento sem precedentes e em grande nível de detalhes sobre o início do Universo", disse Liddle à revista Nature, uma das mais respeitadas no meio científico.

O cientista reconhece que a descoberta ainda é uma "especulação" e que mais medições baseadas nos novos dados devem ser feitas para determinar se, afinal, estamos todos inseridos em um universo plano ou curvo.

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