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Clima influenciou surgimento e sonoridade de idiomas, diz pesquisa

Do UOL, em São Paulo

14/06/2013 19h42

Estudo conduzido pela Universidade de Miami, nos Estados Unidos, aponta que o clima teve influência direta no surgimento de idiomas e na forma como eles soam. O ar rarefeito de altas altitudes facilitou o desenvolvimento e pronúncia de certas consoantes.

Até recentemente, cientistas acreditavam que o meio-ambiente teria influenciado mais o vocabulário do que o som dos idiomas.

O trabalho, publicado no jornal online Public Library of Science ONE, aponta que idiomas com muitas consoantes ejetivas, também chamadas de surdas —pronunciadas por meio de não-vibração da laringe com fechamento simultâneo da glote, inexistentes no português e no inglês, por exemplo— surgiram principalmente em comunidades localizadas a altas altitudes. Isso devido ao fato de que a pronúncia dessas consoantes é facilitada pelo ar mais rarefeito das montanhas.

O estudo conduzido pelo cientista Calleb Everett aponta que 87% dos idiomas com consoantes ejetivas ocorrem em locais situados a até 500 quilômetros de montanhas. "Isso é uma forte evidência de que a geografia influencia a fonética", afirma Everett. "O resultado nos surpreendeu. Não se baseia apenas em interpretação e sim numa evidente relação de altitude e idioma."

Idiomas com consoantes ejetivas foram encontrados em localidades da América Latina, América do Norte, África, Ásia e Europa Central. A pesquisa avaliou 600 idiomas observados ao redor do mundo, sendo que 92 deles apresentavam consoantes ejetivas.

No mundo, são falados 7.000 idiomas, segundo dados do trabalho, intitulado Evidências da Influência Direta da Geografia nos Sons Linguísticos: O Caso das Ejetivas.

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