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Cientistas acham restos de ornitorrinco carnívoro extinto há milhões de anos

Em Sydney

05/11/2013 10h55

Um grupo de cientistas achou em uma remota zona do norte da Austrália os restos de um ornitorrinco carnívoro de um metro de comprimento, a espécie de maior tamanho descoberta até o momento, informaram nesta terça-feira fontes acadêmicas.

Os restos do animal, batizado como "Obdurodon tharalkooschild", foram identificados a partir de dentes encontrados na jazida Riversleigh, uma área considerada como Patrimônio da Humanidade por sua riqueza paleontológica.

Os restos fósseis não foram datados, mas acredita-se que estes têm entre 5 e 15 milhões de anos de antiguidade, segundo um comunicado da Universidade de Nova Gales do Sul.

A descoberta, publicada na revista científica "Journal os Vertebrate Paleontology", foi realizada por Rebecca Pian, que aspira um doutorado na Universidade de Columbia, junto a Mike Archer e Suzanne Hand, ambos da universidade australiana.

Segundo os cálculos dos restos fósseis, a espécie extinta tinha o dobro do tamanho dos ornitorrincos modernos.

Além disso, ao contrário de seus descendentes, os ornitorrincos pré-históricos tinham dentes funcionais que acredita-se que foram utilizados para matar e consumir uma grande gama de animais.

"Da mesma forma que outros ornitorrincos, provavelmente era um mamífero principalmente aquático que vivia ao redor das fontes de água doce das florestas que cobriram a área de Riversleigh há milhões de anos", expôs Hand.

A cientista acrescentou que os "Obdurodon tharalkooschild" eram ornitorrincos com dentes muito desenvolvidos que provavelmente se alimentavam de caranguejos de rio e outros crustáceos de água doce, assim como pequenos vertebrados como rãs ou tartarugas pequenas.

Além disso, a descoberta desta nova espécie supôs uma grande surpresa porque os fósseis de ornitorrincos achados há pouco sugeriam que sua evolução era linear e agora se coloca uma ramificação na árvore genealógica desta espécie.

Os anteriores descobrimentos paleontológicos realizados no planeta registram a existência de um ornitorrinco dentado, o "Monotrematum sudamericanum" que povoou América do Sul há 61 milhões de anos", enquanto a espécie mais antiga achada na Austrália era o "Obdurodon insignis", um exemplar dentado menor que povoou o centro do país oceânico há 26 milhões de anos.

Outros restos fósseis achados em Riversleigh, o "Obdurodon dicksoni", era um pouco maior que o "Obdurodon insignis" e habitou a zona há mais de 15 milhões de anos.

Mas com o novo descobrimento, os cientistas se deram conta que um galho desta árvore estava composta por ornitorrincos gigantes, segundo Archer.

O nome "Obdurodon" é derivado do grego dente durável e foi dado para distinguir as espécies de ornitorrincos dentados das espécies modernas, segundo o comunicado da Universidade de Nova Gales do Sul.

"Tharalkooschild" é um nome que honra um mito aborígine sobre a origem dos ornitorrincos que relata a existência de um pato fêmea chamada "Tharalkoo", cujos pais lhe proibiram de nadar rio abaixo por temor do rato aquático "Bigoon".

Mas "Tharalkoo" desobedeceu e foi estuprada pelo rato e ao retornar para sua família, ao invés de dar a luz a patos, saíram os primeiros ornitorrincos.

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