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'Vovós pelo Futuro' usam podcast para engajar mais velhos a salvar o mundo

DW
Imagem: DW

Natalie Müller, Neil King

Da DW

11/09/2021 10h47

Fundadora do movimento alemão diz que idosos têm papel fundamental na luta em defesa do clima. "Nós, os mais velhos, contribuímos para as mudanças climáticas por muito tempo."

Cordula Weimann não optou por uma aposentadoria tranquila. Em vez disso, a avó de 62 anos embarcou em uma missão de educar outros idosos sobre o impacto deles no planeta.

"É claro que nós, os mais velhos, contribuímos [para as mudanças climáticas] por muito tempo", disse ela em entrevista ao podcast da DW On the Green Fence, em inglês, sobre meio ambiente.

"Mas você só é realmente culpado se você souber que o que está fazendo é errado. E não nos disseram o quão devastador é o nosso consumismo para este planeta. Não podemos ser culpados por isso."

Mãe de três e avó também de três, Weimann fundou o grupo Omas for Future (Vovós pelo Futuro) em 2019, em apoio ao movimento global jovem Fridays for Future, da ativista sueca Greta Thunberg.

"Eu disse a mim mesma: 'Se os mais velhos não embarcarem, os jovens não terão chance de sobreviver'. E foi assim que surgiu o Omas for Future", conta.

Com o grupo, a ativista de Leipzig, na Alemanha, espera aumentar a consciência climática entre as gerações mais velhas e motivá-las a tomar medidas concretas para reduzir suas pegadas de carbono - pelo bem do futuro de seus filhos e netos.

Falando em nome de uma geração

O envelhecimento da população da Alemanha significa que os cidadãos mais velhos terão a maior voz nas próximas eleições federais em 26 de setembro. Dos 60,4 milhões de eleitores, apenas 15% deles têm menos de 30 anos de idade. Cerca de 60%, por outro lado, têm mais de 50.

"É realmente uma pena que nós, vovós e vovôs, decidamos sobre o futuro de nossos filhos - não apenas com as eleições, mas também com nosso comportamento diário de consumo", diz Weimann.

"Certamente também é um fato que, quando os filhos saem de casa e a aposentadoria se aproxima, muitas pessoas mais velhas dizema si mesmas: 'Agora vou cuidar de mim'. E então elas viajam mais mundo afora, dirigem carros espaçosos e consomem coisas que de outra forma não consumiriam."

Weimann, cujo rosto sincero e amigável é emoldurado por cabelos prateados na altura dos ombros, fala por experiência própria. Antes de se voltar para o ativismo ambiental, ela era uma empresária radicada na cidade de Paderborn, onde trabalhava com a reforma de prédios antigos.

Ela tinha um carro esportivo conversível e, nas férias, viajava sempre de avião. Com três filhos e uma carreira, geralmente pensava: "Já que trabalho tanto, então quero tirar algo disso - como um mimo". "Quanto mais eu trabalhava, mais precisava desse equilíbrio. Também achava chique andar de conversível", relata.

O que mudou?

Weimann cresceu na região do Baixo Reno, no oeste da Alemanha, e diz que sempre se preocupou com o meio ambiente e a natureza. Mas, nos últimos anos, quanto mais ela aprendia sobre como seu consumo e estilo de vida estavam prejudicando o planeta, mais via a necessidade de mudança.

A alemã se lembra de ter lido alguns números particularmente preocupantes em 2017 que colocaram a gravidade da crise em foco. "Eu desconhecia o quão grave era a questão da extinção de espécies; que 75% dos insetos voadores se foram; que 68% das nossas espécies de pássaros canoros sumiram", conta. "Eu não sabia disso em números concretos."

Weimann agora mora em uma casa de madeira neutra em carbono na cidade de Leipzig. Ela também trocou seu carro esporte por um elétrico. Não compra mais roupas novas, come pouca carne e compra o máximo possível de produtos orgânicos. Ela também não viaja de avião, embora tenha filhos no exterior.

"E se eu fosse forçada a entrar num avião por qualquer motivo, certamente compensaria investindo em projetos de compensação de carbono", acrescenta.

Mudando mentes e comportamentos

Foi uma transição gradual. Agora Weimann está tentando ajudar outras pessoas de sua idade a fazer o mesmo. Mas ela admite que existem alguns desafios. Por exemplo: convencer uma geração que já viveu - e resolveu - crises anteriores como a Guerra Fria e o buraco na camada de ozônio de que a mudança climática é diferente.

"E esse é exatamente o perigo, porque desta vez é muito sério! Não é apenas o aquecimento global, é também a extinção de nossa espécie, que pode nos ameaçar ainda mais se não o impedirmos imediatamente."

Desde que lançou o movimento, 40 grupos regionais do Omas for Future foram criados em toda a Alemanha. E apesar de ter Omas (vovós) no nome, elas também incentivam os Opas, ou vovôs, a se envolverem.

O grupo participa de manifestações climáticas e realiza campanhas para alcançar os cidadãos mais velhos, que não são tão ativos nas redes sociais quanto os jovens. Weimann também apresenta um podcast com dicas sobre como viver uma vida mais sustentável - seja migrando para uma eletricidade verde ou reciclando roupas, por exemplo.

"Temos que construir pontes" entre gerações

Diferente do movimento Fridays for Future, surgido em agosto de 2018, o Omas enfatiza menos o lobby por mudanças na política e mais o poder das ações individuais. Weimann também ressalta que não se trata de culpar ninguém ou de tirar coisas das pessoas.

"O Omas for Future não defende o veganismo, bandeira comum entre os jovens. Claro, devemos comer muito menos carne. Mas não somos dogmáticos dizendo que todos devem ser veganos", explica.

"Atacar os outros e lhes dizer o que fazer é problemático. Mas, dito isso, também posso entender a indignação dos jovens. Temos que construir pontes, nos unir e conversar em um nível pessoal e sem medos."

Embora o movimento em defesa do clima seja frequentemente dominado por jovens ativistas, Weimann diz que não é tão preto no branco. O movimento Omas for Future é a prova disso.

Weimann gostaria de ver o grupo continuar a crescer - e não apenas na Alemanha - para espalhar a mensagem que a impulsionou a agir no início de tudo: "O que me move é o amor pelos meus filhos. E o que posso fazer agora por eles e seu futuro é economizar o máximo que eu puder."