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Moradores de Goiandira (GO) registram imagens do mesmo meteoro visto em MG

Letícia Naísa

De Tilt, em São Paulo

15/01/2022 15h18

Moradores de Goiandira, sudeste de Goiás, registraram nas redes sociais imagens do mesmo meteoro que foi visto na região do Triângulo Mineiro na noite de sexta-feira (14). Pesquisadores do Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros) e do Observatório de Astronomia de Patos de Minas confirmaram à reportagem de Tilt que se trata do mesmo fenômeno registrado no estado vizinho.

O meteoro também foi visto em Uberlândia, Patos de Minas, Nova Ponte, Santa Juliana, Pedrinópolis, Monte Carmelo e Perdizes. Segundo relatos, o chão tremeu nas cidades mineiras e um estrondo pôde ser ouvido. Em Goiás, apenas o clarão foi avistado. Câmeras de segurança das cidades e moradores com celulares gravaram o momento da queda do meteorito. O meteoro foi avistado por volta das 20h53.

"A Terra é bombardeada por micro meteoros diariamente", afirma Gilberto Dumont, diretor do Observatório de Astronomia de Patos de Minas. Na região, já foram registradas outras quedas. Em maio de 2020, um brilho foi visto no céu próximo à cidade de Tiros (MG). Em agosto de 2020, um fenômeno considerado como surto de meteoros foi registrado pelo Observatório. Nenhuma das quedas gerou acidentes graves.

"Esse tipo de queda é comum, cai muito material na Terra, mas cai muito nos oceanos, em regiões que não são habitadas", explica Diana Andrade, professora do Observatório do Valongo, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e caçadora de meteoritos. "Nem sempre gera fragmentos que chegam ao chão, às vezes eles se desintregam no ar, mas esse tem chance de ter gerado alguns", afirma.

"Com a observação das primeiras imagens, vimos que tem as características da entrada de um meteoro com epicentro na região do triângulo mineiro e Alto Paranaíba", diz Gilberto Dumont. "Trata-se de um meteoro devido às características do fenômeno luminoso apresentada nos vídeos, mas não sabemos o local de queda ainda", completa. A equipe do Observatório e da Bramon (Rede Brasileira de Observação de Meteoros), a partir das imagens, poderá calcular a região de queda para buscar os meteoritos em solo.

Meteoro ou meteorito?

Na linguagem popular, ouvimos muito que "um meteoro caiu", mas não é bem assim que a ciência classifica o fenômeno que foi visto em Minas na noite de ontem.

O meteoro, explica Andrade, é o efeito luminoso. Ou seja, são as populares estrelas cadentes, pequenos pedaços de rochas e poeira espacial que queimam ao entrar na atmosfera da Terra em alta velocidade.

Agora, se a rocha sobreviver à entrada na atmosfera e não se desintegrar totalmente devido ao atrito e evaporar, ela é chamada de meteorito. "Se ela chegou no solo, é um meteorito", afirma Andrade. "Capturar um meteoro é capturar a imagem de um rastro luminoso no céu, capturar um meteorito é capturar a rocha no chão."

Segundo os especialistas, o objeto que foi avistado em queda em Patos de Minas era difícil de ser previsto por conta de seu tamanho. "Essas rochas desses meteoros são de dimensão de centímetros, é difícil identificá-los com qualquer instrumento", explica Dumont.

"Esses asteroides e objetos que têm potencial de destruição de parte da Terra são monitorados, mas não tem como monitorar todos os objetos que possivelmente poderiam colidir com a Terra", explica Andrade. "Um asteroide do tamanho desse que entrou não é previsível", diz.

A professora alerta também sobre a importância de buscar especialistas caso um cidadão comum encontre um possível meteorito. "É importante para ter certeza se é realmente um meteorito e também sobre o valor, o preço deles, para que a pessoa não mostre para quem não vai dar valor e mande para o exterior e o Brasil fique sem a rocha", diz.