PUBLICIDADE
Topo

Por que vemos rostos em tudo quanto é lugar? A ciência explica a pareidolia

Na pareidolia, temos a impressão de ver rostos nos mais variados lugares - Reprodução/Know Your Meme
Na pareidolia, temos a impressão de ver rostos nos mais variados lugares Imagem: Reprodução/Know Your Meme

Cláudio Gabriel

Colaboração para Tilt*, do Rio de Janeiro

26/07/2021 14h40

Em algum momento da sua vida você provavelmente já viu o formato de um rosto humano ou o de uma carinha em objetos. Olhos, nariz e boca que surgem nas nuvens, tomadas, cafeteira, máquina de lavar. Bom, o nome disso, que já envolveu diversos casos famosos, é pareidolia. E a ciência dá mais pistas de o motivo disso acontecer.

Neurocientistas da Universidade de Sydney decidiram investigar como o ser humano processa esses rostos imaginários. Uma das conclusões é que o nosso cérebro em si não consegue detectá-los como falsos, mas sim uma relação com o que já conhecemos. A palavra pareidolia vem do grego "para", que significa "ao lado de" + "eidolon", imagem.

O reconhecimento facial ilusório ou real acontece em algumas centenas de milissegundos. É tudo muito rápido. "Sabemos que esses objetos não são rostos de verdade, mas a percepção de um rosto perdura", diz o professor David Alais, autor principal do estudo publicado agora em julho no periódico científico Proceedings of the Royal Society B.

Além de visualizar rostos em lugares inusitados, também somos capazes de associá-los a expressões emocionais, de acordo com a pesquisa. O fenômeno psicológico chegou a evoluir a ponto de julgarmos também pessoas de verdade. Com as relações que fazemos no cérebro, podemos definir previamente se uma pessoa é inimiga ou amiga.

Os cientistas da Universidade de Sydney avaliaram a percepção de 17 estudantes universitários — eram 12 mulheres e 5 homens. Através de dois experimentos, várias imagens foram mostradas e os jovens diziam se era realmente um rosto ou não. No experimento 1, foi uma sequência de faces reais e pareidolias. No segundo, isso era feito de forma mais randômica.

Com isso, foi avaliado a intensidade da emoção em cada participante por meio de um software de computador.

A conclusão tirada foi que, independentemente da forma que era mostrada, todos reagiam de forma similar. Os rostos "de mentira" e os humanos compartilhavam expressões comuns para os estudantes, como felicidade e raiva. Por exemplo: a sucessão de rostos felizes nos torna mais propensos a ver o próximo rosto — imaginário — como feliz também.

"Rostos de pareidolia não são descartados como falsas detecções, mas passam por análise de expressão facial da mesma forma que rostos reais", explica Alais. O ser humano acaba lendo a identidade do rosto e é capaz de discernir sua expressão. "Eles são amigos ou inimigos? Eles estão felizes, tristes, com raiva, com dor?", acrescenta.

O estudo foi realizado em parceria com pesquisadores do Laboratório de Cérebro e Cognição do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos.

Casos famosos

Você se lembra do caso em que pessoas viram o rosto do personagem Gasparzinho, o fantasminha camarada, no joelho da duquesa de Cambridge, Kate Middleton? Isso aconteceu em 2017 e bombou na época.

Em 2019, um outro caso também repercutiu envolvendo a imagem de Jesus de braços abertos em uma fotografia do céu, tirada na Itália.

Foto de "Jesus" foi tirada durante o pôr do sol, em Agropoli, na Itália - Alfredo Lo Brutto - Alfredo Lo Brutto
Foto de "Jesus" foi tirada durante o pôr do sol, em Agropoli, na Itália
Imagem: Alfredo Lo Brutto

Em outro caso curioso, alguns enxergaram o rosto parecido com o ditador nazista Adolf Hitler em uma casa no País de Gales.

Talvez, a situação mais famosa envolvendo a astronomia seja um rosto visualizado em Marte a partir de uma foto capturada pela sonda espacial Viking Orbiter em 1976. Anos depois, em 2017, a sonda Mars Reconnaissance Orbiter mostrou que o tal "rosto" havia desaparecido, causando várias teorias.

Face observada em Marte, imagem foi capturada pela Viking Orbiter em 1976 - Reprodução/Nasa - Reprodução/Nasa
Face observada em Marte - imagem foi capturada pela Viking Orbiter em 1976
Imagem: Reprodução/Nasa

*Com informações da Universidade de Sydney e do site Science Alert