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Falha na amostra? Teste de DNA diz que atum de lanche do Subway não é atum

Lanche do Subway - Getty Images/iStockphoto
Lanche do Subway Imagem: Getty Images/iStockphoto

Juliana Stern

Colaboração para Tilt

22/06/2021 17h40Atualizada em 25/06/2021 18h01

[Atualizado em 26/06/2021 com novo posicionamento do Subway]

Uma investigação do jornal americano "The New York Times" levantou dúvidas sobre o que está sendo servido nos lanches da rede Subway. De acordo com um processo movido por clientes da marca na Justiça, a carne utilizada nos lanches de atum do Subway não é atum.

O processo foi motivado por testes de DNA que não encontraram vestígios genéticos de peixe nos lanches de atum do Subway. Mas a reportagem do NYT indica que essa análise talvez não seja tão confiável assim.

Para analisar a acusação, a reportagem comprou diversos sanduíches de atum de três diferentes lojas da marca em Los Angeles, congelou a carne e enviou para um laboratório a fim de testar as amostras atrás de encontrar DNA de atum. Os resultados mostraram que não havia nenhum traço de material genético da espécie do peixe em questão.

De acordo com a Lista de Frutos do Mar (The Seafood List), organizada pelo FDA, autoridade sanitária em alimentos e medicamentos dos Estados Unidos, há 15 espécies de peixe que podem ser rotulados como "atum". Em declaração, o Subway afirmou que vende apenas atum-bonito e albacora, espécies que seriam identificadas como Katsuwonus pelamis e Thunnus albacares pelo laboratório.

O que é estranho é que os resultados do laboratório procurado pelo "New York Times" indicaram que "nenhum DNA amplificável de atum estava presente na amostra, portanto não foi possível identificar a espécie".

De onde vem o atum do Subway?

Segundo um representante do laboratório, há duas conclusões possíveis dos resultados. A primeira é a mais óbvia, de que simplesmente não havia nenhum DNA de atum na amostra.

A segunda — e a mais provável de acordo com o especialista — é que, devido às diversas etapas de processamento e cozimento que a carne passa até ser usada nos sanduíches, não foi possível extrair DNA viável suficiente para identificar a espécie de peixe.

Depois que o atum é cozido, seu DNA se torna desnaturado — o que significa que as propriedades características do peixe provavelmente foram destruídas, tornando difícil, senão impossível, identificá-lo.

O peixe utilizado nos sanduíches, seja lá qual for, passa por um processo longo até chegar ao consumidor. Ele primeiro é pescado, depois cortado, cozido, congelado e então enviado para uma fábrica para ser colocado em conserva e enlatado.

Só então o peixe embalado segue para os restaurantes, onde é misturado com maionese e prensado para ser colocado no sanduíche. No caso da amostra coletada pelo jornal, ela ainda foi congelada mais uma vez e enviada por correio ao laboratório antes de ser analisada.

Outra investigação, realizada pelo "Inside Edition", coletou amostras do atum de sanduíches de três lojas Subway de Nova York. Após análise laboratorial, os resultados identificaram que a carne era, de fato, atum.

Processo

A investigação do NYT vem na esteira de um processo contra o Subway, aberto no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Norte da Califórnia. A ação foi movida por Karen Dhanowa e Nilima Amin, residentes do Condado de Alameda, na Califórnia.

Com base em testes de laboratório independentes de "várias amostras" retiradas de lojas do Subway na Califórnia, as duas alegam que o suposto "falso atum" seria, na verdade, "uma combinação que não constitui atum, mas foi misturada [pelo Subway] para imitar a aparência do peixe".

Dhanowa e Amin argumentam que a rede está "economizando quantias substanciais de dinheiro na fabricação dos produtos porque o ingrediente fabricado que eles usam no lugar do atum é mais barato."

Shalini Dogra, um dos advogados das demandantes, se recusou a dizer exatamente quais ingredientes os testes de laboratório revelaram. "Descobrimos que os ingredientes não eram atum nem peixe", afirmou o advogado em email enviado ao jornal "The Washington Post".

Após a reportagem do "NYT", jogando dúvidas sobre a confiabilidade dos testes de DNA, Dhanowa e Amin mudaram sua alegação original de que os sanduíches não eram de atum, e agora dizem que eles não são "inteiramente" de atum.

O que diz o Subway

Um representante do Subway rebateu as acusações e afirmou que o atum utilizado em seus sanduíches é capturado na natureza, como a maioria do atum utilizado comercialmente, fruto de pesca legalizada.

Em depoimento ao "The Washington Post", Katia Noll, diretora sênior de qualidade e segurança alimentar global na Subway, afirmou que as alegações ameaçam prejudicar os franqueados da rede e que os restaurantes recebem atum verdadeiro e puro, o misturam com maionese e servem sanduíches frescos.

À reportagem do "NYT", vários especialistas e funcionários da rede disseram que não conseguem imaginar porque o Subway tentaria tão escandalosamente cortar custos em uma carne que já é de baixo custo. Mas a investigação revela o quão difícil pode ser determinar o que realmente estamos comendo.

Embora não venda lanche de atum no Brasil, o Subway afirmou, em nota enviada a Tilt, que "o teste de DNA simplesmente não é uma maneira confiável de identificar proteínas desnaturadas, como o atum da Subway, que foi cozido antes de ser testado".

Veja o comunicado da empresa na íntegra a seguir:

"Um relatório recente do New York Times indica que o teste de DNA não é uma metodologia confiável para identificar atum processado. Este relatório apoia e reflete a posição que a Subway tomou em relação a um processo sem mérito aberto na Califórnia e com relação ao teste de DNA como um meio de identificar proteínas cozidas. O teste de DNA simplesmente não é uma maneira confiável de identificar proteínas desnaturadas, como o atum da Subway, que foi cozido antes de ser testado.

Infelizmente, diversos veículos de comunicação confundiram a incapacidade do teste de DNA em confirmar uma proteína específica com a determinação de que a proteína não está presente. O teste a que o relatório do New York Times faz referência não mostra que não há atum no atum da Subway. Tudo o que diz é que o teste não conseguiu confirmar a presença de atum, o que seria de se esperar de um teste de DNA em proteínas desnaturadas.

O fato é que os restaurantes Subway servem atum cozido 100% selvagem, que é misturado à maionese e usado em sanduíches, wraps e saladas frescos que são servidos e degustados por nossos clientes.

O sabor e a qualidade do nosso atum fazem dele um dos produtos mais populares da Subway, e essas acusações infundadas ameaçam prejudicar nossos franqueados, pequenos empresários que trabalham incansavelmente para manter os altos padrões que a Subway estabelece para todos os seus produtos, incluindo o atum.

A Subway gostaria de salientar que, depois de serem informados sobre o atum da Subway e a confiabilidade dos testes de DNA, os requerentes no processo da Califórnia abandonaram sua alegação original de que o produto de atum da Subway não contém atum. No entanto, em vez de abandonarem as alegações por completo, como deveriam, os advogados dos requerentes apresentaram uma queixa alterada que alega que nosso produto de atum não contém 100% atum, e que não são atum gaiado e albacora, capturados de forma sustentável. Assim como na queixa original do processo, as novas afirmações não são verdadeiras e não têm absolutamente nenhum mérito. Na verdade, a queixa alterada não corrige nenhuma das falhas fundamentais no caso dos demandantes, que deveriam resultar no arquivamento do caso.

Diante dos fatos, o processo constitui um ataque temerário e indevido à marca e à boa vontade da Subway, e ao sustento de seus franqueados."