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Mais contexto: como o Google pretende tornar a busca ainda mais esperta

Palco do Google I/O 2021, evento do Google para desenvolvedores  - Divulgação
Palco do Google I/O 2021, evento do Google para desenvolvedores Imagem: Divulgação

Marcos Bonfim*

Colaboração para Tilt

19/05/2021 17h34

Um dos carros-chefe do Google, a ferramenta de buscas deve passar por uma grande evolução, aproveitando os avanços da inteligência artificial. A empresa anunciou na conferência Google I/O que está desenvolvendo um sistema avançado para oferecer respostas mais aprofundadas e aprimoradas a perguntas mais complexas e prometeu apresentar os novos recursos ao longo dos próximos meses e anos.

Atualmente, a busca retorna resultados a requisições simples. Num futuro próximo, segundo a companhia, ela poderá entender melhor o contexto, oferecer um resumo e até já trazer resultados já traduzidos de outras línguas.

O responsável por isso é o que a empresa chama de MuM, sigla para Multitask Unified Model (Modelo unificado multitarefa, em tradução livre), que está sendo treinado em mais de 75 línguas diferentes e será capaz de realizar várias tarefas simultaneamente, entendendo informações em forma de texto e imagens - no futuro, também compreenderá conteúdos em vídeo e áudio.

De acordo com a companhia, o desenvolvimento da inovação representa um marco importante em direção a um futuro em que o Google possa entender todas as diferentes maneiras pelas quais as pessoas se comunicam e interpretam as informações naturalmente.

Para efeito de comparação, o Google afirma que o MuM é 1000 vezes mais poderoso que o sistema de buscas anterior, o BERT, lançado em 2019. Ele também foi construído a partir da Transformer, arquitetura de rede neural que o Google Research criou e abriu o código em 2017.

Como o sistema vai ajudar?

O que o Google quer oferecer com o novo sistema de busca são conteúdos e informações com mais detalhamentos, algo parecido com o que um especialista é capaz de dar.

A empresa percebeu também que hoje as pessoas precisam fazer muitas perguntas para conseguir um retorno adequado quando têm demandas mais elaboradas. Na média, são 8 questões. Com o MuM, esse número será reduzido.

Como exemplo, a companhia cita o seguinte caso. "Já escalei o monte Adams e agora quero subir o monte Fuji no outono. Como devo me preparar?".

Hoje, os usuários precisariam "quebrar" essa pesquisa e fazer diversas perguntas sobre altitude, condições climáticas, nível de dificuldade, equipamentos etc, até obterem todas as respostas.

Com o novo mecanismo, o Google afirma que está chegando próximo a um nível de sofisticação que ajudará as pessoas com essas informações, disponibilizando conteúdos relevantes e de forma organizada.

Neste caso, por exemplo, o resultado poderia trazer dicas para se preparar fisicamente, quais materiais adicionais devo usar, além de mostrar artigos em sua língua com dicas de como escalar o monte Fuji.

Outro avanço prometido é no uso de imagens nas pesquisas. A pessoa poderá tirar uma foto e perguntar: "Este tênis é apropriado para subir o monte Fuji?" O sistema apresentará imagens de modelos e retornará com dicas resumidas em diversas línguas, já traduzidas para o devido idioma, ou sugerir um blog com lista de equipamentos recomendados.

Apesar de promissora, a tecnologia apresentada pelo Google ainda não tem uma data para ser disponibilizada para o público, mas uma coisa é certa: se funcionar como indicado, deve fazer você economizar um bom tempo na busca.

*Colaborou Guilherme Tagiaroli