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Japão mostra pó do asteroide Ryugu, que pode ter pistas da origem da Terra

Pó do asteroide Ryugu - Jaxa
Pó do asteroide Ryugu Imagem: Jaxa

Marcella Duarte

Colaboração para Tilt

16/12/2020 13h17

A Jaxa (Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial) divulgou as primeiras imagens de poeira e rochas do asteroide Ryugu. Segundo os japoneses, as amostras inéditas, coletadas pela missão Hayabusa-2 e lançadas à Terra no início do mês, são um sucesso.

De acordo com a equipe, apesar de a foto parecer marrom ou cinza, os fragmentos são pretos. Eles estavam armazenados na "câmara de amostras A", que as coletou no primeiro contato com a superfície de Ryugu, em fevereiro de 2019.

Por fora da tampa, já era possível ver um pó escuro. As outras duas câmaras de amostras, da segunda coleta, serão abertas nos próximos dias. A cápsula também continha gases armazenados, que já foram retirados.

"Quando abrimos, ficamos sem palavras. É mais do que esperávamos, havia tantas amostras que ficamos realmente impressionados", disse a cientista Hirotaka Sawada. "E não são apenas partículas minúsculas como a poeira, mas várias amostras de alguns milímetros", afirmou.

A quantia arrecadada ainda não foi divulgada, mas estima-se pelo menos 300 gramas —100 já seriam suficientes para as pesquisas. Metade do material será compartilhado entre a Jaxa, a Nasa e outras organizações internacionais. O restante será guardado para estudos futuros.

Origem da vida

Cientistas do mundo todo poderão estudar os inéditos regolitos (materiais de uma superfície rochosa, como poeira e pedrinhas). Asteroides primitivos como o Ryugu remontam à origem de nosso Sistema Solar, e nos ajudam a compreender a história do Universo, a origem do nosso planeta e o surgimento da vida.

Espera-se encontrar compostos orgânicos no material coletado. Acredita-se que asteroides do tipo C, como o Ryugu e o Bennu, contenham os materiais mais primitivos do Sistema Solar, que podem nos explicar como a Terra se formou, por que ela tem oceanos tão abundantes e como a vida surgiu por aqui.

A hipótese mais aceita é que a água e toda a matéria orgânica do nosso planeta teriam sido entregues por meio de colisões com outros corpos celestes. Mas estes estudos se baseiam em meteoritos encontrados na Terra, submetidos a diversos processos até chegar aqui e serem encontrados. As amostras do Ryugu nos permitirão analisar as propriedades de materiais extraídos diretamente de um asteroide.

Cápsula com amostras do asteroide Ryugu é recuperada na Austrália - Jaxa - Jaxa
Cápsula com amostras do asteroide Ryugu é recuperada na Austrália
Imagem: Jaxa

Hayabusa-2

A missão foi lançada em 2014 e chegou ao Ryugu, a 300 milhões de quilômetros da Terra, em 2018. Durante um ano e meio orbitando o asteroide, ela realizou diversas medições e lançou quatro pequenos rovers até atingir seu objetivo principal: coletar amostras, o que fez em duas ocasiões.

Na primeira manobra de coleta, retirou apenas material da superfície; na segunda, lançou um projétil de cobre de cerca de 2 kg, que criou uma cratera de dez metros de profundidade e expôs fragmentos internos, preservados da radiação espacial.

A pequena cápsula de 40 cm, contendo as rochas espaciais, foi lançada em nossa atmosfera no dia 5 deste mês, de uma altura de 220.000 km. Ela caiu na cidade de Woomera, no deserto do Sul da Austrália, e foi recuperada por uma equipe da Jaxa, com o auxílio de drones, helicópteros e antenas de rádio.

Após a entrega da cápsula, a sonda Hayabusa-2 ("Falcão Peregrino", em japonês) acelerou os motores e seguiu viagem para sua próxima parada: o asteroide 1998 KY26, onde deve chegar em 2031. Também irá sobrevoar o 2001 CC21, em julho de 2026.

Ela é sucessora da missão Hayabusa, também da Jaxa, realizada entre 2003 e 2010. Foi a primeira vez na história que o ser humano minerou um asteroide, o 25143 Itokawa. Porém, problemas na coleta fizeram com que apenas pouquíssimos gramas de rochas chegassem à Terra.

A Nasa também está trazendo pedaços do asteroide Bennu com a missão Osiris-Rex. As amostras foram coletadas em outubro e devem chegar à Terra em 2023.