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Quer ajudar a causa? Entregadores fazem manual para o 2º dia de protesto

Felipe Oliveira

Colaboração para Tilt

25/07/2020 04h00

Os entregadores de aplicativos de delivery vão fazer, neste sábado (25), a segunda paralisação nacional exigindo melhores condições de trabalho quem trabalha para apps como iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi. Para que a população possa ajudar na mobilização, alguns ativistas postaram nas redes sociais "manuais" sobre como as pessoas podem ajudar no movimento.

Afirmando que "o apoio da população é fundamental", os entregadores pedem que os usuários façam um "vomitaço" em todas as postagens das páginas dos apps. A ideia é que os apoiadores deixem de seguir os perfis oficiais dos aplicativos nas redes sociais e façam comentários em todas as publicações.

Além disso, os entregadores pedem que a população não use os aplicativos no dia da paralisação e "aproveitem para fazer aquela comidinha caseira". "Em apoio aos entregadores faça sua receita e poste com a hashtag: #BrequeDosAPPs #1DiaSemAPP", diz a publicação da página @tretanotrampo no Instagram.

Para aqueles que não podem ficar sem o delivery de jeito nenhum, os entregadores pedem que quem apoia o movimento compare as taxas de entrega cobradas e o valor recebido pelos entregadores, e compartilhe o resultado nas redes sociais.

"Pediu comida pelo app? Quando o entregador chegar, peça para comparar a sua tela com a dele, aí você pode ver quanto pagou pela taxa de entrega e quanto ele está recebendo. Geralmente, os apps ficam com metade de taxa!", diz uma das postagens.

?? MANUAL DE APOIO DA POPULAÇÃO AO 2º #BrequeDosAPPs 25/7 A GUERRA CONTINUA! . No dia 1/07, a participação da população no #BrequedosApps foi fundamental. Os aplicativos receberam a pior taxa de avaliação da história! E a #BrequeDosApps ficou entre os principais assuntos do Twitter o dia inteiro . ? Fizemos um mini-manual de como o usuário pode apoiar essa NOVA LUTA dos entregadores de APP, 25/7 . ? - NÃO USE OS APPS NO DIA DA PARALISAÇÃO Aproveite para fazer aquela comidinha caseira, NÃO PEÇA DOS APPS. Em apoio aos entregadores faça sua receita e poste com a hashtag: #BrequeDosAPPs #1DiaSemAPP . - ZOAR A IMAGEM DOS APPS Cause nas páginas das redes sociais de todos os aplicativos e deixe de segui-los. . ? - ESPALHE O BREQUE NAS RUAS E REDES SOCIAIS Imprima os panfletos, compartilhe os materiais nas redes sociais e fortaleça o movimento! . - COMPARE AS TELAS DE CELULAR Compare as taxas que você pagou com a do que o Entregador recebeu. Grave um vídeo e solte nas redes! . ??????COMPARTILHE ESSE MANUAL COM TODOS OS SEUS CONTATOS! . Tem mais idéias pra fortalecer a luta dos entregadores? Comente ai embaixo... . Tamo junto nas tretas dos infinitos trampos. Se quiser enviar um relato manda uma mensagem pro @tretanotrampo ou zap 11 958722568 . #motoboyprofissaoperigo #cachorroloko #motoboyseentregadores #entregadores #motoboys #puxoucortouraspou #vrauu #tretanotrampo #ApoioBrequeDosAPPs #bike

Uma publicação partilhada por Treta (@tretanotrampo) a

Outra sugestão dos manifestantes é imprimir e colar cartazes na porta de suas casas ou estabelecimentos comerciais para que os entregadores possam ver o apoio. Os ativistas também pedem que as pessoas compartilhem os materiais nas redes sociais.

Por fim, os ativistas solicitam que as pessoas divulguem o movimento com a tag #BrequeDosAPPs no Facebook, Instagram e Twitter. Para isso, convocaram um "twittaço" para as 12h. Os manifestantes ressaltam que "a paralisação não é sobre político A ou B", mas por condições melhores de trabalho para toda a classe.

Criatividade a favor da paralisação

A página @designativista, do Instagram, criou uma maneira para que a população possa participar da paralisação. A sugestão é para que pessoas criativas ajudem a "amplificar as vozes do movimento".

Para isso, eles pedem para que apoiadores produzam uma arte sobre o tema e compartilhem nas redes sociais com as tags #DesignAtivista e #BrequeDosApps. Além disso, solicitam a quem já fez artes na paralisação do dia 1º de julho que editem a publicação para incluir a nova data do movimento.

Eles pedem para que apoiadores produzam uma arte sobre o tema  - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Eles pedem para que apoiadores produzam uma arte sobre o tema
Imagem: Reprodução/Instagram

Movimento Breque dos Apps

Parte dos entregadores de delivery irá realizar neste sábado a segunda paralisação nacional com exigências a apps como iFood, Rappi, Uber Eats e Loggi, em um novo desafio à chamada "economia de bico" no Brasil. A principal reclamação é sobre a precariedade do trabalho, que muitas vezes envolve trabalhar muito e ganhar pouco.

Entre as exigências estão reajustes do valor recebido por entrega —que atualmente varia entre R$ 4,50 e R$ 7,50, segundo os entregadores—, reajuste anual para o serviço, tabela de preços construída entre entregadores e aplicativos, entrega de EPIs, apoio contra acidentes e uma avaliação com relação aos programas de classificação dos entregadores, usados por alguns apps.

No dia 1º de julho, muitos trabalhadores da categoria, que cresceu durante a pandemia de covid-19, paralisaram as atividades e realizaram atos em São Paulo, Rio de Janeiro, São Luiz, Brasília, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, Teresina e Maceió, assim como em outras cidades populosas como Campinas (SP).

O que os apps dizem

Em contato com Tilt, o iFood afirmou que "respeita os direitos democráticos, à manifestação e à livre expressão", além de se dizer aberto ao diálogo. Além disso, apontou que já atende à maioria das reivindicações feitas pelo movimento, entre elas o valor mínimo de R$ 5 por entrega, distribuição de equipamentos de proteção e oferecimento de seguro de vida e contra acidentes.

Já a Rappi também disse respeitar as manifestações e se mostrou disposta a melhorias operacionais. A empresa esclarece que o valor do frete varia em diversos fatores (clima, dia da semana, horário, entrega, distância, complexidade) e relata ter as seguintes práticas:

  • Seguro de vida e contra acidente desde o ano passado;
  • Parcerias para oferecer descontos aos entregadores, como em 80 restaurantes, e planos de saúde, troca de óleo, aulas de inglês etc;
  • Programa de pontos para trazer "reconhecimento, preferência aos melhores prestadores de serviço para que tenhamos uma melhor entrega de experiência aos clientes finais". Depois de protestos, o programa de pontos mudou para ser mensal e não mais semanal;
  • Distribuição de EPIs como máscara e álcool em gel;
  • Criação de um fundo para apoiar financeiramente entregadores com sintomas ou confirmação de covid-19;
  • Disponibilização de um canal para questionar bloqueios.

A Uber Eats afirmou que não irá se posicionar sobre a paralisação.

Contatada, a Loggi não se manifestou até o fechamento da reportagem.