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Tem uma startup? Fundo investirá R$ 5 mi em negócios criados por negros

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Imagem: iStock

Carina Brito

Colaboração para Tilt

21/07/2020 10h57

O Google anunciou, nesta segunda-feira (20), a criação de um fundo para investir em startups criadas por empreendedores negros brasileiros. O investimento faz parte do projeto Google for Startups, no Brasil desde 2016 e que já apoiou mais de 240 empresas com programas em negócios, liderança e desenvolvimento de tecnologia.

É a primeira vez que o programa de startups do Google faz um investimento financeiro em empresas brasileiras. O fundo começa com o valor de R$ 5 milhões e com a ideia de fazer 30 investimentos ao longo dos próximos 18 meses. O plano é aumentar esse valor depois de entender qual é a demanda das empresas com fundadores negros no Brasil.

Em agosto, será divulgado o calendário completo com detalhes do processo seletivo. As informações serão disponibilizadas no site do Google for Startups, mas já se sabe que a operação começa ainda no segundo semestre de 2020.

André Barrence, diretor do Google for Startups na América Latina, afirma que além do investimento financeiro, as startups terão acesso a todos os conhecimentos oferecidos pela companhia. "Não é apenas o aporte financeiro que é importante. É a complementação com especialistas do Google que os ajudam a chegar em em um outro patamar como empreendedores", afirma.

O apoio é feito de acordo com o estágio em que a startup está. "O público que gostamos de trabalhar é uma startup em fase de crescimento, que já tem um produto, alguns usuários pagantes e uma receita", afirma o diretor. Os programas de aceleração durarão de três a seis meses de duração.

Empreendedorismo negro no Brasil

Para esse projeto, foi usado como base o estudo "O Empreendedorismo Negro no Brasil", realizado pela aceleradora de empresários negros PretaHub, da Feira Preta, em parceria com a Plano CDE e JP Morgan.

A pesquisa mostra que o empreendedor negro ainda tem mais dificuldade de conseguir acessar capital —com cerca de 30% deles afirmando que tiveram crédito negado sem nenhuma explicação.

"As startups são, por natureza, negócios mais arriscados. Elas ainda estão construindo e montando o seu modelo de negócio, então acabam tendo maior dificuldade de acessar capital pelas vias mais tradicionais", diz Barrence. "Com isso, muitos empreendedores precisam ter um capital próprio ou pedir ajuda de família e amigos para ajudar a criar o negócio."

Então o principal objetivo, segundo o diretor, é dar uma solução e uma possibilidade de capital para estas startups com empreendedores negros e aumentar a diversidade no ecossistema.