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Brasileira é premiada na Apple com jogo que põe usuário em mar poluído

Jessica Matsuura, estudante de design gráfico da UTFPR, premiada no desafio de programação Swift Student Challenge - Divulgação
Jessica Matsuura, estudante de design gráfico da UTFPR, premiada no desafio de programação Swift Student Challenge Imagem: Divulgação

Bruna Souza Cruz e Gabriel Francisco Ribeiro

De Tilt, em São Paulo

23/06/2020 14h00

A maior preocupação mundial do momento é o novo coronavírus, mas a preservação do ambiente não fica tão atrás. Jessica Matsuura, 21, deu sua contribuição a este último tema criando um jogo de temática sustentável. Com isso, conseguiu não só ser premiada em um desafio de programação da Apple, mas também teve a oportunidade de falar com uma das executivas da empresa sobre o assunto.

Matsuura foi uma dos 350 estudantes premiados no Swift Student Challenge 2020 da Apple —destes, cerca de 80 foram brasileiros. Outra estudante brasileira, Maria Fernanda Azolin, teve o aplicativo destacado pela empresa como um dos três melhores da competição na semana passada.

Na segunda-feira (22), antes da abertura da conferência anual para desenvolvedores Apple, a WWDC 2020, Matsuura participou de um encontro virtual com Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais da empresa. A jovem foi uma dos seis estudantes escolhidos para o bate-papo com a executiva, e a única brasileira.

Seu jogo é o The Sea Turtle (A Tartaruga Marinha), que foca no descarte adequado de lixo. "Fiquei muito feliz com o resultado [de ser uma das estudantes premiadas] e ver o que a gente é capaz é muito legal. Mas eu não esperava mesmo. Existem projetos muito bons. É muito gratificante. Estou superanimada para participar dos eventos desta semana", afirmou Matsuura a Tilt.

A conferência WWDC será realizada ao longo desta semana e Matsuura vai participar de fóruns e encontros virtuais com profissionais da Apple.

WWDC 2020: brasileira Jessica Matsuura, 21, em conversa com Lisa Jackson, executiva da Apple - Divulgação - Divulgação
Estudante Jessica Matsuura em conversa com Lisa Jackson, executiva da Apple
Imagem: Divulgação

Jogo que vai além do entretenimento

Nascida em São José dos Campos, interior de São Paulo, Matsuura mudou sozinha para Curitiba para cursar design gráfico na UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), há três anos.

Sabe aquela história de ouvir algo de um amigo de amigo? Foi assim que a estudante soube da existência do programa da Apple para estimular jovens desenvolvedores (o Apple Developer Academy). Por curiosidade, resolveu se inscrever. Depois de aprovada, começou a aprender programação e ter mais contato com uma área que ainda não conhecia direito: a da experiência de usuário.

Comecei a correr atrás, vi uns vídeos e minha visão mudou totalmente. Nunca tinha passado na possibilidade de trabalhar com experiência do usuário, ser desenvolvedora de produtos mobile [como celular]. Entrei nesse mundo e vi que gostava para caramba

Durante o treinamento, a estudante conheceu também o Swift Student Challenge, desafio de programação da Apple para estudantes, e decidiu participar. O requisito da competição neste ano era o desenvolvimento de uma cena interativa baseada na linguagem de programação da empresa, o Swift, que durasse até três minutos.

A estudante criou então um jogo com o objetivo de ir além de entretenimento. Ela queria fazer os jogadores pensarem sobre a importância real da sustentabilidade e do descarte adequado de lixo.

Tela do jogo The Sea Turtle, criado pela brasileira Jessica Matsuura, premiada pela Apple - Divulgação - Divulgação
Tela do jogo The Sea Turtle, criado pela brasileira Jessica Matsuura
Imagem: Divulgação

O jogo "The Sea Turtle: Protecting sea turtle from waste in the ocean" (Protegendo as tartarugas marinhas dos lixos no oceano) foi feito para ser simples, explicou a brasileira durante o encontro com Lisa Jackson. "Na primeira fase, o usuário tem que desviar do lixo no mar, o que é fácil. Na segunda, o jogador precisa desviar do lixo e achar comida, o que fica mais difícil porque também tem a visão da tartaruga [com cenas mais escuras]."

Apesar de simples, a ideia de usar a sustentabilidade como tema do jogo não apareceu tão rápido para a estudante. Foi preciso alguns dias intensos de reflexão e várias mudanças de planos até que a desenvolvedora decidisse o que mais gostaria de fazer. Acessibilidade, diversidade e sustentabilidade foram os temas que passaram por sua mente.

"Escolhi sustentabilidade porque acho que a gente só repara quando o desastre acontece. Depois todo mundo esquece e volta a viver a vida normalmente", explicou a Tilt.

Após as etapas de programação e criação das ilustrações (área que a estudante domina mais), chegava a hora de submeter o aplicativo à competição. Matsuura esperou até uma hora antes do prazo final para enviar sua inscrição. O perfeccionismo de fazer pequenos ajustes foi o "culpado".

"E queria fazer de um jeito bem tranquilo, um formato de jogo, uma experiência de empatia. Queria que as pessoas pudessem pensar um pouquinho depois que usassem o jogo", ressaltou.

Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais da Apple - Brooks Kraft/Apple - Brooks Kraft/Apple
Lisa Jackson, vice-presidente de meio ambiente, políticas e iniciativas sociais da Apple
Imagem: Brooks Kraft/Apple

A sustentabilidade, inclusive, foi o tema central da pergunta da brasileira feita para a executiva da Apple. A dúvida da estudante girou em torno de qual iniciativa a Apple acreditava ser interessante para empresas adotarem em prol do meio ambiente.

"Seria a de energia limpa. Uma solução muito boa, e até mais barata. Estamos fazendo muito progresso nisso e ela é minha favorita. Acho que a coisa mais importante é diminuir o desperdício. O mais que podemos reciclar, mais podemos ajudar o planeta", disse Lisa Jackson

Futuro para a brasileira

A estudante já tem uma ideia concreta do caminho que quer seguir. O design de produtos com foco na experiência do usuário é o que mais gosta. Já a programação, ela vai deixar um pouco mais de lado.

"Acho que ter desenvolvido coisas do zero, sozinha, vai melhorar muito a comunicação com os desenvolvedores. E sendo designer mobile terei contato com os desenvolvedores o tempo todo. Essa experiência imersiva na área é importante porque os dois lados têm que estar muito próximos", destacou.

No bate-papo, o recado de Lisa Jackson para os estudantes que pensam em suas carreiras é simples: "Você pode não saber para onde está indo. Eu certamente não sabia. Mas, como eu vejo agora, sempre foi o resultado de seguir a luta pela justiça, seja para o planeta ou para as pessoas. E também [tendo] uma forte crença em empoderar pessoas."