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Telessaúde leva atendimento de ponta a 20 mi de pessoas no Norte-Nordeste

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Carlos Madeiro

Colaboração para o Tilt

20/03/2020 04h00

A falta de estrutura para enfrentar uma pandemia como a do coronavírus é mais gritante em cidades pequenas e distantes dos grandes centros. Por isso, um grupo de especialista da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco) está se mobilizando para levar atendimento de ponta a quem está isolado, sem profissionais ou infraestrutura adequada para receber orientações e tratamentos. Para isso, investem em recursos da chamada telessaúde, ou seja, tecnologias para ampliar a capacidade de atendimento com serviços de medicina à distância.

Essas ferramentas digitais já existem em vários hospitais-escola do país foram escolhidas pelo Ministério da Saúde como estratégicas para enfrentar a pandemia. A ideia é chegar a um raio de mais de 20 milhões de pessoas nos estados de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí e Sergipe.

"Nós sabemos como é a realidade da região: pequenos municípios espalhados num vasto território, com uma rede de saúde insuficiente e muitas vezes precária, com longas filas de espera por atendimento em unidades de saúde já superlotadas. Mais do que nunca é necessário utilizar a tecnologia a favor da população", diz Magdala Novaes, doutora em informática médica e coordenadora do Núcleo de Telessaúde da UFPE, sediado no Hospital das Clínicas, um dos hospitais-escola da rede EBSERH (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).

O trabalho está sendo feito em cooperação com vários núcleos de telessaúde da região, mas com gestão feita pelo grupo da UFPE, que tem mais de 15 anos de experiência na área.

telessaúde - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Grupo da UFPE vai coordenar rede de atendimento virtual em áreas remotas
Imagem: Arquivo pessoal

A teleorientação pretender capacitar os profissionais de saúde e direcionar o atendimento à população. Em alguns casos, haverá telemonitoramento de pacientes com suspeita ou confirmação da doença, especialmente aqueles em isolamento domiciliar.

São duas frentes:

  • teleconsultoria para discussão clínica entre os profissionais de saúde
  • teleorientação para atender ao paciente

"São dois serviços distintos, que usam os mesmos canais", explica. "O importante desse tipo de atendimento digital é a utilização de protocolos-padrão, que ofertem em escala um atendimento de qualidade e baseado nas melhores práticas clínicas para população. Não é simplesmente estabelecer o contato, por exemplo, de um idoso com um médico ou uma enfermeira sem um acompanhamento com prontuário atualizado e sistematizado."

Se houve a contratação de mais profissionais nesse sentido, diz ela, seria possível dar suporte em esquema de plantão à distância, 24 horas por dia. "De acordo com os recursos que forem disponibilizados, esse total de teleconsultores atendendo pode crescer muito e chegar a centenas ou milhares de médicos e enfermeiras, por exemplo. Este é um dos fatores diferenciais da telessaúde: oferecer escala de atendimento muito rapidamente", diz Novaes.

Ampliar a oferta de atendimentos virtuais é importante para evitar superlotação das estruturas com atendimentos de pacientes com sintomas leves e dar continuidade aos atendimentos de outras doenças, já agendados na rede, que precisam ser atendidos também.

"Esse telemonitoramento serve para ver se o paciente está bem, se o seu quadro de saúde agravou para indicar um encaminhamento para uma unidade de referência ou mesmo acionar uma unidade de emergência. Ajuda muito para minimizar os deslocamentos dos pacientes", explica.

Unidades móveis de telessaúde também farão atendimento presencial em municípios carentes, se necessário.

"São vans itinerantes com motorista, enfermeiro e técnico, que visitam as pessoas em isolamento domiciliar, orientam as famílias e comunicam interrupção de visitas, medidas de proteção, primeiros sinais de alerta de gravidade. Se necessário, em algumas situações, vamos testar novamente os casos de melhora clínica para confirmar cura e notificar ao sistema de vigilância local", explica Aracele Cavalcanti, enfermeira e doutora em Ciências da Saúde, integrante do grupo da UFPE.

Para ela, do ponto de vista de qualidade de atendimento, o paciente ganha ao ter acesso a profissionais supercapacitados, nem sempre disponíveis.

"O paciente ou familiar acessa a plataforma na internet, solicita orientações em tempo real, e o profissional médico pode solicitar falar com infectologista em tempo real para tirar dúvidas de condução e manejo dos casos", conta.

Em nota a Tilt, o Ministério da Saúde informou que a telessaúde "está entre as ações que devem ser usadas para o enfrentamento do coronavírus no país, aliada a ampliação de médicos nos postos de saúde e da abertura destes serviços por mais tempo". A pasta ainda diz que "formula, em parceria com os núcleos de telessaúde existentes, proposta de atuação considerando as dimensões continentais do Brasil e o tamanho da população."

Para Magdala Novaes, a pandemia está ensinando que, usando de forma responsável, a tecnologia ajuda a levar informações corretas à população. "As tecnologias podem organizar, padronizar e fazem chegar atendimento e informação de qualidade a muita gente simultaneamente, ou seja, precisamos ter responsabilidade digital", explica.

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