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Ele não solta fumaça, mas celular é o novo vilão do aquecimento global

Cresce a contribuição dos smartphones para poluição do planeta - iStock/Getty Images
Cresce a contribuição dos smartphones para poluição do planeta Imagem: iStock/Getty Images

Felipe Germano

Colaboração para o UOL, em São Paulo

27/02/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Em 2007, celular representava 1% da poluição mundial
  • Até 2040, esse volume deve passar para 14%
  • Parece pouco, mas é mais da metade do produzido por todos os meios transporte
  • Para que um celular existir, muitos recursos naturais (e raros) foram explorados

Qual é a primeira coisa que você imagina quando ouve falar em poluição? É provável que seja uma fábrica ou escapamento despejando uma enorme quantidade de fumaça preta pelos ares. Pois bem, ao que tudo indica, isso está mudando.

Um dos próximos vilões do clima está bem debaixo do seu nariz: é seu smartphone.

Em termos globais, os números da poluição causada por smartphones são alarmantes e tendem a ficar ainda maiores. Um estudo publicado pela universidade canadense de McMaster deixa isso claro.

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Os pesquisadores analisaram a pegada de carbono (unidade de medida utilizada para calcular o impacto ambiental) das chamadas Tecnologias Informacionais e Computacionais (ICT, na sigla em inglês). O grupo inclui não só dispositivos como computadores, tablets e smartphones, mas também centros de servidores.

Em 2007, o grupo representava apenas 1% da poluição mundial. Para 2020, a expectativa é alcance 3,5% e até 2040 o volume deve passar para 14%. Parece pouco, mas não é: isso equivale a mais da metade do que é produzido por todos os meios transporte, por exemplo. 

Os pesquisadores esperam uma diminuição no uso de máquinas como notebooks e desktops, mas número de celulares, no entanto, não para de crescer.

COMO O CELULAR POLUI?

Para que você tenha um smartphone em mãos, muitos recursos naturais foram explorados. Dentro de seu celular existem elementos raros. Dos mais clássicos, como ouro, prata e platina, aos tão raros que você talvez nunca nem tenha ouvido falar, como ítrio, lantânio, térbio e praseodímio.

Todos são extraídos por meio de mineração. Isso por si só afeta o meio ambiente diretamente. Não coincidentemente, 97% desses materiais está na China. A poluição, então, é inevitável. Em 2007, por exemplo, o ministro da Saúde chinês afirmou que foi justamente a poluição industrial fez do câncer a principal causa de morte no país.

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Leia a história

Pior ainda: é da cultura da indústria telefônica estimular o rápido descarte de aparelhos. Há um ano e meio o iPhone 8 Plus foi anunciado, e a Apple já tem três modelos mais avançados que ele. O problema não seria nem tão grave se esses minerais pudessem ser reaproveitados, mas menos de 1% dos celulares é reciclado.

POLUIÇÃO NA NUVEM

Outro grande problema são os já citados centros de servidores. Toda operação online que você faz exige uma máquina remota para te ajudar se conectar. Mandou um áudio? Usou o servidor. Enviou um email? Servidor. Recebeu um nude? Servidor também.

Os pesquisadores canadenses calcularam que a pegada de carbono desse tipo de instalação crescerá de 215 megatoneladas de CO2/ano, em 2007, para 764 mtCO2/ano em 2020.

"Para efeito de comparação, a pegada de carbono do Canadá inteiro é de 730 MtCO2/ano. Isso em 2016, espera-se que até 2020 esse número caia", afirmou Lotfi Belkhir, um dos responsáveis pelo estudo. Ele ainda alerta:

Como sociedade, precisamos exigir que esses centros usem exclusivamente energias renováveis.

Na próxima vez que pensar em poluição, esqueça o escapamento. Pense no seu celular.

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