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Deu ruim! Huawei pune funcionário que usou iPhone, da arquirrival Apple

Mensagem da Huawei publicada no Twitter indicava que o celular usado havia sido um iPhone - Reprodução/Twitter
Mensagem da Huawei publicada no Twitter indicava que o celular usado havia sido um iPhone Imagem: Reprodução/Twitter

Helton Simões Gomes

Do UOL, em São Paulo

04/01/2019 11h15

Em meio a uma onda de boicote promovida pelos Estados Unidos e disputando celular a celular pela vice-liderança no segmento de smartphone com a norte-americana Apple, a chinesa Huawei não gostou nada do modelo de aparelho usado por um de seus funcionários para publicar uma mensagem no Twitter.

O empregado desejou feliz 2019 de um iPhone. E foi punido por isso: teve parte dos pagamentos cortados e foi rebaixado de cargo. O tuíte, é claro, foi apagado.

A mensagem era inocente:

Feliz 2019 de todos nós da Huawei. Nossa resolução nesse novo ano é dar a vocês mais razões para se conectar àqueles de quem vocês gostam

Não foi, no entanto, o conteúdo que irritou a empresa chinesa. Abaixo da mensagem, havia a indicação do aparelho usado para fazer a publicação: Twitter for iPhone. Isso foi o suficiente para irritar até mesmo altos-executivos da Huawei.

Segundo documentos internos vistos pela agência de notícias Reuters, o vice-presidente da empresa, Chen Lifang, disse que o tuíte ?causou danos à marca da Huawei?.

Para penalizar o responsável, a chinesa cortou seu salário em 5 mil yuans (R$ 2.736) e ainda congelou os vencimentos que ele recebia devido ao cargo ocupado por 12 meses.

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O memorando atesta que o tuíte só foi publicado a partir de um iPhone porque a agência de mídias sociais contratada pelo serviço estava passando por "problemas de VPN". Devido a isso, não pode usar o computador e recorreu ao celular da Apple.

Após deletar o tuíte, a conta da Huawei no Twitter publicou o mesmo conteúdo novamente. Só que, dessa vez, a origem do post era outra: Twitter Media Studio.

O tuíte gerou um desconforto na Huawei porque a Apple é uma de suas principais concorrentes. No ano passado, a chinesa passou o ano tirando sarro dos lançamentos dos novos iPhones. E ainda comemorou ter batido recorde de 200 milhões de celulares vendidos, o que a levou ao segundo lugar global no segmento. Além disso, a Apple é a empresa símbolo dos EUA, que passou a mover esforços contra a chinesa.

Boicote dos EUA

Os EUA levantaram dúvidas sobre a segurança dos aparelhos da Huawei. Para o governo norte-americano, os laços da empresa com o governo chinês podem ser usados para promover espionagem cibernética. Devido a essa suspeita, os norte-americanos impediram que aparelhos da chinesa fossem comprados e iniciaram uma onda de boicote à empresa pelo mundo.

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Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido, Japão compunham a lista até a francesa Orange anunciar que vai recorrer a rivais da Huawei, Nokia e Ericsson. O caso dos britânicos é curioso, já que a Huawei abriu um laboratório de pesquisa na região para que as autoridades pudessem inspecionar aparelhos e códigos em busca de algum indicativo de que favorecessem algum monitoramento por parte do governo chinês.

Depois disso, a Deutscke Telekom anunciou que também avaliaria se consideraria ou não os equipamentos da chinesa em suas aquisições futuras. Com ela é a maior operadora de telecomunicação da Europa, isso poderia significar que o boicote à Huawei se estenderia a mais 12 países.

Em paralelo à preocupação levantada sobre a segurança dos aparelhos da Huawei, os norte-americanos ainda acusam a chinesa de ter furado o embargo imposto ao Irã e ter vendido ao país aparelhos que continham propriedade intelectual de companhias dos EUA.

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