Cadê você, Zuckerberg? Chefão do Facebook some em meio a escândalo

O Facebook está bem no centro de um escândalo envolvendo o roubo de dados de 50 milhões de usuários da rede socialque pode ter ajudado a eleger Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Isso soa como algo suficientemente relevante para o chefão da empresa se manifestar, correto? Aparentemente, não para Mark Zuckerberg.
A grande figura da rede social sequer se manifestou até agora, o que não passou despercebido pela mídia internacional e por entidades governamentais que investigam o caso. Até mesmo usuários se perguntam se esse é o momento para deletar suas contas do site e campanhas de boicote já começam a surgir.
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Por enquanto, o Facebook se manifestou de diferentes formas sobre o caso. Primeiro, não admitiu a falha e ainda acusou o jornal "The Guardian" de fazer alegações "falsas e difamatórias". Depois, foi Paul Grewal, vice-presidente do Facebook, quem escreveu uma nota dizendo que rolou uma violação das regras da rede social e afirmando que a empresa está comprometida com a proteção de dados.
Segundo a empresa Cambridge Analytica, que se aproveitou de uma brecha e roubou dados de 50 milhões de usuários da plataforma por meio de um app, o Facebook sabia do que estava acontecendo.
A Cambridge Analytica usou os dados de usuários envolvidos numa pesquisa e também dos amigos deles para criar um algoritmo capaz de fornecer o perfil completo das pessoas com base em "curtidas" no Facebook. Com essas informações, é possível direcionar propagandas altamente personalizadas para eleitores indecisos e influenciar as eleições.
É grave. Mas Zuckerberg está quieto. Em um posicionamento enviado ao The Daily Beast, o Facebook disse que Mark Zuckerberg, Sheryl Sandberg (chefe operacional do site) e seus times estão "trabalhando incansavelmente para acessar todos os fatos e tomar as ações necessárias para continuar em frente porque eles entendem a gravidade desse assunto".
Toda a companhia está revoltada por termos sido enganados. Estamos comprometidos vigorosamente a aumentar nossas políticas para proteger as informações das pessoas e vamos tomar todos os passos necessários para ver isso acontecer
O chefão da plataforma sequer postou aquele típica mensagem padrão dizendo que lamenta o ocorrido e que a empresa vai trabalhar para impor uma maior proteção de dados aos usuários.
Verdade seja dita, o CEO não é uma pessoa exatamente midiática. A última publicação de Zuckerberg em seu Facebook é do dia 2 de março, quando postou uma foto cozinhando com sua mulher em uma sexta-feira à noite. Antes disso, no dia 4 de fevereiro, celebrou os 14 anos da página e disse ter cometido erros numa jornada está só começando.
Poucos dias antes, ele havia apresentado um relatório sobre o uso da plataforma, com uma surpreendente queda no tempo em que os usuários utilizam o site—o que, segundo o CEO, é parte de uma estratégia para que o tempo das pessoas dentro do Facebook tenha mais "bem estar".
O ano de 2018 deveria ser especial para Zuckerberg e o Facebook. Afinal, o próprio fundador afirmou que sua meta anual seria "consertar o Facebook", depois de a plataforma estar envolvida nos últimos anos em assuntos como fake news e interferência russa na eleição de Trump.
Bom, o cenário piorou. Seria hora dele rever seu modelo de negócio?
Reunião de emergência... sem o chefão
De acordo com o site The Verge, o Facebook faria uma reunião interna de emergência nesta terça-feira (20), às 14h (de Brasília). Mas, sem Zuckerberg. Seria a primeira vez que funcionários do site teriam a oportunidade de fazer perguntas aos chefes sobre problemas da plataforma.
Quem lideraria a reunião seria Paul Grewal. Segundo a reportagem, os funcionários do Facebook também se perguntam por que Zuckerberg ainda não se manifestou. Há a expectativa de que o CEO fale na sexta-feira, em um encontro interno da rede social.
Enquanto isso, as ações do Facebook continuam despencando. Após queda na segunda-feira, primeiro dia útil após o escândalo, as ações da rede social continuam em forte queda nesta terça. Às 14h, as ações caíam 5%.
Investigações e mais problemas para o site
O caso renderá investigações tanto dos Estados Unidos quanto do Reino Unido. Nos EUA, o FTC (Federal Trade Comission) já está investigando o caso, de acordo com sites internacionais. O Reino Unido também está ativo na questão, apurando a violação de dados do Facebook e com buscas na empresa Cambtidge Analytica.
Antes disso o Facebook também não se encontrava em uma situação positiva. A empresa enfrentava comissões e investigações relativas à interferência russa na eleição norte-americana, uso de dados de usuários e também sobre a fake news.
No fim da última semana, congressistas norte-americanos já ameaçavam intimar os CEOs de Facebook, Twitter e Google para comissões da casa que investigam a atuação de páginas da internet - as companhias só enviaram funcionários de segundo escalão para serem interrogados. O temor de uma regulamentação mais séria sobre essas plataformas paira entre as empresas.
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