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Especialistas conseguem conter ciberataque em sistema de saúde britânico

Do UOL, em São Paulo

15/05/2017 11h42

Especialistas em tecnologia britânicos trabalharam noite adentro para corrigir sistemas de computadores do serviço de saúde do país após um vírus do tipo ransomware forçar dezenas de hospitais a cancelarem operações e consultas, disse o ministro de Segurança, Ben Wallace, nesta segunda-feira (15).

Aproveitando-se de ferramentas de espionagem que teriam sido desenvolvidas pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos, o vírus chamado WannaCry bloqueou mais de 200 mil computadores em pelo menos 150 países, exigindo um resgate para desbloqueá-los.

Especialistas em cibersegurança do Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido trabalharam ao lado do Centro Nacional de Cibersegurança (NCSC) e da agência de espionagem britânica, a GCHQ, para corrigir sistemas de computadores depois do ataque causar amplos problemas na sexta-feira, disse Wallace.

"Eles têm trabalhado quase noite a dentro para garantir que os reparos estejam funcionando para ter certeza que, esperançosamente, os serviços do NHS possam voltar ao normal", disse o ministro à rádio BBC.

Wallace negou que uma falta de investimentos no sistema de saúde --uma alegação da oposição trabalhista antes da eleição do dia 8 de junho-- possa ter deixado os serviços de saúde expostos a esse tipo de ataque.

O diretor da Europol, Rob Wainwright, disse neste domingo que o ataque foi singular no sentido de que o ransomware foi usado em combinação com uma "funcionalidade de verme", por isso a infecção se espalhou rapidamente. 

Ele disse que a Europol e outras agências ainda não sabem quem está por trás do ataque, mas "normalmente tem objetivos criminosos e essa é a primeira teoria com a qual trabalhamos por motivos óbvios".

Apesar da Europol garantir que não há nenhum novo risco de contágio global, os temores não passam. "Não foram registradas novas infeções de ransomware e isso é positivo. Significa que, no fim de semana, com o alerta do ataque em escala global, as pessoas começaram a fazer as atualizações de segurança em seus equipamentos", disse o porta-voz da Europol, Jan Op Gen Oorth.

De acordo com a Microsoft, o ciberataque fez "soar um alarme" para os riscos existentes e a vulnerabilidade das novas tecnologias. "O ataque vale como um alarme. Os governos não podem manter softwares que podem ser transformados em armas para hackers sem escrúpulos", disse a companhia em seu blog.

O vírus teria sido roubado da agência norte-americana NSA e caído na mão de hackers.

O jornal britânico "The Times" publicou que o governo e o ministério da saúde já tinham sido informados há um ano sobre os riscos de um ataque cibernético em grande escala contra hospitais, um dos alvos da invasão mundial de sexta-feira.

Os "resgates" pedidos pelos hackers giraram em torno de US$ 300 para cada equipamento.