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S8 vai além do iPhone, mas não trouxe revolução para recomeço da Samsung

Galaxy S8 foi apresentado ao mundo na última quarta-feira (29) - Divulgação
Galaxy S8 foi apresentado ao mundo na última quarta-feira (29) Imagem: Divulgação

Fabiana Uchinaka, Gabriel Francisco Ribeiro, Lilian Ferreira e Márcio Padrão

Do UOL, em São Paulo

30/03/2017 04h00

A missão da Samsung não era simples com o lançamento do Galaxy S8: tirar da cabeça do mercado o fiasco das baterias explosivas do Note 7 no último ano e os escândalos de corrupção recentes da empresa. Além disso, o sonho da empresa é bater o arquirrival iPhone 7 e 7 Plus. A princípio, a missão foi cumprida. Mas o aparelho com configuração e design de top de linha não trouxeram nenhuma revolução para o mundo dos smartphones.

Você pode ver o quanto a Samsung prezava esse lançamento com o fato de ter realizado um evento próprio para o anúncio - algo similar ao que a Apple faz para lançamentos do iPhone. Nos últimos anos, a Samsung lançou seu top de linha em conferências realizadas às vésperas da Mobile World Congress. Não dessa vez.

Design: maior revolução imediata para a Samsung

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2017/samsung-galaxy-8-e-suas-cores-1490802034647.vm') Mas, exatamente pelo atraso no lançamento, o S8 não foi o primeiro a ter tela em quase toda a frente do aparelho. A Apple trocou o botão frontal físico pelo touch no iPhone 7, mas ainda não adotou totalmente o botão na tela. Em fevereiro, a LG foi mais inovadora e lançou o G6 com tela maior e com o botão na tela. O Moto G5, também lançado na feira de celulares em Barcelona, adotou uma tática inversa: os comandos foram para o botão para aumentar o espaço de tela. Assim, ainda que supere o iPhone em design de tela, o S8 fica atrás do G6.

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O design do S8 realmente chama a atenção. A chamada "tela infinita" junta a tela mais comprida, como a do G6, com as bordas curvas do Galaxy 7 edge, o que dá uma sensação maior de tela em toda a frente do aparelho. A tela cresceu muito (algo que é uma exigência dos consumidores), sem aumentar proporcionalmente o tamanho do aparelho. Para se ter uma ideia, a menor tela do S8 é 5,8 polegadas, a do iPhone 7 é 4,7 polegadas, e só tem 1 centímetro a mais que o concorrente.

É especulado que o próximo iPhone também implemente isso - por sinal, a Samsung copiou a possibilidade do botão Home ser sensível à pressão, como no modelo da Apple. Para a Samsung, é uma grande mudança.

O lado ruim é que o leitor de digital foi empurrado para a traseira do aparelho, bem ao lado da lente da câmera, no alto. Apesar de inicialmente parecer mais difícil de acessar o sensor, o recurso na traseira do aparelho já é usado em outros modelos como o Google Pixel e o Zenfone, e se torna praticamente inútil quando se tem um sensor de íris, como é o caso do novo modelo. Quando testamos o Note 7, que também tinha o sensor de íris, percebemos que ele funciona bem, mas é preciso estar perto do aparelho e "encaixar" o olho em uma posição pré-determinada.

Bixby: promessa de revolução (e só, por enquanto)

Outra novidade que era muito esperada no S8 é o Bixby, assistente feito pela própria marca. Antes, os aparelhos vinham com os assistentes feitos pelo Google.

O que ficou bem claro é que o Bixby, contudo, está em um estágio bem "beta". Por enquanto, não passa de uma promessa de revolução para o futuro, em um mercado que já conta com Siri (Apple), Cortana (Microsoft), Alexa (Amazon) e o Google Assistant.

O que ele pode fazer por enquanto? Agora, é um assistente especificamente para seu telefone. A intenção da Samsung é que você possa pedir para o Bixby fazer tudo o que faria por toque. Um exemplo dado é que você pode pedir para o Bixby rotacionar uma foto e enviar para alguém —o que ainda não é possível nem no Google, nem na Siri.

Essa função de assistente serve apenas com partes do celular (telefone, mensagens, configurações, câmeras, lembretes, contatos e galeria), além de alguns apps da Samsung. Se você quiser descobrir a idade de um cantor ou o resultado do seu time, terá que continuar usando o Google Assistant. A Samsung sequer deu uma prévia de quando essas funções entrarão no Bixby.

Um recurso legal do Bixby é que ele pode usar a câmera para fazer buscas e traduções de textos, algo que já era possível fazer por meio de alguns outros apps. Basta você mirar em uma cadeira ou em um rótulo de vinho que poderá buscar informações pela internet.

O Bixby ainda vem com uma seção "home", que te ajuda com tarefas diárias, te informa sobre o tempo e notícias, etc— pode ser o fim de apps como o Flipboard.

Até o momento, o Bixby serviu mais como um alerta para o mercado de que a Samsung entrará de cabeça na briga pelos assistentes virtuais - a empresa já anunciou que a novidade fará parte do seu ecossistema de produtos inteligentes para casa. É bom outras marcas se preocuparem. Há potencial, mas por enquanto não há nada de mais no limitado Bixby.

Samsung DeX: se vingar, pode ser revolução

Uma velha pergunta que sempre surge é: quando os celulares vão finalmente substituir os computadores?

Não há uma resposta exata, mas a Samsung fez mais uma tentativa disso ao lançar um novo produto durante a apresentação do S8: o Samsung DeX, infelizmente vendido à parte e sem preço revelado ainda.

O acessório basicamente fará você usar o seu celular na interface de um computador, com monitor, teclado e mouse.

Todos os apps são disponibilizados no monitor e você pode usá-los ao mesmo tempo em que a função ocorre no celular. É possível ver fotos, escrever textos, editar imagens no Photoshop... A possibilidade é realmente gigante.

É claro que se isso pegar pode ser uma revolução nas nossas vidas. Mas já houve outras tentativas de companhias fazerem a mesma coisa, todas frustradas. Microsoft, HP, Motorola e Asus tiveram suas versões parecidas em algum nível com o DeX, mas nenhuma foi adiante. Resta saber se a Samsung conseguirá mudar isso - e tornar acessível, claro, já que o usuário precisará comprar não só o S8, mas também o DeX, mouse, teclado e tela.

Será que não é mais barato comprar um computador?

Desempenho, bateria e câmera: mais do mesmo

$escape.getH()uolbr_geraModulos('embed-foto','/2017/samsung-galaxy-8---reconhecimento-da-iris-1490804234192.vm') Se a Samsung avançou em alguns sentidos, em outros preferiu manter praticamente o que vinha dando certo.

Em termos de desempenho, contará com os mesmos 4 GB de RAM dos modelos anteriores (acima do último iPhone, que tem 2 GB, e abaixo do Zenfone AR, de absurdos 8 GB). Ao menos, o processamento foi melhorado em relação ao modelo anterior. O armazenamento também foi ampliado - agora há espaço interno de 64 GB expansíveis com cartões de memória.

Vamos falar de bateria, então. A Samsung, ao menos, garantiu segurança - ou seja, esperamos que ela não exploda, né? Houve quase zero melhora nesse quesito e até uma pequena piora de capacidade do modelo Plus em relação ao S7 edge, mas as duas baterias do S8 estão na média do mercado e acima dos iPhones atuais.

O problema é que a bateria do S8, igual à do S7, terá que alimentar telas maiores, que, consequentemente, consomem mais energia. A empresa sul-coreana afirma que a química das baterias foi melhorada para garantir maior durabilidade, mas é preciso ver se isso vai funcionar na prática.

A câmera também se manteve no nível do modelo anterior, com um aumento na câmera de selfie (que foi de 5 MP para 8 MP, ultrapassando os 7 MP do iPhone 7) com a promessa de algumas melhorias na qualidade, o que ainda permite a briga com as câmeras duplas da concorrência como iPhone 7 Plus, LG G6 e Zenfone 3 Zoom.

Por fim, o S8 vem com resistência à água e poeira certificada pelo código IP68 (submerso a mais de 1 m por até 30 minutos), a do iPhone 7 é IP67 (só garante até 1 metro).

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